capitulo 7

Odin Marion

Saio do chalé deixando amarrada a ratinha de olhos grandes que arrancou de mim uma informação que nem dez homens armados conseguiriam tirar, Mirella é uma garota intrigante, de um jeito perigo e inocente que eu adoraria corromper.

Entro no carro em direção a cidade, são quase trinta minutos de distância do chalé até a igreja, um caminho feito em silêncio enquanto repasso em minha cabeça tudo que aprendi para me virar quando chegar na paróquia , sou um homem que absorve rápido todos os tipos de conteúdo, o que será de grande ajuda já que preciso ter uma cabeça boa se quiser continuar assumindo a identidade de Edgar.

— Padre.

Ouço uma voz feminina me chamar assim que desço do carro.

— Não sabia que havia voltado.

Uma mulher jovem de cabelos claros me olha com um sorriso nos lábios.

— Sua benção.

— Deus lhe abençoe minha filha.

Respondo rapidamente desviando o olhar do belo decote que ela deixa à mostra.

— Vim a igreja à procura de minha filha, Mirella? O senhor a viu?

Sorrio de forma cordial, então a boazuda é mãe da pirralha.

— Hoje começa a preparação para que ela se junte ao convento, será o senhor a acompanhar os votos de pobreza, e castidade?

Castidade, sabia que a ratinha era pura, brava daquele jeito e com um soco tão forte de direita assustaria os pretendentes mesmo que não se tornasse freira.

— Sim sou eu, mas não a vi, seu marido foi até minha casa procurar por ela ontem e disse a ele que não estava lá.

O sorriso em seu rosto desaparece.

— Lúcio?

— Tem outro marido?

Respondo seco mais disfarço quando me olha.

— Desculpe, estou com pressa.

Entro na igreja e vou direto para sacristia, talvez nela encontre algo a respeito do que meu irmão estava trabalhando, investigar a morte de Edgar não é o foco mais se estou aqui porque não dar fim aos desgraçados que o mataram, vasculho todo lugar sem encontrar absolutamente nada, já estou arrumando a bagunça quando abro a gaveta de um velho armário e dele cai uma pasta, o objeto de couro tem alguns papéis e fotos anexadas, a primeira? Mirella ainda criança em poses sensuais vestindo apenas calcinha enquanto segura um ursinho de pelúcia.

— Porra.

O som sai da minha boca enquanto me sento a mesa, continuo o folhear os papéis e me chama atenção um pequeno pen driver, tem as iniciais E e M o que acredito serem de Edgar Morin, o ponho em meu bolso enquanto coloco na maleta com os objetos sacros a pasta com as fotos.

— Padre.

Uma velha conhecida para diante da porta, Berta era a freira designada a cuidar de meu irmão e eu quando chegamos ao orfanato, enfeitou a metade dos pesadelos que tive na vida.

— Os fiéis estão à sua espera.

Parece confusa, olha o lugar em que estou como se soubesse que eu procurava por algo.

— Precisa de ajuda, padre?

— Não filha, não preciso de nada.

Ela sai um segundo depois, sem dúvidas a minha visita ao porco padrasto de Mirella terá que esperar, essa conta é antiga e como eu já disse sou um homem obcecado por minhas dívidas, saio da sacristia indo até o altar, a igreja está lotada um fila de meninas estão sentadas no primeiro banco próximo a porta, vestidas de branco e de cabeça baixa esperam para realizar os votos que a mãe de Mirella falava, cumprimento os fieis de um jeito simples, sem usar muitas palavras, de certo me atrapalharia falar demais, estou finalizando o sermão improvisado quando uma fila com as moças se forma em um das laterais do altar, Irmã Berta como chamam a maldita que espancava crianças se põe ao meu lado.

— Chame as futuras noviças padre.

Me olha com estranheza e sem dizer qualquer palavra o faço, uma a uma repetindo o mesmo juramento, votos castos de obediência, pobreza e castidade.

— Sua bênção padre.

Dizem assim que o fazem, faltam apenas duas quando pela porta entra Mirella, vestida em um delicado vestido branco e de cabelos presos.

— Só pode estar de palhaçada.

Sussurro e todos me encaram

—O que disse?

A freira pergunta.

— Que Deus ama todos os reunidos em sua casa.

Ela sorri, Mirella se ajoelha rapidamente, faz os votos e logo depois caminha até mim.

— Como diabos você fugiu pirralha?

Resmungou baixinho e ela sorri.

— Fui escoteira, entendo mais de nós que você de sermões "padre".

— Deus lhe abençoe.

Digo alto tentando disfarçar e ela se afasta, o que essa garota pretende? porque não me entregou gritando aos quatro ventos o que sabe? A missa termina e meus olhos varrem o lugar em busca da fedelha.

