Intruso invisível.

Tsubaki mal teve tempo de processar o que estava acontecendo antes de ver o corpo de Seraphin desmoronar. Ele se ajoelhou ao lado dela, chamando seu nome em um sussurro urgente, mas sua voz parecia se perder na vastidão da noite. O medo crescia dentro dele, uma sensação que ele estava tentando ignorar desde que a viu fixar o olhar naquelas sombras.

Agora, com Seraphin desmaiada em seus braços, não havia como ignorar o que ele sabia instintivamente: estavam sendo observados. E o que quer que estivesse lá fora, nas sombras, não estava apenas espreitando. Estava se aproximando.

Tsubaki a ergueu nos braços com um cuidado surpreendente para alguém tão apressado. Ela parecia leve, quase frágil, e por um momento, ele sentiu um peso esmagador de responsabilidade cair sobre seus ombros. Ele precisava protegê-la, mesmo que não soubesse exatamente de quê.

Olhou para a clareira onde o grupo ainda estava reunido ao redor da fogueira, mas sabia que não poderia correr até lá. Isso só atrairia o que quer que fosse para os outros também. A única opção era correr na direção oposta, para a segurança temporária da floresta mais densa, onde poderiam se esconder.

Ele começou a se mover, seus passos rápidos e silenciosos entre as árvores. As sombras pareciam mais vivas do que nunca, como se sussurrassem ao seu redor, desafiando-o a continuar. Cada ruído que fazia ecoava mais alto em sua cabeça, e ele se esforçava para não pensar no que poderia estar logo atrás deles.

Enquanto corria, Tsubaki sentiu o corpo de Seraphin se mexer ligeiramente em seus braços. Ela estava começando a acordar, os olhos piscando como se estivessem lutando contra uma névoa pesada. Ele diminuiu o ritmo, esperando que ela voltasse completamente à consciência antes de explicar o que estava acontecendo.

– Seraphin, acorda – ele sussurrou, quase suplicante, tentando manter o pânico fora de sua voz. – Precisamos sair daqui.

Ela abriu os olhos lentamente, a mente ainda nublada pelas visões que a assombravam. Seus pensamentos estavam embaralhados, mas a sensação de perigo era clara. Instintivamente, ela se agarrou a Tsubaki, sentindo a tensão em seus músculos enquanto ele continuava a se mover pela floresta.

– O que aconteceu? – perguntou ela, a voz rouca e fraca.

– Você desmaiou – respondeu ele, mantendo a voz baixa, ainda atento a qualquer movimento ao redor. – Mas não temos tempo para parar agora. Estamos sendo seguidos.

Seraphin sentiu uma onda de adrenalina ao ouvir aquelas palavras. Ela lutou para clarear a mente, tentando recuperar o controle de seu corpo. A floresta ao redor parecia girar, as árvores se fundindo umas às outras em um borrão de escuridão. Ela mal conseguia distinguir o que era real do que eram apenas sombras criadas por sua própria mente.

– Preciso... descer – disse ela, forçando-se a falar com mais clareza. – Tsubaki, me coloca no chão.

Ele hesitou por um momento, os olhos procurando algo nas sombras ao redor, mas finalmente cedeu, colocando-a de pé. Mesmo que ela ainda estivesse um pouco instável, ele sabia que não poderia continuar carregando-a por muito tempo. Precisavam estar prontos para correr juntos, caso fosse necessário.

Seraphin inspirou profundamente, tentando recuperar o equilíbrio, mas o peso das memórias ainda pairava sobre ela como uma nuvem densa. Mesmo assim, havia uma urgência no olhar de Tsubaki que a impediu de se deixar levar pelo medo.

– Para onde estamos indo? – ela perguntou, tentando suprimir o tremor em sua voz.

– Para longe – foi a única resposta dele, enquanto olhava ao redor, avaliando as opções. – Precisamos encontrar um lugar seguro antes de pensarmos em qualquer outra coisa.

Os dois continuaram a caminhar, mais devagar agora, mas ainda atentos a cada som ao redor. O farfalhar das folhas sob seus pés parecia mais alto do que o normal, e Seraphin não podia deixar de imaginar o que estaria à espreita nas sombras, esperando o momento certo para atacar.

Foi então que um barulho mais distinto quebrou o silêncio da floresta – um galho se partindo, não muito longe. Ambos congelaram no mesmo instante, o coração de Seraphin batendo tão forte que ela teve certeza de que Tsubaki podia ouvir.

– Corre – ele sussurrou, a urgência em sua voz clara.

Sem hesitar, os dois dispararam pela floresta, as sombras passando rapidamente por eles enquanto corriam o mais rápido que suas pernas permitiam. O barulho atrás deles ficou mais alto, como se algo estivesse os perseguindo. Mas Seraphin não se atreveu a olhar para trás. O medo pulsava em seu peito, e tudo o que ela podia fazer era seguir em frente, concentrando-se apenas em colocar um pé na frente do outro.

Finalmente, depois do que pareceram horas de corrida, avistaram uma formação rochosa à frente, uma pequena caverna que poderia oferecer abrigo temporário. Tsubaki puxou Seraphin na direção dela, os dois ofegantes e suados, mas aliviados por terem encontrado um lugar para se esconder.

Dentro da caverna, o ar era úmido e frio, mas oferecia uma sensação de segurança que eles não tinham sentido desde que deixaram a casa na árvore. Seraphin se recostou contra uma das paredes de pedra, tentando controlar a respiração enquanto Tsubaki ficava de vigia na entrada.

Por alguns minutos, nenhum dos dois falou. O silêncio da caverna era quase reconfortante, uma pausa bem-vinda depois da corrida frenética pela floresta. No entanto, o perigo ainda parecia próximo, como se estivesse esperando pacientemente do lado de fora.

– O que era aquilo? – Seraphin finalmente perguntou, quebrando o silêncio. – Você viu alguma coisa?

Tsubaki balançou a cabeça, o olhar ainda fixo na escuridão da floresta.

– Não sei – admitiu ele, a frustração clara em sua voz. – Mas o que quer que fosse, estávamos sendo seguidos. Acho que... – Ele fez uma pausa, procurando as palavras certas. – Acho que tem a ver com as coordenadas.

Seraphin mordeu o lábio, sentindo o peso do que ele havia dito. Tudo voltava para as coordenadas. Para a Área 51. Para o mistério que cercava sua própria existência. As memórias que surgiram em sua mente antes de desmaiar ainda a atormentavam, mas agora, havia algo mais. Algo que espreitava nas sombras, esperando o momento certo para revelar sua presença.

Ela olhou para Tsubaki, sentindo uma mistura de medo e determinação crescendo dentro de si. Sabia que não podiam continuar fugindo para sempre. Eventualmente, teriam que enfrentar o que quer que estivesse à espreita nas sombras – e as respostas que aguardavam no fim das coordenadas.

Mas, por enquanto, tudo o que podiam fazer era esperar. E, enquanto a noite avançava, Seraphin sabia que a verdadeira batalha ainda estava por vir.

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