Finalmente, a manhã havia chegado. Mas, ao contrário do alívio que o amanhecer costumava trazer, tudo o que sentia era uma inquietação crescente. Eu não conseguia dormir direito, o sono se tornara um mero intervalo entre os pensamentos que pulavam na minha mente. Permaneci acordado, esperando impacientemente meu celular carregar. Precisava descobrir para onde aquelas coordenadas apontavam, mas a ansiedade já me dizia que não seria algo simples.
Quando finalmente vi a localização, tudo dentro de mim congelou. As coordenadas indicavam diretamente para a Área 51.
O choque foi instantâneo. Minha mente disparou em inúmeras direções, tecendo teorias e possibilidades absurdas. Pensei em acordar Seraphin para contar, mas hesitei. Na minha cabeça, já estava me vendo ao lado dos meus amigos nerds, desvendando os segredos de Rachel, Nevada. A proximidade da Área 51 sempre havia alimentado nossas conversas sobre o sobrenatural, mas agora, as coisas pareciam estar indo longe demais.
Me inclinei ligeiramente para ver Seraphin dormindo, sua figura delicada repousando na beirada da cama, respirando calma e profundamente. O contraste entre sua paz e o turbilhão na minha mente era desconcertante. Rolei para o lado, encostando-me à parede, tentando, em vão, afastar o caos mental. Fechei os olhos com força, como se pudesse forçar o sono a chegar. Mas ele não vinha.
Quando a luz da manhã finalmente invadiu o quarto, era como se estivesse sendo sufocado por uma presença incômoda. A claridade se infiltrava pelas cortinas e queimava meus olhos. Cobri o rosto com o lençol, tentando me esconder do novo dia, mas o desconforto persistia. Ouvi o som de água vindo do banheiro – Seraphin já estava acordada, escovando os dentes. Revirei-me na cama, enterrando o rosto no travesseiro, buscando um refúgio no sono que teimava em fugir.
– Baki? – A voz de Seraphin quebrou o silêncio, enquanto ela me balançava levemente para que eu acordasse.
– Ahmmm... me deixa dormir... – murmurei, ainda preso na névoa do sono.
– Baki, eu vou estar na cozinha. Bons sonhos. – Com um toque suave nas minhas costas, ela saiu, deixando o quarto em um silêncio pesado.
Fui para a cozinha, onde encontrei Ayumi, a mãe de Tsubaki, sentada à mesa. Ela está acompanhada de outras duas mulheres, todas envolvidas em uma conversa tranquila. Elas me chamaram para me juntar a elas, e logo me ofereceram bolo e café. A atmosfera era calma, mas havia uma tensão no ar que eu não conseguia ignorar. E logo, o assunto se voltou para mim.
– Então, Seraphin, de onde são seus pais? – A pergunta de Ayumi veio com um olhar penetrante, como se ela soubesse que eu saberia responder.
Mantenho o olhar firme, tentando parecer o mais tranquila possível. – Prefiro não falar sobre eles, se não se importa. Não tenho muito a dizer sobre eles. – Respondo, tomando um gole do café, sem deixar transparecer o nervosismo.
– Entendo. Como você conheceu meu filho mesmo? – Ela continuava, a desconfiança em seu tom ficando mais evidente.
– Nos conhecemos na escola. E peço desculpas por ter aparecido sem avisar. Perdi meu telefone há alguns dias e não consegui contatar ninguém. – Tento parecer casual, continuando a comer como se nada estivesse fora do comum.
– E como está sendo conviver com o Baki? Imagino que não o conhecesse ele bem antes de aceitar namorar com ele. Porque, se eu fosse você... – Antes que pudesse terminar sua frase, o corpo de Seraphin se contorceu violentamente, caindo no chão em meio a uma convulsão.
– Meu Deus! – Ayumi gritou, correndo para segurar Seraphin. – Rápido, tragam um pano e um travesseiro!
Sem pensar, me ajoelhei ao lado dela, colocando um travesseiro sob sua cabeça e a virando de lado. As outras duas mulheres a seguraram com firmeza, tentando impedir que ela se machucasse. Os segundos pareciam se esticar em uma eternidade. Quando finalmente a convulsão cessou, ajeitamos Seraphin no sofá, ainda ofegante. Eu a observei de perto, oferecendo um copo d'água enquanto tentava acalmá-la.
– Você está bem? – perguntei, tentando esconder a preocupação na minha voz.
Seraphin piscou, desorientada. – Eu dormi? – Sua voz estava fraca, confusa.
– Não... você teve uma convulsão. – Minha voz era calma, mas meu coração martelava no peito.
– Achei que tivesse apenas... visto algo. Vi as estrelas, os planetas... – Sua voz sumiu, enquanto ela tentava entender o que tinha acontecido.
– Não se preocupe agora. Está tudo bem. – Passei a mão suavemente pelo seu cabelo, tentando transmitir conforto.
- Eu... - Meus olhos estão fechando e minhas palavras pesadas
Foi nesse momento que notei a presença de Tsubaki ao longe. Ele vinha correndo do quarto, mas suas palavras não chegavam até mim. Tudo ao meu redor parecia ficar mais distante, os sons abafados e as imagens turvas. Eu sentia meu corpo ficar cada vez mais pesado, enquanto a escuridão começava a me envolver.
Quando abri os olhos novamente, o mundo ao meu redor havia mudado completamente. Estava em um vazio absoluto, um espaço vasto e escuro, embora uma luz estranha parecesse iluminar tudo. Comecei a andar, meus passos ecoando no silêncio. Havia algo familiar naquele lugar, mas eu não conseguia identificar o que era. Continuei andando até avistar uma fogueira no horizonte. Uma figura estava sentada ao lado do fogo, e, conforme me aproximei, a figura se virou.
Ela sussurrou meu nome. E então, sem dizer mais nada, ela me abraçou. Foi nesse instante que todas as lembranças inundaram minha mente. Eu sabia quem ela era.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Princesa Khun Ria
Não consigo esperar mais, escreve algo rápido!! 😤
2024-08-18
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