Recupero o fôlego, embora minha mente ainda esteja envolta em uma névoa confusa. Sinto-me estranhamente segura quando o calor de Tsubaki me envolve em um abraço reconfortante. Apoio minha cabeça em seu ombro, e por um breve momento, o mundo parece parar, permitindo que uma calma imensa me invada. No entanto, essa serenidade é bruscamente interrompida por uma visão súbita. Uma dor aguda percorre minha cabeça, e tudo ao meu redor se torna escuridão. Em meio à confusão, consigo distinguir uma cena: uma grandiosa festa, lustres luxuosos pendendo do teto, mesas abarrotadas de comida e um carpete vermelho e fino que se estendia desde a porta de um majestoso salão até um altar imponente. Volto à consciência com a respiração acelerada, ainda envolta nos braços de Tsubaki. Embora a visão tenha durado apenas alguns segundos, pareceu se estender por minutos na minha mente.
— Você já está se sentindo melhor? — ele pergunta suavemente, afastando-se o suficiente para desfazer o abraço, mas mantendo o olhar atento em mim.
— Sim... Acho que sim. Podemos finalmente ver o que todas essas coisas significam — murmuro, enquanto me sento na cama e pego uma fotografia que havia caído da mochila. Ao observar a imagem, sinto um frio na espinha. Sou eu, ali, ao lado de um homem de cabelos ruivos, com uma tonalidade avermelhada que se assemelha à cor dos meus. Sua pele negra brilha como se refletisse a luz do sol, e ambos estamos sorrindo dentro daquele mesmo salão que vi na minha visão.
— Tsubaki, eu tive uma visão enquanto você me abraçava — confesso, minha voz trêmula de excitação e medo. — Vi um grande salão de festa, um banquete, lustres luxuosos e um tapete vermelho fino... Parecia um castelo, ou algum lugar de realeza.
Ele observa a foto em minhas mãos, as sobrancelhas franzidas em uma expressão de ceticismo misturado com curiosidade.
— Se essa foto não existisse, eu provavelmente diria que você anda assistindo muitos filmes de fantasia — diz ele, com um sorriso de canto. — Mas você pode estar certa... Ou talvez seja apenas o casamento dos seus pais.
De repente, algo no canto da cama chama sua atenção. Ele se inclina e pega um caderno velho, com as páginas amareladas pelo tempo. Quando o abre, ambos nos deparamos com escrituras em uma língua que me parece totalmente desconhecida.
— Nossa, que língua é essa? — pergunto, confusa, enquanto ele folheia o caderno.
— Eu me lembro de ter inventado um código parecido com esse quando eu era criança, algo que só eu saberia ler — ele responde, enquanto seus olhos percorrem as páginas amareladas com uma expressão pensativa.
— Acho que isso não vai ser útil agora — diz Seraphin, guardando o caderno na mochila e me voltando para os papéis amarelados que também haviam caído da bolsa. — O que você acha que são esses números aleatórios? — entrego os papéis a ele, ansiosa para entender o significado.
Tsubaki analisa os números com cuidado, seus olhos brilhando com um súbito reconhecimento.
— Não são apenas números aleatórios — ele diz, com a voz séria. — São coordenadas geográficas.
— Coordenadas geográficas? O que exatamente são? — inclino-me, intrigada, pronta para absorver cada palavra.
— Coordenadas geográficas são usadas para localizar um ponto na superfície da Terra — ele explica, pacientemente. — Geralmente são expressas em latitude e longitude.
Meu coração dispara com essa revelação. — Isso significa que esses números apontam para um lugar específico? Você pode verificar no seu telefone se essas coordenadas correspondem a algum endereço? — minha voz é carregada de emoção, e sinto uma crescente necessidade de desvendar esse mistério.
— Precisamos ir lá fora — ele diz, levantando-se com determinação. — O sinal aqui dentro não é muito bom, mas conheço um lugar na floresta onde a recepção é melhor. Pode ser que consigamos usar a internet de lá.
Ele pega uma lanterna e, com um brilho nos olhos, me convida a segui-lo. Sinto uma mistura de excitação e medo enquanto nos preparamos para sair, vestindo agasalhos e, no meu caso, uma calça moletom para conter o frio. Caminhamos pela floresta, a luz da lanterna revelando apenas o início da escuridão que se estende à nossa frente. O som dos animais ao nosso redor cria um ambiente inquietante, mas a adrenalina que corre por minhas veias mantém meu medo sob controle.
Seraphin, por outro lado, parece tranquila, ignorando as picadas constantes dos insetos e a possibilidade de encontrarmos criaturas maiores do que nós.
Finalmente, chegamos ao local que Tsubaki mencionara. É um ponto elevado, de onde ele pode, com esforço, conseguir sinal suficiente para verificar as coordenadas no telefone. Minha mente fervilha com a possibilidade do que poderemos descobrir.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Juan Pablo Escamilla
Fiquei sem fôlego! 💨
2024-08-15
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