Rachadura de Milênios

Houve uma grande rachadura na imensidão do próprio universo, a partir da qual ocorreu uma separação fundamental: seres que possuíam a essência da criação, conhecidos como deuses. Estes eram semideuses, filhos do único Deus, o Pai Criador, que lhes deu a oportunidade de provarem serem dignos de seu legado, assim como os filhos que emanaram de sua própria criação. Para cada um deles, o Criador concedeu sua própria realidade, seu próprio universo — alguns fragmentados, outros perfeitos — com o intuito de que esses deuses demonstrassem ao Pai Criador que eram frutos de sua essência e criação.

Em um desses universos, surgiu a rachadura de Milênios, Trevas e Luz, que recebeu o nome de seu pai: Luminus e Tenebris, simbolizando o início de sua própria criação. Motivados por um desejo ardente de criar, decidiram moldar um mundo à sua imagem e semelhança, dando vida a seres que refletissem a essência de seus pais na Terra. Eles sentiram inveja das criações de seus irmãos — criaturas de duas patas enormes, voadoras e pescoçudas, além de outros belos animais que seu pai havia feito. Durante suas explorações, descobriram a matéria que chamavam de magículas. No entanto, ao perceber a densidade desse poder, decidiram limitá-lo.

O que mais os ensinou sobre o significado da existência foi o desejo de ter filhos, os mesmos filhos que seu Pai tanto amava — ou assim acreditava Luminus. Ela os amava com todo o seu ser, dedicando mais tempo a cuidá-los e a ensinar-lhes o significado de sua própria essência. Contudo, seu irmão, que antes compartilhava os mesmos sonhos de sua irmã, sentiu-se abandonado ao notar que ela não lhe dedicava mais ao mesmo tempo. Isso o incomodou profundamente, e, em sua solidão, decidiu se vingar criando as bestas.

Essas criaturas eram uma mistura de tudo o que um dia haviam cobiçado, possuindo formas bestiais, mas com a capacidade de assumir formas humanas. Tenebris as moldou com características que refletiam tanto a ferocidade de suas origens quanto a beleza humana. Ao apresentar sua criação a Luminus, ele encontrou uma centelha de esperança de que sua relação pudesse ser restaurada. No entanto, a infelicidade de Tenebris cresceu ao perceber que suas criaturas, assim como as que sua irmã havia criado, também desejavam satisfazer os anseios humanos. O que alegrou Luminus foi quando decidiu dar a essas criaturas a oportunidade de conhecer seus filhos. Assim, lançou-as na Terra para que se reproduzissem e multiplicassem, chamando-as de Dragões.

Tenebris, insatisfeito com a atitude de sua irmã, sentiu-se traído e se afastou dela. Tomando sua forma mortal, escondeu sua verdadeira essência e começou a andar pela Terra, semeando a maldade. Ele criou novas criaturas, mais sombrias e malignas, destinadas a destruir suas criações e as de Luminus. Ao perceber a gravidade do ciúme doentio de seu irmão, Luminus procurou uma maneira de evitar que o pior acontecesse. Ela deu aos dragões laços que os conectariam aos indivíduos certos, permitindo que se unissem e se protegessem uns aos outros. Luminus espalhou diversos meios pela Terra para garantir a segurança de suas criaturas, mas isso não era suficiente. Ela precisava de ajuda, de um salvador.

Foi então que, pela primeira vez, Luminus pediu ao seu Pai por socorro. Como um bom pai, Ele atendeu ao chamado de sua filha e concedeu a Luminus uma alma, que precisava aprender a encontrar a luz e as trevas dentro de si, para oferecer aos irmãos o que tanto ansiavam. Essa alma se tornaria a chave para equilibrar a criação e restaurar a harmonia entre as forças que regiam esse universo.

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Ana Regina Fernandes Raposo

Ana Regina Fernandes Raposo

NOSSA ADOREI ESTE TEXTO, E MUITO LEGAL, MAIS PRECISO DORMIR.

2024-08-21

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