A Noite da Duplicata.

A raiva de Ethan queimava em seu peito enquanto ele caminhava pela floresta escura, seus passos ecoando pela noite silenciosa. A briga com Tsubaki e Seraphin ainda reverberava em sua mente, e agora ele se sentia completamente só. As árvores ao redor pareciam cercá-lo, como se a própria floresta estivesse conspirando contra ele. Ele chutou uma pedra para longe, mal conseguindo conter o impulso de gritar.

O céu, agora negro como breu, estava sem estrelas. O vento sussurrava entre as folhas, mas Ethan não prestava atenção nisso. Estava tão absorto em sua revolta que quase não percebeu a figura que apareceu à sua frente. Ele parou abruptamente, sentindo o coração bater forte no peito.

Era Seraphin... ou pelo menos parecia ser. Ela estava parada ali, no meio da trilha, com os olhos fixos nele. Algo estava estranho, mas Ethan não conseguiu identificar exatamente o que.

– O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou, sua voz mais áspera do que pretendia.

– Eu poderia perguntar o mesmo, Ethan – respondeu ela, mas havia algo de errado em seu tom. Parecia distante, quase calculado.

Ethan estreitou os olhos, a desconfiança crescendo em seu peito. – Pare de mentir. Eu sei que você esconde coisas. O colar que você encontrou, a história sobre uma sacerdotisa... Você está trabalhando para o governo, não está? Está nos enganando esse tempo todo!

– Ah, Ethan, você é tão bonitinho – zombou a figura, com um sorriso sinistro. – Eu poderia te matar agora, mas não seria tão saboroso. Vai ser melhor quando todos estiverem juntinhos... e as duplicatas também.

O rosto de "Seraphin" permaneceu impassível, mas seus olhos brilharam com algo perigoso. Antes que ele pudesse reagir, ela se moveu com uma velocidade aterrorizante, atingindo-o na cabeça com um golpe firme. Tudo ficou escuro.

Quando Ethan voltou a si, estava pendurado de cabeça para baixo, preso pelos pés no alto de uma árvore. A dor pulsava em sua cabeça, e o mundo girava levemente. Ele tentou se libertar, mas as amarras eram fortes. Sentia o sangue correr para sua cabeça, aumentando sua sensação de desespero.

– Socorro! – gritou, mas a única resposta foi o eco de sua própria voz. A floresta ao redor estava quieta, como se até os animais tivessem sido silenciados.

Enquanto isso, Seraphin, entediada, decidiu dar uma volta na floresta. Ela caminhava devagar, observando cada canto, tocando as árvores e sentindo o cheiro da terra. O vento balançava seus longos cabelos cacheados e ruivos, enquanto ela aproveitava a tranquilidade.

Então, ela ouviu. Gritos, distantes, mas inconfundíveis. Seraphin parou, seu coração disparando. A princípio, pensou que sua mente estivesse lhe pregando peças, mas os gritos continuaram, cada vez mais nítidos.

Ela correu na direção dos sons, seus pés movendo-se rapidamente pelo terreno irregular. O medo a empurrava para frente, e quando finalmente alcançou a origem dos gritos, ficou horrorizada com o que viu.

Ethan estava pendurado pelos pés no topo de uma árvore, exatamente como em um filme de terror. Seu rosto estava pálido, e ele tentava desesperadamente se soltar.

– Seraphin! – ele gritou ao vê-la. – É você mesma? Me tira daqui!

Antes que Seraphin pudesse fazer qualquer coisa, uma figura sombria apareceu diante dela. Outra Seraphin, idêntica a ela – as mesmas roupas, o mesmo cabelo, a mesma altura, e até a mesma voz. Elas se encararam por um momento, movendo-se de forma sincronizada. O pavor tomou conta de Seraphin, e antes que ela pudesse reagir, a duplicata apareceu atrás dela e a atingiu com um golpe na cabeça.

Ethan viu toda a cena, desesperado com o que estava acontecendo. Ele observou a duplicata escalando a árvore e carregando Seraphin pela perna, como se ela não pesasse nada. Ele assistiu, impotente, enquanto a criatura a amarrava pelos pés e pulava da árvore, aterrissando misteriosamente em pé.

Dentro de casa, Tsubaki estava inquieto, pensando nas palavras de Ethan e se eles realmente deveriam confiar em Seraphin. Determinado a confrontá-la, saiu para o lado de fora da casa, onde ela deveria estar. Mas ao não encontrá-la na varanda, seu coração gelou. Já era tarde demais para ela ter ido simplesmente caminhar na floresta, mas ele não duvidava de nada. Uma angústia crescia em seu peito enquanto ele corria para dentro da floresta.

Seguindo os gritos abafados e distantes, Tsubaki correu pelo terreno irregular. Quando chegou ao local, parou abruptamente, sentindo o sangue gelar em suas veias.

Seraphin estava lá, ou pelo menos parecia estar. Ela chorava, seus olhos brilhando de angústia.

– Tsubaki, ele me atacou! – disse ela entre soluços. – Eu tentei me defender, mas acabei machucando o Ethan...

Tsubaki a observou com cautela. Havia algo errado naquela história. Ela falava rápido demais, quase como se estivesse recitando algo ensaiado. Ele estava prestes a questioná-la quando algo chamou sua atenção. Um brilho fraco vindo do alto das árvores. Ele reconheceu imediatamente – era o colar de Seraphin.

Antes que pudesse reagir, a duplicata avançou com rapidez. Um golpe firme, e a escuridão o envolveu.

Ethan e Seraphin já estavam com os corpos inclinados para tentar manter o sangue circulando de maneira uniforme. Seguravam as cordas com força, tentando aliviar a pressão na cabeça.

O silêncio voltou à floresta, pesado e opressor. Agora, os três estavam presos, pendurados de cabeça para baixo, como presas de uma armadilha misteriosa. A noite se fechava ao redor deles, e a única certeza que restava era a de que algo, ou alguém, os observava nas sombras.

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