— Boa noite padre.

A mulher que conheci mais cedo se aproxima de mãos dadas a Mirella.

— Me disseram que será o senhor à frente do noviciado de Mirella.

— Eu?

Ela me encara, a peste ri, nem de longe é o anjo que eu pensava.

— Sim, Irmã Beth acaba de confirmar.

— Isso padre, a irmã Bete, sabe quem é não sabe?

Debocha Mirella.

— Que pergunta minha filha, é claro que ele sabe.

Mirella ri, essa menina é estranha, sai nos deixando a sós.

— Espero que não tenhamos problemas com o fato de minha filha ter dupla personalidade.

Um estalo, está explicado.

— Claro que não, o convento certamente vai ajudá-la.

A mulher sorri, anda até a porta onde de longe a pequena ratinha me encara.

— Sei seu segredo.

Sussura, posso ler seus lábios, era só o que me faltava, olho para as portas e várias pessoas saem ao mesmo tempo por elas, vou a sacristia buscar minha maleta mais não vou embora, de dentro do carro fico a espreita de Berta que fecha às portas assim que o lugar esvazia, vejo a mesma olhar no relógio, parace apressada, a sigo sem fazer barulho de uma distância segura com os faróis do carro apagados, Berta para em frente a uma casa, o lugar não me é estranho mas não me lembro de quem mora lá, Berta bate na porta, um senhor já idoso abre.

— Dom Francisco.

Digo em sussurro e nesse momento eu só queria sentir algo, um único sentimento que fosse além de asco, ele entrega a Berta uma criança de não mais que treze anos, um menino que de cabeça baixa parece ter chorado.

— Sua benção Dom Francisco.

Ela diz enquanto ele abotoa as calças, esse velho desgraçado não perde por esperar, ligo o carro seguindo Berta e a criança até o orfanato, ela espera que entre fazendo o mesmo em seguida, de forma silenciosa e invisível para que ninguém me veja, ainda me lembro exatamente de cada espaço desse lugar, dos quartos onde dormíamos que mais pareciam salas de tortura e principalmente dos dormitórios onde ficavam as freiras, observo um pouco mais esperando que o demônio de batina se revele e não demora, Berta sai de um dos quartos com uma jarra na mão, paro diante dela.

— Padre?

Ela diz confusa.

— Tente de novo.

Seus olhos se arregalam, tenta correr mais nesse no momento lhe aplico um mata leão e a arrasto para o quarto, com a ajuda de um dos lençóis a amarro na cama, primeiro os pés depois os braços, assim que acorda ela me encara, vejo pânico em seus olhos enquanto seguro nas mãos uma afiada navalha.

– Faça suas orações irmã, tem pouco tempo antes que o diabo venha busca-la.

Berta se debate, a mordaça em sua boca não permite que nenhum som saída dela, me sento sobre seu corpo quero que me olhe nos olhos enquanto faço o trabalho, não costumo deixar rastros mais esse é um trabalho especial e quero que cada um dos envolvidos saibam que acerto de contas está próximo, Berta geme alto enquanto esculpo em sua testa a palavra cega com a lâmina, sempre fechou os olhos para o que acontecia nos quartos e nos pedia para rezar por permitirmos ser tocados, arranco suas pálpebras e ela se urina inteira.

— Vai limpar isso velha? Diga, ou quer que eu seque esse mijo com sua cara?

Repito para ela a mesma frase que falava todas as vezes que Edgar se molhava, quando os estupr0s começaram aconteciam frequentemente já que o pavor por tudo o assombrava, uma poça de sangue se forma embaixo da cabeça de Berta e lágrimas escorrem de seus olhos esbugalhados, os furo uma a um enquanto agarro com força seus cabelos para que não se mova e faço em seguida uma incisão profunda que quase decepa sua cabeça do pescoço, me levanto limpando as mãos em minha roupa, estou lavado em sangue quando termino com ela, encaro o corpo fazendo o sinal da cruz como sempre faço ao fim de uma trabalho e limpo o lugar tirando dele qualquer vestígio de provas de que um dia estive lá, entro no carro rumo ao chalé me certificando de que não serei visto, abro a porta do casebre e assim que adentro a sala encontro Mirella sentada no sofá, o rosto esta machucado a o vestido rasgado, está tão suja de sangue quando eu.

— Ela está morta.

Diz ao me abraçar.

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Comments

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Esse povo dessa cidade parecem todos bandidos

2025-01-27

0

Alessandra Almeida

Alessandra Almeida

Ah Odin, és uma figura mesmo😂😂

2024-11-25

1

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

kkkkkkkkk quem é mais doido dos dois?

2025-01-27

0

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