Seraphin sentiu a mudança antes mesmo de vê-la, estava no vazio novamente. Do meio das sombras, uma figura começou a se formar: uma mulher alta, envolta em um manto branco. Sua presença era etérea, como se estivesse flutuando entre dois mundos. Seus olhos brilhavam com uma luz dourada, e havia um ar de reverência em torno dela, como se fosse uma sacerdotisa de tempos antigos.
— Seraphin — a voz da mulher ecoou no vazio, soando como um eco distante e ao mesmo tempo próximo. — O colar que você encontrou sempre foi seu. Desde o momento em que você nasceu, este artefato te pertence.
Seraphin olhou para a figura, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. A sacerdotisa se aproximou lentamente, estendendo sua mão pálida. Quando seus dedos tocaram a testa de Seraphin, uma onda de energia a percorreu, e o vazio ao redor delas mudou.
De repente, Seraphin se viu em uma cena de seu passado. Ela era apenas um bebê, deitada em um berço dourado. Dois rostos indistintos pairavam acima dela: seus pais, envoltos em um brilho suave, estavam colocando o mesmo colar em seu pescoço. A cena era serena, mas cheia de um significado profundo que ela não conseguia entender completamente. O colar brilhava com uma luz forte, protegendo-a, mesmo naquela época.
A visão desapareceu tão rapidamente quanto havia chegado, e Seraphin se viu novamente diante da sacerdotisa no vazio.
— Há segredos que precisam ser desvendados por você mesma, Seraphin — a sacerdotisa disse, sua voz agora mais grave. — Ninguém pode devolver suas memórias, nem guiá-la de volta ao que você era. Isso está proibido para todos nós. Somente você pode se redescobrir, quando estiver pronta. Até lá, o passado deve permanecer nas sombras.
A sacerdotisa recuou, e Seraphin sentiu a escuridão ao redor dela começar a se desfazer, como se estivesse sendo puxada de volta ao mundo real. Mas antes que tudo desaparecesse, a sacerdotisa sussurrou um enigma:
— "A luz que queima é a mesma que revela. Quando a chama se acender, as sombras não terão onde se esconder."
Seraphin tentou responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu o vazio escorregar por entre seus dedos, e então tudo se apagou.
Quando ela abriu os olhos novamente, estava deitada no chão da floresta, o cheiro de terra úmida preenchendo suas narinas. O colar ao redor de seu pescoço brilhava com uma intensidade quase insuportável. A pedra púrpura emitia uma luz tão forte que parecia iluminar todo o local, e o calor era palpável.
Tsubaki e Ethan a encontraram assim, caída no chão, o colar irradiando uma energia assustadora. Eles correram até ela, mas hesitaram em tocá-la. A luz era ofuscante, e o calor do colar estava tão intenso que o metal estava aquecendo a pele de Seraphin. No centro de seu peito, uma marca de queimadura se formava, o colar imprimindo seu símbolo no corpo dela.
— Seraphin! — gritou Tsubaki, tentando encontrar uma maneira de ajudá-la sem se queimar também.
Ethan observava em choque, sem saber o que fazer. Mas ambos sabiam que algo profundo e poderoso havia sido despertado, algo que mudaria tudo o que eles sabiam até agora.
A luz do colar começou a enfraquecer, mas a marca que ele deixou no corpo de Seraphin permanecia. Era um lembrete ardente de que ela havia tocado algo antigo e perigoso — algo que, de alguma forma, sempre lhe pertenceu.
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Atualizado até capítulo 25
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