...{Eleanor}...
— Duque... escute minha história antes de formar sua opinião sobre mim. Se, após ouvir, sua visão não mudar, então eu lhe darei uma resposta. — Eleanor disse, acomodando-se na cama. — "Uma jovem vivia sua vida tranquilamente, mas perdeu os pais muito cedo. Passou por diversas famílias até chegar à sua última, onde encontrou pais carinhosos, mas não excessivamente exigentes. Ela decidiu não dar trabalho, temendo voltar a ser deslocada para outra família. Assim, cresceu e se escondeu atrás de livros, dedicando-se ao seu talento como desenhista em uma editora de quadrinhos. Contudo, seu verdadeiro sonho sempre foi escrever romances. Ela escreveu alguns, mas nunca teve coragem de publicá-los, pois nunca conseguia dar um final às suas histórias. Certa noite, ao voltar do trabalho, ela teve a infelicidade de ser atropelada por um ônibus. Pensou que, finalmente, teria o descanso que tanto almejava. No entanto, uma deusa de outro mundo, chamada Luminus, decidiu lhe dar uma segunda chance, tudo por conta de sua paixão inabalável por suas histórias não publicadas. A deusa prometeu que lhe daria o motivo certo para concluir sua narrativa e a transportou para um mundo completamente estranho, onde a magia era considerada uma força predominante nos homens, enquanto as damas eram vistas como frágeis e delicadas. Mesmo assim, Luminus a abençoou com um poder mágico infinito e uma beleza inexplicável. Que tipo de deusa concede tais bênçãos a alguém que desejaria uma vida pacífica? Ela não sabia que essas bênçãos trariam uma existência repleta de desafios para a jovem. E não parou por aí. A deusa fez a jovem nascer de uma empregada que havia sido violentada, e sua infância foi marcada por servidão, sendo uma filha ilegítima. Seu único pai, em um ato desesperado, ofereceu-a como um acordo de casamento para livrar sua filha favorita de se unir a um duque que, segundo ele, era uma besta. — Ela respirou fundo antes de completar. — Não o homem bondoso que vejo agora à minha frente... Mesmo compartilhando tudo isso, você acreditaria em mim? Acreditaria que não sou uma bruxa, mas apenas uma garota simples, na qual a deusa viu alguma utilidade neste mundo, mas que ainda não compreendeu seu verdadeiro propósito aqui?
Eleanor finalmente desabafou aquilo que a atormentava desde que nasceu. Ela estava exausta de viver uma vida que não compreendia. Contudo, após conhecer o Duque, o fardo que carregava parecia menos pesado. Os dois anos ao lado do Duque de Silverlake a fizeram se apaixonar ainda mais por ele, mesmo diante do receio de que ele nunca acreditasse em sua história, a chamando de bruxa e ordenando que a jogassem em uma fogueira.
Mas um ato inesperado a fez congelar. O Duque se aproximou de Eleanor, segurou sua mão e a puxou para ficar de pé, aproximando seus rostos. Ele tocou carinhosamente seu rosto e olhou em seus olhos antes de dizer:
— Eu não sei o que é um ônibus, ou o que significa ser desenhista, nem mesmo conheço esse mundo de que você fala, mas eu acredito em cada uma de suas palavras. Não apenas nas palavras, mas nos sentimentos que surgem quando estou com você, Eleanor. Você não só me aceitou como sou, mas me ensinou a amar. Você foi a primeira pessoa por quem me apaixonei... Só preciso saber se você sente o mesmo.
Suas testas estavam coladas, ele aguardava uma resposta.
— Sim, Lucien... Ainda não posso dizer que o amo, pois em meu mundo isso é algo que leva tempo para se expressar, mas estou apaixonada por você, Duque. Quero estar ao seu lado... Não quero que olhe para outra além de mim... — Eleanor disse, com o rosto ruborizado.
— Eleanor... Isso é suficiente... — ele murmurou, tocando a ponta do nariz dela com a sua.
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Eleanor tocou delicadamente o rosto do Duque, sentindo a eletricidade pulsar entre eles. Seus lábios estavam tão próximos que suas respirações se entrelaçavam, criando uma atmosfera carregada de expectativa e desejo. Os olhos do Duque, profundos e intensos, estavam fixos nos lábios de Eleanor, que, com o coração acelerado, tomou coragem para beijá-lo. Quando seus lábios finalmente se encontraram, foi como se o mundo ao redor deles tivesse desaparecido. O beijo se transformou em uma dança apaixonada, uma chama ardente que incendiava seus corpos, fazendo-os estremecer de prazer. As mãos do Duque envolviam Eleanor, puxando-a para mais perto, como se quisesse protegê-la de tudo e todos.
Ele começou a explorar o pescoço da jovem, seus lábios deslizando suavemente até a clavícula, despertando um calor que fazia Eleanor sentir-se viva. No entanto, em um momento de clareza, ela interveio, sua voz suave, mas decidida.
