Capítulo. 11

“Não, mamãe. Não há nada errado. Eu só queria ligar para avisar que estou indo para uma missão especial por cerca de seis meses. Não vou conseguir entrar em contato com você e eu só queria-”

“Aonde você vai?” Lourdes perguntou, com os olhos brilhando.

“Ei, mana, tudo bem?” Mariano se inclinou para aparecer.

“Tudo o que me é permitido dizer é que estou em uma missão especial autorizada pelo Presidente Cabot”, respondeu Maria com sinceridade.

“Eu não gosto disso”, Lourdes decidiu. “Diga a ele que não.”

“Não posso, mamãe, eu já disse sim. Estou me preparando para ir embora agora,” Maria respondeu, sua mão deslizando nervosamente para cima e para baixo em seu braço.

“Não, não. Diga não a ele. Eu já perdi seu pai para os Scrags. Não vá se matar também!” Lourdes lamentou, batendo o punho no braço da poltrona reclinável. “Você quase morreu naquela última batalha!”

“Mamãe, eu não posso. Eu fiz um voto,” Maria respondeu calmamente, sua voz áspera de emoção.

“Acalme-se, mamãe, e ouça-a”, Mariano pediu.

“Estou ouvindo e não gosto disso!” Lourdes gritou. “Você nunca vem me ver! Eu mal te vejo, e então você liga para me dizer que vai fazer uma besteira e ser morta!”

“Mamãe,” Maria exclamou, levantando-se bruscamente. “Eu só queria te dizer o quanto eu—”

“Se você for, não quero mais ouvir falar de você! Eu já perdi seu pai! Isso não é o bastante?” Lourdes pulou da cadeira e saiu furiosa de vista.

Mariano rapidamente entrou em cena. “Ela não quis dizer isso, Maria. Ela só está chateada. Ela nunca quis que você fosse para o serviço”, ele disse, tentando consolá-la. “E quando você foi ferida...”

Apesar de seus melhores esforços para controlar suas emoções, lágrimas escorriam pelas bochechas de Maria. “Eu sei, eu sei. Mas eu preciso fazer isso. Não só por mim, mas por você, por ela, por todos.”

Mariano assentiu, seus olhos escuros estudando-a. “Só fique segura. Volte para casa em segurança. Ela vai te perdoar então.”

“Não fique bravo comigo.”

“Não estou. Estou orgulhoso de você. E com medo por você,” Mariano admitiu. “Tenha cuidado, ok?”

“Diga a ela que eu a amo, por favor,” Maria pediu. “E eu voltarei.”

Mariano abriu seu lindo sorriso. “Eu sei que você vai. Você é uma durona. Te amo, mana.”

“Te amo”, respondeu Maria pouco antes da tela ficar preta.

“Isso poderia ter sido melhor,” a voz de Dwayne disse, assustando-a. Ele estava parado logo depois da porta estreita em seu uniforme azul-escuro, sua expressão era de preocupação.

“Não sei por que espero que tudo corra bem quando falo com ela.” Maria arrancou seu bloco de notas da tela de vídeo e o colocou com raiva em sua bolsa de pertences pessoais.

“Mães têm um jeito de deixar seus filhos loucos. Eu vejo isso com Barbara o tempo todo. Caramba, minha mãe fez isso comigo também.” Dwayne estendeu a mão e tocou sua bochecha levemente. “Mas ela te ama. Ela não ficaria tão chateada de outra forma.”

“Eu sei disso, mas isso não me faz sentir menos merda.” Maria enxugou o rosto com irritação. “Eu só queria que essa conversa corresse bem e não terminasse com ela gritando comigo.”

Envolvendo-a em seus braços, Dwayne abraçou Maria e a beijou na testa.

“E eu odeio chorar! E ela sempre me faz chorar e me sentir como uma criança idiota. Eu não sou uma criança idiota, Dwayne. Eu sou um babaca. Eu sou um herói de guerra condecorado. Eu apertei a mão do presidente! Mas isso é bom o suficiente para ela?”

Dwayne ouviu em silêncio enquanto ela se enfurecia.

Maria cerrou as mãos ao lado do corpo, afastando-se dele. “Ela sempre vai me culpar por me alistar. Caramba, ela até me culpa por ter me ferido. A última vez que discutimos, ela alegou que eu tinha matado seus futuros netos porque escolhi me tornar um soldado. Pelo menos ela não jogou isso na minha cara dessa vez.”

Dwayne suspirou enquanto se sentava na beirada da cama. Seus olhos azuis a encaravam com tanta ternura que Maria sentiu sua raiva começar a diminuir. Não era culpa dele que ela tivesse falhado em todas as expectativas de sua mãe sobre ela. Ela havia traído sua mãe ao seguir os passos de seu pai, e por isso sua mãe nunca a perdoaria. Esfregando a mão sobre o estômago, ela podia sentir as cicatrizes feias sob sua blusa.

