– Precisamos saber quem é – disse ela, respirando fundo. – Não podemos fugir para sempre.
Tsubaki assentiu, relutante, mas sabia que ela estava certa. Eles não poderiam continuar fugindo sem entender o que estava atrás deles. Com cuidado, se abaixaram atrás de um tronco caído, as respirações controladas enquanto ouviam os sons ao redor.
Os passos diminuíram, e a sombra parou ao longe, movendo-se com cautela entre as árvores. Seraphin estreitou os olhos, tentando distinguir a figura. Ela esperava ver algo monstruoso, algo além da compreensão, mas o que viu a surpreendeu.
A sombra finalmente se revelou à luz da lua, e o que apareceu diante deles foi um garoto. Ele parecia exausto, com roupas sujas e rasgadas, como se estivesse há muito tempo na floresta. Seu rosto estava parcialmente encoberto por um capuz, mas era possível ver seus olhos, que olhavam ao redor com desespero, e não com malícia.
Tsubaki trocou um olhar rápido com Seraphin, a surpresa clara em seu rosto. Esse garoto não era uma criatura sobrenatural ou algum agente do governo. Ele era apenas... humano.
O garoto, por sua vez, parecia aliviado ao perceber que não estava mais sozinho. Ele deu um passo hesitante para frente, erguendo as mãos em um gesto de rendição.
– Por favor... – sua voz era rouca, como se não tivesse falado há dias. – Eu só quero entender... Eu vi o que aconteceu... Vi vocês... – Ele engoliu em seco, claramente abalado. – Por favor, não fujam de mim.
Tsubaki se levantou lentamente, ainda mantendo Seraphin atrás de si por precaução. Seus olhos estavam fixos no garoto à sua frente, mas ele não parecia ser uma ameaça imediata.
– Quem é você? – Tsubaki perguntou, mantendo a voz baixa, mas firme.
O garoto hesitou por um momento antes de responder, ainda mantendo as mãos erguidas.
– Meu nome é Ethan – disse ele, olhando para ambos com uma expressão de súplica. – Eu... Eu estava nas proximidades da floresta. Tinha ido investigar... sabe, todas aquelas histórias sobre aliens que rodam Ely e Rachel. Eu sempre fui cético, mas... então eu vi vocês. Eu vi o que aconteceu... a luz... – Ele parecia estar lutando para encontrar as palavras. – E então comecei a seguir vocês. Preciso saber o que está acontecendo.
Seraphin saiu de trás de Tsubaki, sua mente ainda processando tudo o que Ethan estava dizendo. Ele parecia genuinamente assustado, mas curioso. Ela podia ver a confusão em seus olhos, um reflexo do que ela mesma sentia desde que havia despertado naquele mundo, sem memória de quem era.
– Você nos seguiu... desde a aquele dia na floresta?– perguntou ela, tentando entender a situação.
Ethan assentiu rapidamente.
– Sim... Eu vi vocês saindo de lá. Não sei o que era aquela luz, mas parecia... parecia que você não era real. Eu sei que isso soa louco, mas... desde aquele momento, eu sabia que precisava encontrar respostas. Por favor, eu só quero entender. Eu não sou uma ameaça, só um cara comum tentando juntar as peças.
Tsubaki e Seraphin trocaram um olhar. Era evidente que Ethan não sabia muito mais do que eles. Ele não parecia ser um inimigo, mas alguém perdido no mesmo mistério em que eles estavam enredados. E, de certa forma, isso tornava tudo ainda mais complicado.
Seraphin deu um passo à frente, a confusão e o cansaço ainda presentes em seus olhos.
– Eu gostaria de poder te dar respostas, Ethan – ela disse suavemente. – Mas a verdade é que... nem eu sei quem sou de verdade. Não sei o que aconteceu naquele dia, ou o que essa luz significava. Estamos tentando descobrir tudo isso também.
Ethan parecia surpreso com a confissão dela, mas também aliviado. Ele não estava sozinho em sua busca por respostas.
– Então... vocês também estão procurando pela verdade – disse ele, sua voz suavizando. – Talvez... talvez possamos nos ajudar. Eu conheço alguns lugares ao redor da Área 51 que podem ter pistas. Coisas que encontrei antes de ver vocês. Se me deixarem ir com vocês, prometo que não serei um fardo.
Tsubaki olhou para Seraphin, claramente cético, mas sabia que não poderiam simplesmente afastar alguém que também estava em busca da verdade. Seraphin, por sua vez, sentiu que talvez esse encontro não fosse coincidência. Ethan havia cruzado o caminho deles por algum motivo, e talvez ele pudesse realmente ajudar a desvendar o mistério.
– Tudo bem – ela disse finalmente. – Vamos tentar juntos.
E com isso, um novo aliado se juntou à busca deles, enquanto a noite envolvia a floresta em uma escuridão cada vez mais densa.
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Atualizado até capítulo 25
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