...Drogo...
...[Dragão do Fogo]...
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Drogo finalmente chegou ao local onde Lucien estava. Seus olhos brilhavam em um tom vermelho intenso quando os dois se encontraram. Lucien acariciou carinhosamente o rosto de seu dragão antes de voltar a atenção para Eleanor.
— Drogo... Esta é Eleanor, minha esposa. — A maneira como Lucien pronunciou aquelas palavras causou uma nova confusão em Eleanor, que, após dois anos ao lado do Duque, havia se apaixonado por ele, mas ainda lutava para entender o profundo laço que unia os dois.
...Grrh!...
Drogo rosnava para Eleanor, um sinal de que, devido à falta de convivência, ainda estava se adaptando à presença da jovem. No entanto, quando Eleanor tentou se aproximar ainda mais, o dragão reconheceu o forte aroma de magícula que a própria deusa havia derramado sobre ela. Nesse instante, Drogo reconheceu Eleanor imediatamente como uma aprendiz da deusa, algo que nem ela nem Lucien sabiam que aconteceria ao receber a graça da magícula. Era claro que a deusa não havia revelado a Eleanor que, ao aceitar sua bênção, ela se tornaria uma aprendiz.
— Nossa, ele é tão lindo... — exclamou Eleanor enquanto se aproximava e acariciava o rosto escamoso de Drogo. Ela olhou para Lucien, que parecia espantado. — O que foi? Por que está com essa expressão?
— Um dos meus soldados tentou isso uma vez, e o dragão quase arrancou seu braço fora. Mesmo após dez anos, Drogo nunca permitiu que ele se aproximasse. Mas você apenas estendeu a mão e ele veio até você. Isso não é normal... Parece que tudo que você toca, todos que se aproximam de você, de alguma forma, se tornam curados... — Ele parecia perdido em pensamentos enquanto falava.
— Como assim? Não foi você quem o domou? — perguntou ela, confusa.
— Meu caso é diferente. Desde meu nascimento, meu pai me treinou como uma besta. Aos dois anos, fui deixado em uma selva para ser criado por monstros, pois mesmo os piores deles ainda possuem instintos maternos de cuidar de filhotes. Fui encontrado pela Sylvia, uma dragão, e pelo Vektor, que me criaram como seu filhote. Apesar de meu pai ter me procurado, ele participou pouco de minha criação, fazendo um acordo com as bestas para que se tornassem pais reservas caso algo acontecesse com eles. Nesse cenário, as bestas poderiam morar conosco em nosso reino. Depois disso, meus pais foram mortos quando eu tinha dezesseis anos, e aos dezessete eu assumi o trono como Arquiduque de Silverlake — explicou Lucien, sua voz carregada de lembranças.
— Quem é a Sylvia? — perguntou Eleanor, ainda confusa.
— Sylvia é uma dragão da luz. Vektor é o dragão das trevas, Acqua é a dragão da água, Ásta é a dragão do ar, Tiná é a dragão da terra, Drogo é o dragão do fogo, e Trinyd é a dragão dos raios. Seu ovo ainda não eclodiu, mas parece que será um macho — ele detalhou, seus olhos brilhando com orgulho.
— Devo pensar em um nome para ele em breve, então — brincou Eleanor, fazendo um último carinho em Drogo.
— Vamos voltar — disse Lucien, ajudando Eleanor a montar no dragão, e logo em seguida ele também subiu, partindo de volta para Silverlake.
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De volta ao esplêndido reino de Silverlake, Drogo pousou com graça em frente ao imponente castelo, suas enormes patas, fazendo o solo vibrar levemente. Logo, uma fileira de soldados, todos em uniformes impecáveis e armaduras reluzentes, se aproximou do Duque, suas posturas rígidas e respeitosas.
— Bem-vindo de volta, senhor! Espero que tenham feito uma boa viagem — saudou um dos soldados, a voz carregada de formalidade e reverência.
— Obrigado. Peçam que preparem algo para Drogo comer; ele fez uma longa jornada e merece um bom descanso — respondeu Lucien, gesticulando com a mão em direção ao dragão, que observava tudo com olhos inteligentes e atentos.
Diferente das longas e cansativas viagens de carruagem que muitas vezes se estendiam por dias até alcançar outros reinos, a velocidade dos dragões era impressionante, permitindo que essas travessias fossem realizadas em questão de horas. Lucien e Eleanor, aliviados por estarem de volta, adentraram apressadamente no castelo, cada um seguindo em direções opostas, direto para seus aposentos.
Eleanor, sentindo o cansaço e a tensão acumulados, estava desesperada por um banho quente. Ela chamou uma das servas, sua voz quase implorativa. — Por favor, prepare o banho rapidamente!
Enquanto as servas ferviam a água para o tão esperado banho, Eleanor se acomodou em sua cama, envolta em uma delicada camisola de seda que realçava sua figura. Um dos braços cobria seus olhos, enquanto a mente a consumia em pensamentos agitados.
