Narrado por Lilith
Corvo
PH
A presença de Terror ainda pesava nos meus ombros, mesmo depois que ele se afastou. Gabi continuava a falar ao meu lado, mas sua voz se tornava um som distante, abafado pelos meus pensamentos e pela tensão que crescia a cada minuto. Eu mal conseguia prestar atenção em qualquer outra coisa que não fosse a sensação de que algo estava prestes a acontecer.
Foi então que Larissa decidiu confrontar-me, suas palavras impregnadas de veneno e insegurança. Ela se aproximou, seu rosto marcado por uma expressão de posse e ciúmes. Era claro que ela se sentia ameaçada, e seu discurso deixou isso evidente.
— Olha aqui, garota, eu não sei de que buraco você saiu, mas vou te passar a visão: aquele homem é MEU, e não estou a fim de dividir ele com ninguém — ela disparou, a voz cortante.
Eu poderia ter ignorado, poderia ter escolhido o silêncio como resposta, mas a situação havia me cansado. Olhei diretamente nos olhos dela, minha expressão firme e inabalável.
— Calma aí, querida. Não sei com que tipo de mulher você está acostumada a lidar, mas eu não sou do tipo que se rebaixa por homem, ainda mais se ele for comprometido. Tenho minhas razões para estar aqui, mas pode ter certeza de que não é para tomar o SEU homem de você. Talvez você devesse ter mais confiança em si mesma e se rebaixar menos para homens — respondi, cada palavra carregada com a força que eu sabia que possuía.
Larissa pareceu engolir seco, como se não estivesse preparada para uma resposta direta. Ela abriu a boca para dizer algo, mas acabou se virando e indo para o camarote onde Terror a esperava. Eu continuei observando a multidão, tentando manter distância de qualquer drama desnecessário. Não estava ali para isso, e, sinceramente, tinha preocupações muito maiores.
No decorrer da noite, mantive-me o mais afastada possível de Larissa e seu círculo. O ambiente estava carregado, e eu podia sentir os olhares se movendo sobre mim como serpentes à espreita. Por fim, minha atenção foi capturada por algo que realmente importava: ao levantar os olhos para o camarote, os vi.
A decisão estava tomada. Eu poderia ter escolhido ignorar a presença deles, poderia ter arquitetado um plano em segredo, esperando o momento certo para agir. Mas o fogo que queimava dentro de mim exigia mais. Queria confrontá-los, mesmo que isso significasse arriscar minha vida ali, naquele instante. Algo em meu íntimo clamava para que eles olhassem nos meus olhos e soubessem exatamente quem estavam enfrentando.
Sem hesitar, subi as escadas do camarote, cada passo firme e decidido. Ao chegar à entrada, fui barrada por seguranças, mas bastou um único olhar de Terror para que me deixassem passar. PH estava de costas para mim, conversando com alguém, mas ele não era meu alvo. Meu objetivo estava claro: eu queria confrontar aquele que deveria ter sido meu pai, aquele que me abandonou.
— Ora, ora, se não é o grande Corvo… Mas até parece um passarinho — disparei, minha voz carregada de sarcasmo e desprezo.
Corvo estava sentado em uma cadeira, cercado por mulheres que pareciam mais interessadas em seu poder do que em quem ele realmente era. Ao ouvir minha voz, ele ergueu a cabeça, seus olhos se encontrando com os meus. Havia um momento de silêncio, um instante onde o mundo ao nosso redor parecia congelar, como se todos aguardassem o que viria a seguir.
O olhar que ele me lançou foi de surpresa, mas também de reconhecimento. Ele sabia, de alguma forma, quem eu era. E naquele instante, vi algo em seus olhos que não esperava: uma sombra de arrependimento, talvez, ou apenas a consciência do que havia feito. Mas eu não estava ali para buscar compreensão ou piedade. Eu queria que ele soubesse o que havia perdido.
— Parece que, mesmo depois de tantos anos, você ainda me reconhece, não é, papai? — Minhas palavras saíram carregadas de sarcasmo. — É assim que eu deveria te chamar? Não pense que estou aqui para uma reconciliação familiar. Mas, se sabe quem eu sou, então também deve saber que meu avô está morto.
Corvo permaneceu em silêncio, seus olhos fixos nos meus, mas eu não estava disposta a dar espaço para ele falar. Eu continuei:
— Passei dias me perguntando se aceitaria ou não ser a herdeira do trono dele, mas olhando para você agora, já tenho minha resposta.
Enquanto eu falava, notei que Terror e PH começaram a se aproximar, observando a situação com uma tensão crescente. Corvo se levantou, tentando se aproximar, provavelmente para dizer algo. Mas eu estava engasgada demais com minha raiva, ressentimento e anos de abandono para deixá-lo falar.
— Você deveria ter me matado no dia do meu nascimento — continuei, minha voz firme, cheia de desprezo. — Porque aquela foi a única chance que você teve. Olhe bem para mim, líder do PCC. Eu sou a herdeira do Barão, e vou reclamar o meu lugar na facção por direito. E se você for esperto, não fique no meu caminho.
A tensão no camarote era quase tangível. PH parou, olhando entre mim e Corvo, enquanto Terror manteve-se próximo, seus olhos atentos a cada movimento. A surpresa e a raiva se misturavam no rosto de Corvo, mas ele sabia que havia algo diferente em mim, algo que ele não poderia ignorar.
Eu tinha dado meu recado. Agora, era a hora de ele decidir o que faria com essa informação. Mas uma coisa era certa: eu não estava mais à mercê de ninguém. Eu tinha uma missão, e nada — nem mesmo o homem que deveria ter sido meu pai — me impediria de cumpri-la.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 82
Comments
Elayne Faria
amando um capítulo melhor que o outro /Smile/
2024-12-04
1
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
parabéns Lili é assim mesmo que você tem que agir estou em êxtase em ler esse capítulo hum que delícia
2024-10-03
1