Após Eleanor se recuperar do desmaio, o Duque, preocupado com seu bem-estar, insistiu que ela permanecesse na cama por mais alguns minutos, permitindo que o corpo se recuperasse da fraqueza súbita.
Assim que o tempo passou e Eleanor se sentiu revigorada, ela se levantou às pressas, decidida a se preparar para a visita à residência dos Kensington. Com um toque de ansiedade e excitação, ela começou a escolher sua indumentária, cuidadosamente selecionando cada peça para garantir que estivesse à altura do encontro. O ambiente ao seu redor refletia sua preparação, com tecidos finos e acessórios elegantes espalhados pela quarto, enquanto ela se concentrava em apresentar sua melhor versão.
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Eleanor partiu em sua carruagem em direção à imponente residência dos Kensington, seu coração pulsando de determinação. Ela estava trajada em um de seus novos e elegantes vestidos azul vitoriano, uma peça que acentuava a graça de sua silhueta e destacava seus lindos cabelos castanhos escuros, criando um belo contraste com sua pele levemente parda.
À medida que a carruagem avançava pelas ruas, um misto de ansiedade e propósito a acompanhava. Não demorou muito até que chegassem à residência Kensington, um local que emanava riqueza e prestígio. A carruagem parou em frente à entrada principal, e os servos, surpresos com a visita inesperada, se entreolharam, sem saber quem era aquela visitante misteriosa.
O propósito de Eleanor era claro em sua mente: ela não havia chegado como convidada, mas sim como uma mulher em busca de vingança. Assim que desceu da carruagem, os olhares dos servos se voltaram para ela, suas expressões de curiosidade e confusão se transformando em reconhecimento à medida que a figura imponente de Eleanor se tornava visível. Ela estava ali para fazer valer sua presença e se vingar daqueles que a usaram, e sua determinação era palpável de notar no ar.
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— Baronesa Kensington, Baronesa! — Uma das servas corria apressadamente em direção ao jardim dos fundos, seu rosto pálido de preocupação.
— O que houve? Por que está gritando desse jeito? — questionou a Baronesa, com um tom levemente irritado, incomodada com o alvoroço desnecessário.
— Minha Senhora, há uma carruagem parada em frente à residência. Pelas joias que adornam os ocupantes, parece ser de uma família importante — explicou a serva, ofegante.
— Alguém importante...? — murmurou a Baronesa, pensativa. — Avise minha filha e seu irmão para que possamos receber esse convidado. E também avise o Barão; peça que um dos servos vá até a cidade chamá-lo. Diga que temos visita.
A Baronesa encontrou seus filhos no jardim, e juntos dirigiram-se rapidamente ao salão de visitas. Ao entrarem, avistaram uma dama sentada elegantemente em uma das poltronas, apreciando um chá que uma das servas havia servido. À medida que se aproximavam com cautela, os olhos dos Kensington se arregalaram ao reconhecer a jovem que ocupava o assento. Era Eleanor, a filha ilegítima que o Barão havia usado como moeda de troca para garantir que sua filha mais nova não herdasse o futuro que deveria ser de Eleanor.
— Eleanor... Que surpresa! — exclamou a Baronesa, sua madrasta, com um misto de incredulidade e desconforto. — Você está tão bem... O que a traz aqui?
— Senhora, não lhe foi ensinado sobre modos? Como pode uma baronesa se referir à Arquiduquesa do Reino de Silverlake com tamanha informalidade? — interveio Mirabell, com um tom de reprovação.
— Posso saber quem você é, uma serva, para se referir à minha mãe, a Baronesa, dessa maneira? — questionou o Barão, o meio-irmão mais velho de Eleanor, com uma expressão de desdém.
— Não há necessidade de tanta confusão, Baronesa. Esta é minha dama de companhia, e este é o Chanceler do Duque — explicou Eleanor, mantendo a compostura.
— Oh, que indelicadeza da nossa parte! — disse a Baronesa, tentando recuperar a compostura. — Preste minhas considerações ao Duque... — A raiva que Eleanor sentia por sua meia-irmã, a Baronesa Kensington, aumentou ao ouvir suas palavras. A Baronesa fez uma breve reverência ao Chanceler.
— Onde está o Barão? — Eleanor indagou, mantendo sua postura firme.
— Ordenei que um dos servos fosse chamá-lo — respondeu a primeira Baronesa. Ela era a matriarca da casa, assim como seu marido, o Barão, e seus filhos ocupavam o segundo lugar na hierarquia familiar.
