Velho Jinkles.

Apesar dos verões escaldantes, as noites em Ely, Nevada, traziam um frio que penetrava até os ossos, especialmente nas profundezas das florestas. Não diria que estávamos em perigo iminente por estarmos aqui à noite, mas a sensação de segurança estava longe de ser garantida. A qualquer momento, poderíamos nos deparar com um alce ou, pior, um urso-negro. Embora estes últimos sejam considerados menos agressivos, ainda são criaturas selvagens e imprevisíveis. Em uma situação de perigo, não sei se teria coragem de enfrentá-los com meu canivete; provavelmente, isso só pioraria as coisas.

Meus devaneios foram interrompidos pelo brilho repentino do meu celular. Finalmente, consegui sinal suficiente para verificar aquelas coordenadas misteriosas. Enviei um SMS para um número específico, criado apenas para isso, então mandei os números que estavam no papel. Aguardava uma resposta, sentindo uma mistura de alívio e ansiedade. Apesar do medo de estar na floresta à noite, me esforçava para não demonstrar. Por outro lado, Seraphin mantinha uma calma quase sobrenatural, como se conhecesse cada centímetro e criatura dessa floresta. Encostada em uma árvore, ela olhava para a escuridão ao redor com uma tranquilidade que me deixava inquieto. Nem mesmo o perigo de uma cascavel estar enroscada naquela árvore parecia preocupá-la.

— Está tudo bem? — perguntei, aproximando-me novamente dele - Você está muito pensativo. Está com medo de alguma coisa?

— Ah… Na verdade, só estava observando a sua calma. Você faz parecer fácil ficar na floresta à noite. Não tem medo dos animais selvagens?

— Não sei… Acho que não me preocupo muito com essas coisas. Prefiro pensar que nenhum deles está por perto.

Antes que eu pudesse responder, meu telefone vibrou em minha mão. Finalmente, recebi uma resposta, mas algo me fez sentir um arrepio na espinha, como se eu estivesse prestes a cometer um erro. Antes que pudesse ler a mensagem por completo, meu celular desligou abruptamente. Olhei para Seraphin, frustrado, mas não houve tempo para falarmos nada. Um som profundo e perturbador ecoou entre as árvores. Passos pesados vinham em nossa direção. Instintivamente, nos viramos para o lado oposto ao barulho e começamos a recuar, devagar, com os olhos fixos na escuridão. Olhei para Seraphin, desesperado, querendo que ela corresse o mais rápido possível. Mas, antes que pudéssemos reagir, um homem emergiu das sombras. Para meu alívio, era o senhor Jinkles, um velho caçador cego de um olho, com cerca de 1,83 m de altura e coberto de tatuagens. Minha mãe sempre dizia que ele foi um ícone nos anos 80, mas agora, nos anos 2000, ele era apenas um homem de 65 anos que gostava de caçar. Respirei aliviado e coloquei a mão no ombro de Seraphin, sinalizando que estava tudo bem, que não havia motivo para pânico.

Depois de uma breve conversa, o velho Jinkles se ofereceu para nos levar de volta para casa. Ele nos alertou sobre os perigos de perambular pela floresta à noite. Embora ainda estivesse assustado, agradeci ao caçador por sua gentileza. A caminhada de volta foi estranha; minha lanterna começou a falhar até que se apagou por completo. Caminhávamos na mais absoluta escuridão, guiados apenas pelo homem cego de um olho e sua espingarda tão antiga quanto ele. Esbarramos em várias árvores no caminho, mas finalmente chegamos em casa, quase ilesos. Seraphin começou a sentir fortes dores no abdômen e vomitou. Tivemos que parar por alguns minutos até que ela se recompusesse. O corte em sua barriga, apesar de bem tratado, ainda causava muito desconforto. Assim que chegamos, certifiquei-me de que ela tomasse o remédio necessário, preocupado com sua condição no momento.

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