Sussuros de Mandrágora.

Estamos levantados, com os pés amarrados ao tronco da árvore, pendurados, e a pressão do sangue indo para nossas cabeças já se tornou insuportável. Olho ao redor, buscando desesperadamente algo que possa nos ajudar, mas não encontro nada. A duplicata já se foi há algum tempo, deixando-nos à mercê do medo e da incerteza.

— Estamos ferrados — comenta, soltando uma risada nervosa, tentando aliviar a tensão.

— Sem piadinhas, Ethan — Tsubaki tenta parecer sério, mas até ele luta para não rir.

— Vou tentar me soltar — diz ele, a determinação ecoando em sua voz.

— Está maluco? Se você cair de lá embaixo, vai quebrar algum osso! — Seraphin expressa sua preocupação, a voz carregada de medo.

— Eu não me importo. Se eu escapar, posso conseguir chamar ajuda. — Ele fala com uma convicção que me faz hesitar em contrariá-lo.

— Ou você vai quebrar a perna e desmaiar — comenta Ethan pessimista.

— Olha, Tsubaki, não acho que vai dar certo, mas você pode tentar — diz Seraphin, um misto de dúvida e esperança na voz.

Tsubaki solta a corda que o prende, ficando de cabeça para baixo. Ele começa a se balançar, girando no ar, lutando para se soltar ou quebrar o galho. O esforço deixa seu rosto vermelho, mas ele não para. Continua até que a corda finalmente se rompe. Grito instintivamente, estendendo a mão em um gesto inútil, tentando alcançá-lo mesmo de longe.

— TSUBAKI! — grita Seraphin, sua voz cheia de desespero.

Fecho os olhos, esperando pelo som horrível da queda, mas, de repente, o silêncio toma conta. Abro os olhos devagar e vejo uma luz roxa em volta de Tsubaki. Ele está descendo lentamente, envolto em uma bolha de luz roxa, até tocar o chão com segurança.

— QUE PORRA FOI ESSA? — Ethan grita ao meu lado, completamente pasmo.

— Você está bem?! — grito para Tsubaki, que ainda está no chão, claramente em choque com tudo o que acabou de acontecer.

— Ahmm… SIM — responde ele, a voz trêmula, enquanto tenta processar o que acabou de viver.

— Ethan, se balança e se segura em mim. Tenho um plano — Seraphin diz, estendendo a mão para ele.

Ethan solta a corda, ficando de cabeça para baixo e agarrando as pernas de Seraphin. Ela aproxima o colar da corda onde Ethan está preso e fecha os olhos, concentrando sua energia na pedra. O calor começa a emanar do colar, cortando a corda de Ethan ao meio. Ele perde o equilíbrio e cai, mas, para nosso alívio, uma bolha de luz roxa se forma ao redor dele, guiando-o suavemente até o chão.

Seraphin faz o mesmo com a própria corda, mas, desta vez, a luz roxa não se forma ao redor dela. Em vez disso, ela flutua lentamente até o chão, como se uma força invisível a estivesse carregando.

— Estão olhando o quê? — Seraphin pergunta, ajudando Ethan a se levantar.

— Isso foi do caralho, tipo, foda mesmo — Ethan exclama, ainda empolgado com o que aconteceu.

— Sorte nossa que aquela coisa só amarrou um dos nossos pés — diz Tsubaki, enquanto nos preparamos para o que quer que venha a seguir.

Antes que possamos nos recuperar completamente, três duplicatas idênticas a nós mesmos aparecem diante da gente. Trocamos olhares rápidos, o pânico crescendo em nossos corações. Procuramos desesperadamente algo para nos defender, mas as duplicatas se movem primeiro.

— Que comece a briga de espadas — a duplicata de Seraphin diz, jogando três espadas há nossa frente. — LUTEM POR SUAS VIDAS!

Sem escolha, pegamos as espadas e nos preparamos para a luta. Ethan enfrenta sua duplicata primeiro. A batalha é feroz; as espadas colidem, faíscas voam no ar. Ethan luta com todas as forças, mas a duplicata é implacável, prevendo cada movimento. Ele é jogado no chão várias vezes, mas se levanta, determinado a vencer. Finalmente, ele encontra uma abertura e, com um golpe certeiro, atravessa o peito de sua duplicata, que se desfaz em um emaranhado de raízes e folhas de mandrágora.

Tsubaki enfrenta sua duplicata com a mesma ferocidade. O combate é equilibrado, as espadas se cruzando com força. Ele tenta manter a calma, mas a duplicata é habilidosa e cruel. Tsubaki é "ferido" várias vezes, mas não desiste. Com um grito de raiva, ele desfere um golpe que corta sua duplicata ao meio, revelando mais raízes e folhas de mandrágora.

Seraphin é a última a enfrentar sua duplicata. A luta é intensa, as duas se movem com uma precisão assustadora. Seraphin, porém, começa a sentir a fadiga, e a duplicata aproveita. Ela é atingida na cabeça e desmaia, mas a duplicata, ao invés de matá-la, se ajoelha ao lado dela, chorando.

— Eu não queria morrer... — murmura a duplicata, suas lágrimas caindo nos ombros de Seraphin.

Seraphin, ainda atordoada, olha para a duplicata. A criatura, em sua agonia, revela um enigma:

— O mago do vazio... ele virá... V... V é o começo do nome dele... — e, com isso, a duplicata se desfaz em um amontoado de raízes, seu corpo se desintegrando na terra.

Agora os três respirando pesadamente, olhando para os restos das duplicatas. A tensão é palpável, o mistério ao redor do mago do vazio e do seu nome com a letra "V" paira sobre eles, aumentando ainda mais a sensação de perigo iminente. O ar ao redor é denso, e eles sabem que, embora tenham sobrevivido, o verdadeiro desafio está apenas começando.

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