Capitulo 3

Do lado de fora do concessionário o marido impaciente chamava por ela, Edgar iria sair, exigir por respeito dentro das mediações da igreja, mas ela o impediu.

— Por favor padre, eu tenho pouco tempo.

— Prossiga.

— Na caixa, aquilo era doentio.

Não conseguia se controlar.

— Uma menina com pouco mais de doze anos, sem olhos, sem língua, uma boneca humana para satisfazer os fetiches doentios de Santino, Padre eu os ouvi conversando, aquela não era a única,a outras como ela, eles estão comercializando crianças como pedaços de carne por toda cidade, estão os trazendo de Siena para cá, do orfanato "Santa Catarina de Sena".

— Vamos Cassandra, já chega.

Edgar saiu no exato momento em que a mulher foi arrancada para fora do confessionário, Edgar tinha em seu rosto um misto de angústia e choque, Santino encarou Cassandra.

— O que contou a ele?

A bela mulher de cabelos escuros limpava os olhos.

— Nada Santino, são apenas bobagens.

Ele a empurrou fazendo com que caísse, Edgar tentou ampara-la.

— Escute aqui padreco de merda, é bom ir abrindo bico, não sabe quem sou, para quem eu trabalho.

Agarrou Edgar pela batina.

— As coisas contadas por sua esposa estão sobre o sigilo da confissão meu filho, se quer saber o que foi dito por ela, pergunte a ela.

Santino riu.

— Claro.

Ele falou, Cassandra olhou para Edgar em prantos, ele não sabia mas acabava de cavar ali o que seria a cova dela, Cassandra chorou enquanto era arrastada para fora da igreja, Edgar se sentou, sequer teve tempo de absorver os pecados que tanto a afligiam, se ajoelhou frente ao altar com olhos vazios, a verdade é que sabia muito bem do que a tal mulher falava, o orfanato Santa Catarina de Sena desde sua infância já era um açougue que distribuia para aqueles que pagavam mais os mais "seletos tipos de carne".

— Padre.

Constância parou próximo a porta.

— Quer que eu feche as portas?

— Não filha, deixe que eu faço.

A freira saiu o deixando a sós, Edgar foi dali direto para casa paroquial, em seu quarto sobre a luz das velas que o iluminavam fez uma ligação.

— Dom Francisco.

— Sim, meu filho.

O silêncio tomou o comôdo.

— Não posso continuar nessa paróquia.

— Porque diz isso?

— Aqui já sabem de Santa Catarina de Sena, não vou me sacrificar por vocês, estão deixando brechas, conto tudo mais não vou passar o resto da minha vida na cadeia.

Edgar desligou ao ouvir apenas silêncio do outro lado, desceu as escadas às pressas, colocou tudo que havia levado consigo no porta malas de um Táxi.

— Para onde Padre?

— Me leve para o aeroporto.

O homem obedeceu, deu partida no veículo enquanto de dentro do carro Edgar olhava todo tempo para tela do telefone, saiu de Pienza para se esconder o mais longe que podia, achou que estava seguro mais a verdade é que nem mesmo havia se afastado o suficiente da Itália, dormia sobre a cama de um quarto de hotel que se hospedava quando dois homens encapuzados entraram pela porta, Edgar tentou correr, foi imobilizado.

— Onde está seu Deus agora? Me diga padre.

Um homem de braços completamente tatuados o arrastou para o meio do quarto.

— Por Deus, por Deus.

Ele implorava, olhava em pânico um deles fazer um nó na corda, quando a mesma foi posta em seu pescoço ele sussurrou em súplica.

— Pai, perdoe os meus pecados, eles não sabem o que fazem.

O som de agonia ecoou de seus lábios enquanto se debatia pendurado a corda, os homens saíram as pressas deixando o mesmo ainda vivo, morreu naquela noite carregando os segredos de uma seita que mesmo já o tendo vitimado permitiu lhe arrastar para dentro, dois dias foram o tempo necessário para que o encontrassem naquele quarto, amarrado a corda já completamente desfigurado, O homem que não tinham parentes vivos além do irmão, seria assim enterrado como indigente se não fosse o único contato salvo na reserva do hotel em que estava.

Odin dormia quando o telefone tocou ao lado da cama, as costas nuas marcadas pelas cicatrizes cobertas por um fino lençol.

— Senhor Odin Morion?

— Sim, é ele.

A voz rouca em um timbre forte.

— Aqui é a polícia de Roma, gostaríamos de falar com os familiares de Edgar Morion.

— Sou o irmão dele.

— Teria como vir à delegacia?

— Não, não teria estou em Berlim.

— Sim, claro, peço desculpas por dar a notícia assim, seu irmão foi encontrado morto em um quarto de hotel a trezentos quilómetros da Itália, o trouxemos para cá, precisamos de alguém da família para tratar dos traslados.

Odin não tinha qualquer expressão em seu rosto, qualquer sentimento em seu peito, era uma casca completamente vazia.

— Morto, poderia me dizer a causa? Investigaram?

— Suicídio, estava pendurado em uma corda, não haverá investigações nesse caso.

Odin desligou, se levantou da cama caminhando em silêncio até o closet do apartamento, Alifer, um dos assassinos que o seguia devotamente o encarava.

— Acordado tão cedo? Onde vai a essa hora?

— Mataram meu irmão.

Respondeu como quem informava as horas, sabia bem que Edgar jamais iria tentar contra a própria vida, isso ia contra o que acreditava, contra o "Deus" a quem servia.

— Sinto muito cara.

— Não sinta, eu mesmo não sinto nada.

Alifer o olhou assustado.

— O que vai fazer agora?

Odin não respondeu, não disse nada, na realidade ele não precisava, Alifer sabia bem que o assassino dos mafiosos conhecido como "Espectro" estava prestes a fazer um massacre.

— Vou com você.

Um único olhar foi o suficiente para quê ele recuasse, Odin saiu pela porta, na mala uma pistola 380 carregada, munição para iniciar uma guerra, um rifle com mira e uma única certeza, quem havia matado Edgar pagaria caro.

Mais populares

Comments

Bia

Bia

ele não demonstra, mas se importa com o irmão e vai provar isso com sangue, dos inimigos claroo

2024-07-28

44

Alessandra Almeida

Alessandra Almeida

Gente parece que ser padre faz parte de uma encenação pra esconder as coisas ruins que ainda acontecem no antro do demônio, pois de igreja não tem nada, só o nome mesmo.

2024-11-25

1

Alessandra Almeida

Alessandra Almeida

Eita que a carnificina vai ser das grandes. Esse povo sujo esta merecendo por todo mal que já causaram a tantas crianças.

2024-11-25

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!