Ajoelhe-se Quando Eu Mandar
PRÓLOGO
Pelos corredores do orfanato "Santa Catarina de Sena" era possível ouvir os gritos de lamento dos gêmeos Odin e Edgar Morion que acabavam de chegar ao lugar, as crianças que naquela noite perderam os pais em um incêndio no chalé onde moravam não tinham parentes próximos, não tinham também pessoas interessadas em seus cuidados, a verdade é que a descendência Morion era uma maldição que girava em torno de uma história repleta de traições, luxúria e egoísmo e qualquer um com um pingo de sanidade se manteria bem distante dos personagens que faziam parte dela.
Bartolomeu e Ana Catarina Morion eram irmãos paternos, criados até certa idade com laços de união fraterno, em uma mansão no meio do nada viviam sobre os cuidados dos avós que os criavam de forma beata e casta.
Bartolomeu e Catarina eram castigados quase sempre de forma violenta por coisas que qualquer criança da mesma idade faziam, presos em um porão no sótão da casa mal saiam para ver a luz do dia exceto nos domingos de missa na cidade, Anos se passaram e os irmãos se tornaram ainda mais próximos, ligados de uma forma estranha e que cheirava a pecado estavam sempre juntos e isso de um jeito nada bem visto pela sociedade, quando a menina de olhos negros e pele morena apareceu grávida não houveram dúvidas que o bebê que carregava em seu ventre era na verdade fruto de um incesto, Bartolomeu e Catarina foram repudiados por seus atos, expulsos da cidade como criminosos unicamente por terem sucumbido ao amor que os sufocava, sem lugar para se abrigarem e abandonados pela família ambos se embrenham em meio a floresta, eram como fantasmas escondidos dentro dela, na noite em que Catarina deu a luz a criança que esperava descobriu que dois e não um bebê estava em seu ventre, os gêmeos que receberam o nome de Odin e Edgar eram lindos, idênticos, saudáveis, amados e cuidados de forma zelosa por seus seus pais, anos se passaram e a vida em fim parecia ter lhes dado uma trégua, um pequeno chalé de madeira foi construído com as próprias mãos por Bartolomeu que mesmo muito, muito rico não teve acesso a um tostão da herança que eram dele e Catarina por direito, tudo girava em torno de poder, mandava aquele que podia mais, os magnatas daquela cidade haviam lhes dado um golpe logo após a morte de seus avós.
Bartolomeu era um homem inteligente, odiava injustiças e não permitiria ter o futuro dos filhos prejudicado, quando decidiu enfrentar pessoas influentes e poderosas colocou a corda em seu próprio pescoço e no daqueles que amava, haviam recuperado o dinheiro que lhes pertencia mais acostumados a vida simples que levavam nunca abandonaram o maldito casebre na cidade que tanto os odiava.
Aquela era um noite fria, o início de inverno em Siena, Catarina ouviu barulhos vindos do lado de fora do chalé de madeira em que moravam, viver em um bosque no meio do nada era a única forma de não ser apontada e insultada na cidade mais isso deixava a família a mercer de vandalismos e pequenos roubos que aconteciam na propriedade, os animais adquiridos após a herança ser recuperada eram quase sempre saqueados, Bartolomeu se levantou da cama, a pedido da esposa iria vasculhar a casa, se muniu da espingarda cartucheira que enfeitava a parede da casa quando foi atingido pelo primeiro disparo vindo de fora, a bala que lhe traçou o peito varando do outro lado o derrubou sobre uma poça de sangue quente, Catarina gritava alto, acordou assim os filhos de apenas oito anos que dormiam no quarto, nem mesmo tiveram a chance de chorar sobre o corpo ferido do pai que agonizava quando as chamas de um incêndio que iniciou-se de fora para dentro tomou conta de toda a casa, Catarina enrolou os filhos em um cobertor, os tirou do chalé ardente vendo do lado de fora o lugar onde vivia ser consumido pelo fogo.
— Fiquem aqui, vou tirar o pai de vocês de lá.
Catarina amava Bartolomeu com a vida seria incapaz de vê-lo se transformar em cinzas dentro daquela casa, invadiu as chamas tentando arrastar o corpo do marido para fora quando a primeira viga de madeira caiu sobre a porta, a fumaça tomava conta de tudo, correu para janela quando viu que estava presa e morreria ao lado do homem que amava, ver seus filhos mas uma vez era o que ela desejava, a última cena dos pais que os irmãos se lembravam era vê-los queimar juntos com o lar que tanto amavam, Odin e Edgar sentaram-se em uma pedra até as chamas consumirem toda a casa, foram encontrados três dias depois, já famintos, desidratados por um caçador que perseguiu um cervo até a propriedade, Edgar foi quem contou ao homem o que havia acontecido já que Odin simplesmente não falava, os corpos dos pais dos dois meninos jamais foram encontrados, viraram pó como o amor que carregavam, levados para um orfanato ambos os meninos não sabiam que na verdade o lugar conhecido como santo regido por freiras e padres era o inferno, onde torturas e castigos eram duramente ministrados.
