Odin Morion Narrando.
Após dar ordens de que meu irmão fosse enterrado junto ao túmulo cenotáfio feito para nossos pais, chego a cidade de Siena, não vi motivos para estar presente no enterro já que simplesmente não nutro qualquer emoção diante da morte dele.
Não eu não estou aqui por estar triste ou revoltado com o assassinato de Edgar, tudo isso é muito mais complexo já que a tempos queria retornar a Siena, sou um homem procurado, caçado em mais de cinquenta países pela Interpol e pelo FBI, o que pode ser um disfarce mais eficiente que a vida ortodoxia de um padre? Tenho alguns contatos na polícia, gente importante que me devia favores, todos os arquivos sobre a morte de Edgar inclusive o policial que me ligou foram apagados, para todos os efeitos Odin Morion foi achado enforcado naquele quarto, não sei por quanto tempo ficarei em Siena, talvez o suficiente para reencontrar velhos "amigos" e dar a eles o julgamento que merecem, posso dizer que sou alguém obcecado por minhas dívidas e tenho contas bem altas a acertar com os moradores dessa cidade, Edgar e eu não nos víamos a quase 18 anos, apesar de sua insistência nunca encontrei motivos para o tal reencontro, nunca tive mágoas por ele se unir as pessoas que um dia nos torturaram, abusaram e comercializaram como um simples pedaço de carne mais isso não se deve ao fato de eu ser um bom homem, na verdade é exatamente o contrário, sou incapaz de sentir algo, a cinco anos atrás fui diagnosticado com embotamento afetivo é a dificuldade de expressar emoções e sentimentos meio que resume isso, eu particularmente só acho que sou um homem vazio mesmo, quebrado em pedaços tão pequenos que um certo dia pararam de tentar colar, para o meu trabalho a deixa perfeita, um individuo esquizóide com perda global de emoções a serviço do crime organizado.
Após horas de viagem decido encontrar um lugar para descansar, estaciono o carro alugado em que estou em um dos hotéis baratos da cidade já que será algo provisório enquanto preparo a casa em que Edgar morava para me hospedar, para os moradores dessa cidade Edgar estava em uma longa viagem evangelizando povos nômades na África e certamente minha presença pegará de surpresa quem o matou naquele hotel.
— Boa noite padre, deseja um quarto?
O recepcionista sorri cordialmente, o que nem me dou ao trabalho de replicar, coloco sobre o balcão um maço grande de notas, aprendi a muito tempo que palavras desnecessárias podem ser substituídas por um bom valor em dinheiro.
— Me acompanhe, por favor.
O homem me aponta o corregedor que dá acesso aos quartos.
— É uma suíte simples, se precisar de algo é só chamar padre.
Sai me deixando a sós mais o fato de ter varrido minhas malas com os olhos mais de uma vez não me deixam dúvidas de que pretende voltar, vivo de ler pessoas, de enxergar suas almas, esse é o motivo de eu ser tão bom no que faço, um merdinha como este seria apenas uma das peças de um quebra cabeças de mil partes, ando até a janela fechando as cortinas, abro as malas tirando de dentro delas as armas que trouxe comigo, o rifle de precisão South Fork encabeça a lista já que me acompanha na maior parte dos trabalhos que realizo, o desmonto colocando as peças em uma maleta com senha eletrônica a escondendo embaixo da cama, ponho minha pistola Desert Eagle 50 no coldre e decido ainda hoje ir a tal casa onde meu irmão morava.
— Irá sair? Se desejar, posso recomendar um restaurante muito bom no centro da cidade.
Caminho até onde está o recepcionista enquanto atenciosamente me encara.
— Vi você colocar no bolso boa parte das notas que eu havia lhe dado, estou pouco me fodendo para o que faz nessa espelunca mais vou deixar algo bem claro, volto em três dias para pegar minhas coisas, sei onde deixei cada uma delas, se estiver faltando uma agulha que seja vão precisar de um recepcionista novo na casa.
Rosno em sua face.
— Não é o Padre Edgar...
— Não eu não sou, e é bom não falar demais para não arrumar problemas, dará bastante trabalho enterra-lo nos fundos desse muquifo e eu não estou com tempo.
O pânico em seu rosto a tão prazeroso quanto um orgasmo, se afasta batendo com força contra a parede me vendo acender um cigarro, assobio uma canção baixinho enquanto caminho em direção ao estacionamento, é como se os demônios que carrego comigo implorassem para eu voltar e terminar o trabalho, talvez eu ainda vá, mais agora tem assuntos mais importantes esperando para serem tratados, entro no carro rumo ao casebre que Edgar morava, só iria amanhã já que a mesma fica em uma propriedade afastada da cidade, Edgar tinha um discurso postomo de que as pessoas desse maldito lugar haviam mudado, a verdade é que assim como eu ele sabia que não, por isso se escondia tão longe, o mal não morre, ele só se renova em outras faces.
Chego ao pequeno chalé já é quase madrugada, a casa construída próximo a floresta e pequena mais muitíssimo bem cuidada, não fica muito longe de onde moravamos quando éramos pequenos e suponho que isso se deva ao fato dele nunca ter superado, abro a porta com facilidade, no meu trabalho portas deixam de ser um empecilho e passam a ser somente um detalhe, em silêncio caminho pela sala, está escuro,abafado, apesar disso o cheiro de limpeza é agradável.
Uso um isqueiro para acender um castiçal bem no meio da sala, está sobre a mesa e parece ser a única coisa que traz luz ao lugar, me pergunto como Edgar conseguiu viver sozinho aqui, sem nenhuma eletricidade ou mordomia, vasculho a casa e tudo parece ter sido estrategicamente colocado, de certo não sou o primeiro a vir procurar algo nessa casa, me distraio em minha busca quando encontro uma pequena agenda preta em uma caixa no vão entre as madeiras cortadas e a lareira, vários nomes estão escritos nela, no topo de tudo um se destaca, " Lúcio Grigio" o silêncio do ambiente em que estou é quebrado por uma forte tempestade, os trovões altos acompanhados de raios que rasgam o céu.
— Padre.
Ouço uma voz delicada soar como um gemido do lado de fora, acredito serem os ventos, mais um dos fantasmas que me assombram mas não, é real e constato isso quando seguido de mais um grito batem na porta.
— Padre, por favor deixe-me entrar, sou eu Mirella.
Ando até a porta, a arma em meu punho é engatilhada, olho pelo olho mágico vendo parada diante da casa uma pequena garota de olhos grandes e pele pálida.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luciana Ventura
odin já mostrou que a po##a louca e não veio p brincar. Só acho que ele vai perder com uma ninf#ta🫠
2024-07-28
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Alessandra Almeida
Para ficar mais parecido com um padre, precisa desenvolver mais a arte da simpatia🤭😅
2024-11-25
1
Alessandra Almeida
Será que o amor chegou?? Vamos se ele é realmente desprovido de sentimentos🤭😍❤
2024-11-25
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