— Ainda não... Vamos nos conhecer melhor. Que tal termos três encontros? Se, após isso, sentirmos que não conseguimos ficar longe um do outro, prometo aceitar seus sentimentos, Duque. — sugeriu Eleanor, olhando nos olhos dele com sinceridade, como se estivesse oferecendo um pacto entre almas.
O Duque, tentando controlar as emoções que borbulhavam dentro dele, afastou-se um pouco, a necessidade de respeitar o desejo de Eleanor pesando em seu coração. Ele pegou a mão dela, levando-a aos lábios e beijando-a com ternura, como se estivesse selando um compromisso silencioso entre eles. Um suspiro profundo escapou de seus lábios, e um sorriso iluminou seu rosto.
— Eu irei esperar. Farei de tudo para que você me ame como eu a amo, Eleanor... — declarou ele, tocando o rosto dela com uma delicadeza que fazia seu coração acelerar ainda mais.
— Vou tomar meu banho então... — respondeu Eleanor, um sorriso genuíno se formando em seus lábios, uma mistura de timidez e alegria.
— Tudo bem... Voltarei para meus aposentos... — disse Lucien, movendo-se em direção à porta, mas hesitando, como se cada passo o deixasse relutante em se afastar dela.
— Lucien... Fique comigo esta noite... Claro, vamos apenas dormir, mas gostaria muito de ter sua companhia, se você também quiser. — Eleanor ousou dizer, reunindo toda a coragem que estava dentro dela, sentindo o calor da vulnerabilidade.
Ele virou-se lentamente, um brilho travesso em seus olhos, escondendo um sorriso satisfeito em seu rosto.
— Tudo bem... Vou esperar que você termine seu banho. — respondeu ele, a expectativa pulsando no ar entre eles, como um fio invisível que os unia, prometendo daquela noite a sua primeira noite compromissados com seus sentimentos.
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...{Lucien}...
Quando Eleanor se dirigiu para o banheiro, Lucien aproveitou a oportunidade para sair do quarto e, com um tom autoritário, gritou em direção à porta, ecoando pelos corredores do majestoso castelo.
— LAVOSK! — sua voz ressoou, e ele aguardou pacientemente a aparição de seu servo.
— Vossa Excelência... — Lavosk cumprimentou-o com um respeito profundo, inclinando-se ligeiramente.
— Já reuniu as informações sobre os Kensington? — Lucien perguntou, sua expressão séria e determinada.
— Sim, senhor... Agrupamos informações que indicam que o barão está vendendo drogas e bebidas alucinógenas para algumas famílias influentes dos reinos vizinhos. Acredito que isso seja apenas a ponta dos seus crimes; há outros envolvidos, possivelmente até mesmo a própria família real. — explicou Lavosk, com um tom grave, refletindo a gravidade da situação.
— Ótimo. Preparem nossa residência em Everhart. Vamos viajar amanhã até a capital das terras do rei. — Lucien ordenou, voltando rapidamente para o quarto, o peso da notícia ainda ressoando em sua mente.
Ao entrar, notou que Eleanor já havia terminado seu banho. Ela estava secando os cabelos com alguns panos, e ao se aproximar, foi envolvido pelo aroma floral que a cercava, uma mistura de frescor e suavidade. Ele sorriu ao vê-la, seus cabelos molhados caindo em ondas que emolduravam seu rosto, tornando-a ainda mais radiante.
— O que aconteceu? Você não estava no quarto quando saí? — ela perguntou, com o olhar curioso.
— Era Lavosk. Parece que amanhã teremos que ir para a capital das terras do rei. Vamos ficar lá por um tempo... — explicou ele, tentando manter a gravidade da situação à parte de sua mente ao observar a beleza de Eleanor.
— Everhart... Minha terra natal? Isso é maravilhoso! Podemos fazer nossos três encontros por lá; conheço vários lugares incríveis! — ela exclamou, a empolgação iluminava seu rosto, seus olhos brilhando como estrelas.
— Podemos ir onde você quiser... — ele sorriu, envolvendo-a em um abraço caloroso por trás, sentindo a suavidade de sua pele e o calor de seu corpo.
Não demorou muito para que o Duque e Eleanor se deitassem sobre a cama. Com ela deitada em seus braços, Eleanor se sentia segura, como se estivesse envolta em uma bolha de proteção. Para Lucien, o cheiro doce e reconfortante dos cabelos dela trazia uma calma indescritível, um desejo profundo de nunca mais deixar aquele quarto. Naquele momento, o mundo exterior desaparecia, e tudo o que importava eram os sentimentos intensos que eles tinham, uma promessa silenciosa de que, independentemente dos desafios que viriam, eles enfrentariam isso juntos.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Ana Regina Fernandes Raposo
A VIDA DELES É MUITO BOA. ASSIM MESMO QUE DIVIA SER CONHECER ISSO.
2024-08-21
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