As noites que se seguiram no orfanato foram difíceis para os irmãos Morion, Edgar chorava em prantos dias e noites sem parar, era o mais sensível dos irmãos e apegado a mãe,Odin não derramou uma só lágrima, nem mesmo quando as chamas do incêndio ainda queimavam, olhava em silêncio o tempo inteiro pela janela, era como se esperasse ver no jardim repleto de flores a figura dos pais chegando para buscá-los, o trauma sofrido pelos irmãos havia sido tão grande que nem mesmo entre si eles conversavam.
— Engula o choro.
Umas das freiras gritou da porta, segurava nas mãos um cipo de marmelo, tanto as pernas quanto as costas dos gêmeos já estavam completamente marcadas, em chagas profundas que deixariam marcas eternas.
— Ajoelhem-se para rezar, Cinquenta ave Marias, cem pai nossos.
Apontou o canto da parede onde um punhado de caroços de milho havia sido colocado, Odin se pôs sobre eles em silêncio até mesmo isso era um motivo para apanhar, surras durante a noite e madrugada inteira somente pelo fato de ser quem eram, os frutos de um pecado abominável, repudiado pela igreja, os anos se passaram e os irmãos cresciam como ódio que era alimentado pelas pessoas naquele lugar.
Com pouco mais de quinze anos de idade as coisas começaram a mudar, os jovens lindos de olhos claros tinham mais valor inteiros que quebrados, Edgar nunca se impunha as ordens por medo das surras e passou a ser usado como divertimento para os milionários de Siena, uma rede de pedófili@ regida pela igrej@ de forma escancarada que era completamente ignorada por quem podia fazer algo, Odin que era considerado arredio e insubordinado já não era requisitado pelos problemas que trazia, alem da estranheza que causava por nunca falar tinha acessos de raiva que assustava os clientes, era impulsivo e não podia ser domado , já não chorava em meio as surras e castigos mais intensos começavam a ser aplicados alguns deles deixando chagas profundas, Odin era forte, nunca chorava, exceto pelo medo que tinha do purgatório, um lugar de punição escuro onde a luz do dia não entrava, em pé dentro do que parecia um armário de madeira ficava por horas e horas até desmaiar, em mais uma noite de tortura por se recusar a obedecer ele precisou ser hospitalizado, morreria se não fosse pela "piedade"de Don João, o único padre que intercedia por ele quando as torturas excediam aquilo que ele achava ser justo, padre João não era um homem bom, só não queria que o sangue dos malditos Morion colocassem a prova sua liderança sob a direção do orfanato, tudo não passava de uma grande sujeira, aquelas pessoas na verdade não tinham nada de religiosos,eram criminosos que se escondiam atras de batinas e hábitos alugando corpos de crianças, adolescentes que estavam sob seus cuidados a quem pagasse mais e isso sob o olhar cego das autoridades da cidade, Siena havia parado no tempo,parecia que a civilização não havia chegado ali, era um lugar pequeno mais parecido com um mundo medieval do que uma cidade comum,o poder do dinheiro era o que reinava, e corrompia assim até o mais honesto dos homens.
Odin abriu os olhos em um quarto de hospital, mal conseguiu se sentar sozinho, os pés inchados eram consequência das horas de punição, o menino escorregou para beira da cama, um rastro de sangue enfeitou os lençóis, andou com dificuldades até a janela onde por um segundo pensou em se jogar, umas das freiras do orfanato sentada em uma poltrona ao lado de seu leito era a prova de que os olhos da igreja estavam em todos os lugares, Odin com os olhos cheios de coragem caminhou até porta, saiu em silêncio, os corredores vazios e sombrios do hospital haviam sido montados de forma estratégica para que curiosos não soubessem o que era escondido nos quartos, Odin vagou por cada um deles, sem deixar escapar um só gemido, procurou por Edgar até que se dasse conta que o irmão não estava ali, a verdade é que ambos haviam se afastado ao ponto de não serem mais um só como eram no passado, não se conheciam mais, sem olhar para trás ele deixou o hospital, vagou por horas a dentro mesmo com o corpo ferido e os pés machucados iniciando assim o que seria a história de um homem sem alma, sem coração, sem passado
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Bia
Essa Freira é o s@tanas
2024-07-28
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Rita de cassia Batista da silva
Sou uma mulher que crer em Deus acima de tudo mais sem religião, sem uma etinia à seguir , e se seguisse o catolicismo nunca seria opção pois toda sujeira e podridão existente no ser humano 89,89% a sombria igreja católica está charfundada até o último suspiro a podridão que envolve uma religião que utiliza a bíblia e o nome de Deus para barbárie e atrocidade por mais de dois milhões de anos chega ser bestial .Quando Deus expulsou seu anjo que se sentava ão seu lado direito do seu reino SATÃ fundou a igreja católica , para mostrar do que os homens e mulheres eram capazes de fazer escondidos por trás de uma faixa da chamada religião!!!
2024-12-17
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Rita de cassia Batista da silva
Iniciando a leitura 17/12/2024 terça-feira ás 08:12 hs , vamos para mais uma leitura magnífica e contagiante pois sei que é isso que irá me proporcionar. Van estou eufórica em saber que teremos mais uma saga em andamento 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼💛🌻 é tudo de bom !
2024-12-17
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