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Eleanor não conseguia afastar os pensamentos que a atormentavam. A viagem de volta para seu lar havia sido rápida, mas sua mente estava presa em uma teia de emoções conflitantes. As lembranças da cena que havia presenciado antes, quando a Marquesa beijou Lucien, não saíam de sua cabeça. Ele não a olhou com carinho, nem sorriu; apenas a afastou, sem dizer uma palavra ou reclamar sobre o comportamento dela. Essa atitude silenciosa o tornou ainda mais intrigante, mas também provocou um incômodo profundo em Eleanor.
Ela sentia um misto de ciúme e desespero. Cada batida de seu coração parecia ecoar a frustração que a consumia. Como poderia ter ficado tão vulnerável? O desejo que sentia por Lucien a surpreendia, e ela se perguntava como poderia ter permitido que outra mulher se aproximasse dele daquela maneira. A ideia de correr até os aposentos do Duque e confessar tudo a ele a perseguia como uma sombra.
••• E se eu dissesse a ele que odiei vê-lo ser beijado? – pensou, mordendo o lábio inferior, enquanto a raiva e a paixão se misturavam. – E se eu simplesmente deixasse claro que o desejo ardente que sinto por ele é incontrolável? •••
O desejo de ser honesta e transparente lutava com o medo de rejeição. A ideia de abrir seu coração para Lucien era tão assustadora quanto excitante. Eleanor se viu presa em um dilema: deveria arriscar tudo por um amor que poderia nunca ser correspondido ou permanecer em silêncio, sufocando seus sentimentos?
Enquanto a água quente começava a encher a banheira, uma batida na porta a interrompeu, fazendo seu coração disparar. Seus pensamentos foram abruptamente dispersos, e ela se virou para a porta, hesitante. O que poderia ser? Com um misto de expectativa e nervosismo, ela se levantou para atender, e, ao abrir a porta, encontrou Lucien diante dela, seu olhar intenso e profundos. Poderia ser que o momento que ela tanto esperava estava prestes a acontecer?
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...{Lucien}...
Lucien havia tomado um banho frio, imerso na banheira, tentando encontrar clareza em meio ao turbilhão de emoções. Seu corpo já não respondia da mesma forma, e a lembrança do beijo da Marquesa ainda pairava sobre ele como uma sombra persistente. Ele não podia ignorar a decepção nos olhos de Eleanor ao testemunhar a cena, e essa imagem o atormentava. Sentia-se frustrado por ter permitido que algo assim acontecesse, questionando sua própria fraqueza.
Enquanto permanecia na água fria, sua mente vagava para outra lembrança: a cena em que Eleanor acariciou Drogo, o dragão que a reconheceu e não a atacou. A dúvida o consumia; seria ela a pessoa que ele esperou por tanto tempo? Alguém que poderia aceitá-lo, assim como aceitava seus dragões, sem vê-los como meros objetos ou armas, como o reino fazia? Cansado de tantos pensamentos conflitantes, Lucien finalmente saiu da banheira, vestiu-se rapidamente e dirigiu-se aos aposentos da Duquesa.
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Em frente à porta, hesitou por um momento, mesmo com dois de seus melhores soldados de guarda. A tensão no ar era palpável, mas finalmente decidiu bater. Quando a porta se abriu, após alguns segundos de silêncio, seus olhos encontraram Eleanor. Ela estava deslumbrante em uma camisola que se moldava ao seu corpo como uma obra-prima, e ele não pôde evitar de percorrer cada centímetro dela até que seus olhares se encontraram.
— Duque? O que faz aqui? — perguntou ela, sem perceber a estranheza da situação.
— Somos marido e mulher, o que estaria eu fazendo em frente aos aposentos de minha esposa? — ele respondeu, notando o rosto dela ficar corado. — Posso entrar?
— Sim, por favor... Entre. — Ela cedeu espaço, e ele entrou, sentindo a tensão no ar.
Dentro dos aposentos, um silêncio constrangedor se instalou. Lucien decidiu quebrá-lo.
— Tenho que confessar algo... Se me permitir? — ele disse, esperando a resposta dela.
— Por favor... — ela incentivou, curiosa.
— Entendo que tenhamos feito um acordo há dois anos, mas como homem, como posso não me sentir atraído por uma mulher que se deita em minha cama quase todas as noites, e que não posso tocar? A mesma mulher que meus dragões... que são minha família, aceitam tão facilmente. A mesma mulher que faz minha besta acordar e incendiar todo o quarto, desejando beijá-la. Estou preso em correntes, Eleanor. Então, por favor! Encerre essa dúvida em mim e me diga se sente o mesmo. — Ele despejou suas emoções, com a urgência e a paixão transbordando de suas palavras.
— Espere um minuto... — Eleanor disse, indo até o banheiro para pedir à serva que saísse. Assim que a serva se afastou, ela retornou, notando o constrangimento de Lucien por saber que havia mais alguém presente. — Fique tranquilo, ela não ouviu nada.
— Pois então... O que me responde? — ele se aproximou, deixando seu corpo próximo ao de Eleanor, a expectativa no ar era quase insuportável.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Keppe
oxi
2024-10-06
1
Ana Regina Fernandes Raposo
AUTORA VC E MUITO BOA EM ESCRITAS . LENDO E ADORANDO, CONTINUO SUA FÃ.
2024-08-21
1
Katilene Kk
mais atualização por favor 🥹🥹🥹🥹🥹🥹🥹
2024-08-01
1