“Não sei o que dizer além de que acredito em você e no que você escolheu fazer. Estou com medo também. É mais provável que seja por isso que ela está atacando você. Não estou dizendo que ela está certa em fazer isso, mas entendo o quão assustada ela deve estar de que vai te perder.” Dwayne tocou a mão dela levemente. “Estou com medo de te perder.”

“Você não vai. Eu prometo. Isso vai funcionar. Nós vamos matar os Scrags e ficar livres deles. Então você e eu iremos morar naquela casa perto do lago.” Maria se jogou na cama ao lado dele, cobrindo o rosto com as mãos. “Eu só queria ter um bom momento com ela antes de ir para lá. Eu queria dizer a ela que a amo.”

Esfregando levemente suas costas, Dwayne disse: "Pelo menos ela sabe que você estava pensando nela antes da implantação."

“Verdade. Eu quase não liguei para ela. Pensei em apenas mandar uma mensagem. Mas ela teria me matado por isso.” Maria passou as mãos pelos cabelos e virou o olhar para ele. “Você conseguiu resolver sua tarefa?”

“Sim, eu fiz,” Dwayne respondeu, sorrindo levemente. Ele tirou uma pequena caixa preta do bolso. “Eu não vou mentir. Eu não gosto da ideia de não ter nenhuma comunicação com você enquanto você está lá fora. Eu odeio que eles estejam desabilitando esse aspecto da sua pulseira.”

Suspirando, Maria assentiu. “Eu também não gosto. Vai ser a parte mais difícil da missão.”

“Bem, eu fui ver alguém que me deu uma solução.” Dwayne estendeu a caixa. “É para sua pulseira. Mas estou deixando isso com você. Tudo o que você precisa fazer é conectá-la a este dispositivo e ele baixará um programa que criará um backdoor para nos comunicarmos.”

Maria pegou a caixinha, abriu-a e olhou para o pequeno dispositivo. “Se eu fosse pega...”

“Exatamente. É por isso que eu disse que a escolha é sua. Vou baixar o mesmo programa, é claro.”

“Vamos quebrar nossas pulseiras na prisão”, disse Maria com uma voz solene.

"O que é contra a lei", acrescentou Dwayne, seus penetrantes olhos azuis fitando os escuros dela.

Maria correu o dedo levemente sobre o fino bastão prateado pensativamente. Passando a mão sobre sua pulseira, ela ativou a tela e lentamente digitou sua senha. Ela podia sentir Dwayne observando-a, esperando. Tirando o dispositivo da caixa, ela inclinou a cabeça para olhar para o homem que amava.

“Estou disposta a arriscar se você estiver”, ela disse finalmente.

O canto da boca de Dwayne se curvou para cima enquanto ele assentia. “Estou absolutamente pronto para arriscar.”

Levou apenas alguns minutos para instalar o programa e Maria ficou aliviada quando ele desapareceu nas profundezas do sistema operacional da pulseira. Juntas, elas experimentaram puxar o programa oculto e fazer um teste. Ambas ficaram satisfeitas quando não houve problemas.

“Ela é a melhor”, Dwayne decidiu com um sorriso.

“E como você conhece esse hacker?” Maria se perguntou.

Sorrindo, Dwayne destruiu o dispositivo, triturando-o sob sua bota. “Estou por aí há muito tempo. Você conhece pessoas ao longo do caminho e descobre seus talentos especiais.”

“Ela é uma de nós?”, disse Maria.

“Talvez. Isso importa?”

“Não, não.” Maria sorriu enquanto passava os dedos pela fina pulseira. “Quem quer que ela seja, ela apenas fez esse trabalho não parecer tão ruim.”

“A nova casa no lago não foi suficiente para tornar isso suportável?”

Com um encolher de ombros, Maria deitou-se na cama. “Foi o suficiente para me manter motivada, mas isso realmente me deixa feliz.”

Dwayne se acomodou ao lado dela, seus braços ao redor de sua cintura e seu rosto enfiado na curva de seu pescoço. "Vou sentir sua falta."

“Vou sentir sua falta.” Maria notou a hora e seu estômago se revirou de nervosismo. Rolando para o lado, ela descansou a palma da mão gentilmente contra a bochecha de Dwayne. “Tenho que ir em duas horas e a parte mais difícil de tudo isso é deixar você.”

Dwayne acariciou o cabelo dela enquanto beijava seus lábios suavemente. “Duas horas, hein? Vamos fazer valer a pena.”

Rindo, Maria deixou de lado seus medos, suas dúvidas e sua tristeza enquanto se perdia fazendo amor com o único homem que já amou.

A cena dolorosa diante dele lembrou Dwayne da noite em que ele fez as malas e saiu de sua antiga casa. Ela continha uma finalidade que o incomodava.

Maria se moveu lentamente pelo apartamento, verificando cada armário, o closet, debaixo da cama, cada local onde ela poderia ter deixado um de seus pequenos pertences. A tensão que se instalou entre suas sobrancelhas fez sua testa ficar tensa. Vestida com seu uniforme de gala cor de carvão, seu cabelo trançado nas costas, ela parecia adorável, mas severa.

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