As fofocas haviam começado a circular como um incêndio incontrolável, e todos pareciam absortos em conversas sobre o Arquiduque do Norte e sua nova esposa. As especulações mais escandalosas surgiam a cada instante, e uma delas afirmava que o Duque havia forçado a noiva a usar uma máscara, pois, segundo os rumores, ela possuía a mesma feiúra que o próprio Duque. Era amplamente comentado que ele tinha um rosto completamente deformado, o que explicava por que ninguém jamais havia visto sua verdadeira face. Afinal, o Duque sempre comparecia aos banquetes mascarado, e sua presença era breve, deixando um rastro de mistério e intriga.
Foi então que Eleanor finalmente compreendeu o motivo pelo qual as donzelas dos reinos não se deixavam seduzir pelos encantos do Duque. Afinal, elas nunca haviam testemunhado o seu verdadeiro semblante, exceto ela, e essa era uma glória da qual ela não se cansava de se gabar.
Perto do salão de dança, Eleanor segurava uma taça delicada, preenchida com um vinho doce e suave. Embora não fosse uma frequentadora assídua de bebidas, ela apreciava o sabor refinado dos vinhos. Contudo, teve o desprazer de derramar algumas gotas do néctar sobre seu vestido. Embora a cor do tecido tornasse a mancha quase imperceptível, o que realmente a incomodou foi saber que o incidente fora provocado por um empurrão sorrateiro de algumas damas que passavam, rindo entre si.
— Oh, minha nossa! A senhorita deveria ter mais cuidado. Não gostaríamos que um belo vestido como esse fosse manchado, não é mesmo, senhoritas? — exclamou uma dama de longos cabelos ruivos, acompanhada por suas duas amigas, uma loira e outra morena.
— Pedimos desculpas, Duquesa, pelo acidente — disse a jovem de cabelos loiros, com um tom de cinismo que não passou despercebido.
— Mais modos, minha querida amiga. Ela é a nova Arquiduquesa do Norte — retrucou a morena, com um toque de deboche na voz.
— Oh, perdão, mas como a senhorita vem de uma origem tão baixa quanto a de uma simples plebéia, pensei que esses títulos não a incomodariam se mencionados de forma errada — completou a loira, com um sorriso desdenhoso.
— Marquesa Firestone — cumprimentou Eleanor, fazendo um gesto sutil. — Baronesa Hartington e Baronesa Fairchild — acrescentou, dirigindo um olhar indiferente para as outras duas, ao qual apenas sorriu. — Achei que as senhoritas fossem mais requintadas; não imaginei que desprezariam suas próprias etiquetas, ensinadas desde o nascimento, apenas por orgulho dos seus preconceitos.
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...Baronesa° Penélope Fairchild...
...Baronesa° Mary Hartington...
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As jovens pareciam envergonhadas e irritadas com a forma como Eleanor se expressou, mas sabiam que, por ser uma Arquiduquesa, elas estavam em uma posição inferior. Assim, quaisquer questionamentos poderiam provocar uma guerra de famílias, o que as forçou ao silêncio.
— Senhorita, não entendo bem, mas pelos rumores que ouvi, o Duque não possuía interesse algum em se casar. Posso perguntar quais "charmes" usou para conquistar a besta do Norte? — indagou uma delas, com um leve nojo na voz.
— Achei que fossem boas em contar histórias. Não ouviram os boatos? Minha família entregou minha mão ao Arquiduque do Norte. Todos acreditavam que a besta se livraria de mim instantaneamente, mas eu consegui conquistar seu coração. Até me apelidaram de "domadora de bestas", não é engraçado? Ninguém poderia imaginar que o verdadeiro perigo naquele castelo não era o Duque, mas sim a Duquesa por quem ele se apaixonou, não acham? Deve haver algo muito mais profundo nessa história. Bom, se me derem licença, devo uma dança ao meu marido — disse Eleanor, deixando as damas para trás enquanto se dirigia ao salão de dança, o coração pulsando com a adrenalina.
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...Marquesa° Emma Firestone...
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Mas havia algo que Eleanor desconhecia: a Marquesa de Firestone, em sua infância, havia sido uma criança próxima ao Duque. Durante a adolescência, ele a ajudou em duas ocasiões, gestos que alimentaram um amor doentio dentro dela. Para a jovem, o Duque deveria pertencer apenas a ela, e a ideia de compartilhá-lo com qualquer outra pessoa a transformou naquela noite em sua maior inimiga.
Eleanor e Lucien se posicionaram para dançar. O Duque, em um gesto íntimo, sussurrou algumas palavras carinhosas em seu ouvido: "Você está realmente linda esta noite." Essas palavras fizeram o coração de Eleanor vibrar de alegria, e ela sorriu, como uma criança que recebe um elogio inesperado. No entanto, Lucien não estava preparado para o que aconteceria em seguida. Com um movimento audacioso, Eleanor retirou a máscara que antes ocultava seu rosto, revelando sua verdadeira identidade diante de todos os presentes.
Naquele instante, o salão, que antes pulsava com murmúrios e risadas, mergulhou em um silêncio atônito. Os olhares se voltaram para ela, e a reação dos convidados foi indescritível. A beleza radiante e angelical de Eleanor superou todas as expectativas, fazendo com que os rostos se iluminassem de espanto. O que antes era uma expectativa de fealdade, em comparação com a imagem que tinham do Duque, transformou-se em um espetáculo de deslumbramento. Sussurros de incredulidade e admiração ecoaram pelo ambiente, enquanto os convidados trocavam olhares perplexos, incapazes de compreender como alguém poderia ser tão esplêndido. A presença de Eleanor, uma visão de pura perfeição, fez com que cada um deles se sentisse pequeno diante de sua luminosidade, criando um clima de fascínio que era quase palpável, como se a própria atmosfera estivesse reverberando com a magia de sua revelação.
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— Por que tirou sua máscara? Não desejava manter esse mistério? — indagou Lucien, a confusão evidente em seu olhar penetrante.
— Eles merecem saber que estou verdadeiramente feliz a cada passo que dermos ao dançar. Quero que todos testemunhem minhas reações sinceras ao dançar com você, que o Duque não é uma besta como muitos afirmam, mas sim um homem de valor — explicou ela, com um brilho de entusiasmo nos olhos.
— Talvez eu também deva retirar a minha máscara, então — respondeu ele, erguendo a mão em direção à máscara, mas Eleanor rapidamente o deteve.
— NÃO! Por favor, mantenha a máscara. Mesmo eu tenho dificuldades em aceitar a beleza que reside sob esse disfarce; isso poderia desmantelar a imagem aterradora que eles têm de você. Por enquanto, é melhor assim. Que tanto os cavaleiros quanto as donzelas sintam um certo temor — mentiu ela, sua voz carregada de uma preocupação disfarçada. Na verdade, Eleanor temia que as donzelas se deixassem encantar pelo Duque. Ao contrário dos cavaleiros, que hesitariam em cortejar a esposa do Duque, as donzelas dos reinos não nutriam medo algum de Eleanor. Pelo menos por enquanto, pois a sombra de sua presença ainda não havia se tornado uma lenda entre elas.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Ana Regina Fernandes Raposo
TEM QUE RESPEITAR A ESPOSA MAIS E CLARO QUE ASSIM NINGUÉM SE ATREVE A IR SE AMANTE DO DUQUE. ELA E INTELIGENTE.
2024-08-21
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