— Vim visitá-los, mas desde já, estou agradecida pela hospitalidade. É melhor do que ter um esfregão lançado em meu rosto — disse Eleanor, lembrando-se de um incidente em que a Baronesa havia atirado tudo o que estava ao alcance dela em direção à jovem. — Trouxe alguns presentes.
Eleanor fez um sinal discreto para que Mirabell solicitasse aos servos da carruagem que trouxessem o baú repleto de joias. Quando os servos finalmente chegaram, suas mãos trêmulas abriram a tampa do baú, revelando um esplendor de pedras preciosas que reluziam sob a luz do salão. Os olhos dos três Kensington brilharam de luxúria e surpresa ao contemplar a riqueza diante deles, cada joia contando uma história de opulência e poder.
— Duquesa... A senhorita deve ter um apreço especial por arqueiria. Por que não acompanha minha filha? Posso pedir que preparem um delicioso almoço enquanto o Barão está a caminho — sugeriu a Baronesa, tentando manter a cordialidade, mas com um leve tremor na voz que traía sua ansiedade.
— Claro, seria maravilhoso — respondeu Eleanor, levantando-se de sua poltrona com graça. Antes que pudesse seguir Emily, sua irmã, uma aura pesada e intimidante pareceu invadir o ambiente, fazendo com que todos na casa se sentissem nervosos, como se uma tempestade estivesse prestes a se formar.
— Que presença estranha é essa...? Não há monstros nas redondezas, então por que estou sentindo esses calafrios? — questionou o Barão, a preocupação evidente em seu tom, enquanto olhava em volta, como se esperasse que algo ou alguém surgisse das sombras.
Nesse momento, Nikolaus apareceu no salão, sua expressão sombria e séria contrastando com a luz suave que filtrava pelas janelas. Ele caminhou em direção a Eleanor e se posicionou atrás dela, como uma sombra protetora, sem fazer reverência a ninguém, exceto à própria Duquesa.
— Peço perdão, esqueci de apresentar um dos nossos... O Duque se preocupa muito com a segurança daqueles que estão ao meu redor, por isso ele designou Nikolaus como meu comandante de guarda pessoal — explicou Eleanor, com sua voz firme. — Ele não fala muito, então não se incomodem com isso. Devemos prosseguir com a visita...
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Eles se dirigiram a uma área tranquila do jardim dos fundos, onde Emily costumava treinar arco e flecha. Ao chegarem lá, Emily entregou a Eleanor um arco delicadamente trabalhado e algumas flechas, enquanto tentava puxar assunto de maneira sorrateira, ansiosa para descobrir mais sobre o Duque.
— Então, Duquesa... Como é o reino de Silverlake? — perguntava ela, curiosa, enquanto mirava o alvo e disparava flechas com precisão.
— É um reino próspero, onde não há dificuldades, fome ou escravidão. Todos amam o Arquiduque — respondeu Eleanor, evitando o olhar de sua irmã, focando sua atenção no alvo.
— Seus servos parecem bem doutrinados também... Como conseguiu mantê-los assim? — disse Emily, com uma nota de desprezo na voz.
— Você entendeu errado. Não conseguimos os servos como no reino de Everhart; eles se voluntariam para servir o reino de Silverlake. Todos desejam estar próximos do Duque. Já disse, não existe escravidão lá — explicou Eleanor, com firmeza.
— Entendo... E o Duque? Como ele é? Ninguém nunca o viu sem a máscara, e as pessoas do reino de Silverlake nunca falam sobre o que acontece dentro de seu próprio reinado, como se tivessem medo do que ele pudesse fazer — Emily tentava novamente manchar a imagem do Duque, com sua voz carregada de desconfiança.
— Não é medo, é respeito... O Duque possui, sim, um lado que ninguém deseja ver, mas sua generosidade pode ser uma bênção para aqueles que a recebem — disse Eleanor, posicionando-se para atirar.
Mirando no alvo, Eleanor disparou com destreza, não errando uma única flecha; cada uma acertava o centro com uma precisão impressionante. A última flecha que ela disparou atravessou outra já presa no alvo, e ela sorriu, satisfeita com sua conquista. Eleanor virou-se então para Emily, com um brilho de triunfo nos olhos.
— Ah, a máscara serve apenas para não assustar a maravilha que reside por baixo dela... Bom, obrigada pelo exercício, foi realmente divertido. Acho que devemos nos juntar à Baronesa para o almoço — sugeriu Eleanor, com um sorriso enigmático, enquanto se dirigiam de volta ao interior da casa.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Ana Regina Fernandes Raposo
ELA VAI DAR UM SHOW DE VINGANÇA TENHO CERTEZA.
2024-08-21
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