No exterior da imponente mansão Firestone, Eleanor conjurava seu feitiço mais poderoso de proteção. Com um gesto decidido, ela ergueu uma colossal barreira mágica ao redor da residência, determinada a evitar que os monstros invadissem o local e colocassem as donzelas em risco, especialmente a princesa.
— Exoflamoverxian. — Sua entonação ressoou com clareza, enquanto a mansão começava a ser envolta por uma aura de magia pura, emanando um brilho intenso que contrastava com a escuridão que se aproximava.
Enquanto isso, o Duque lutava com bravura contra os monstros que ameaçavam a segurança do lugar. Diversos goblins e alguns ogros se espalhavam pelo terreno, mas nada que realmente o intimidasse; ele havia sobrevoado dragões em seu reino, enfrentando desafios muito maiores. No entanto, sua atenção foi abruptamente desviado ao avistar Eleanor do lado de fora da residência. Com um golpe decisivo, ele derrotou o ogro com o qual estava lutando e rapidamente correu em direção a ela.
— O que faz aqui fora? — ele perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
— Alguns goblins estavam invadindo a mansão Firestone, então saí para erguer uma barreira ao redor dela; assim, os monstros não conseguirão entrar. — explicou Eleanor, com uma determinação que iluminava seu semblante.
— Você foi capaz de erguer essa barreira? — ele indagou, espantado com a magnitude da magia que ela havia utilizado.
— Sim... — respondeu ela, mantendo o olhar firme no dele.
— Todo esse tempo na biblioteca, e você estava realmente lendo aqueles livros, não é? Eu deveria ter percebido que uma mulher como você não deve ser subestimada... Seu domínio sobre a magia é extraordinário, mas essa força toda pode resultar em uma dor de cabeça para você, minha Duquesa. Portanto, não revele todas as suas habilidades, ou o rei poderá tentar arrastá-la para o reino de Everhart como uma vassala. — Lucien expressou sua preocupação, o tom de voz carregado de sinceridade.
— Está tudo bem... sei que você irá me proteger, Duque. Então, vamos acabar com esses monstros de uma vez por todas e retornar para o nosso lar. — Ela sorriu, tocando gentilmente o rosto dele, antes de apoiar sua mão sobre o peito do Duque, oferecendo-lhe um leve abraço que transmitia a confiança e a ligação que compartilhavam.
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Com a ajuda da Duquesa e de alguns soldados do príncipe, o Duque conseguiu limpar a área dos monstros. Aqueles que não foram abatidos fugiram em desespero para as florestas densas. Enquanto Eleanor desfazia a barreira mágica que havia protegido o local, alguns cavaleiros presentes ajudavam os feridos a se reunir em um ponto seguro para receber cuidados médicos. Quando o príncipe e a princesa finalmente emergiram da residência, dirigiram-se até Eleanor, que se mantinha firme, embora um pouco abalada pela situação. A princesa parecia mais calma agora.
— Duquesa, por favor, perdoe minha reação anterior. Devemos a você um agradecimento sincero. O rei saberá de suas boas ações e certamente a recompensará. — dizia a princesa, com gratidão evidente em sua voz.
— Não há necessidade, Vossa Alteza. Fico apenas satisfeita em saber que está bem. — respondeu Eleanor, recusando as honrarias oferecidas.
— Que situação inesperada! O reino de Silverlake é repleto de talentos. Não apenas o Duque, que é uma força poderosa, mas você, senhorita, possui um controle impressionante sobre a magícula. É tão raro encontrar damas de nosso reino com tamanha quantidade de magícula, como se fosse abençoada pela própria Deusa deste mundo. Seria você uma nova santa? — questionou o príncipe, com um brilho de curiosidade nos olhos.
— Deusa? Não, de forma alguma. Apenas acredito que todos os infortúnios da minha vida anterior foram recompensados com o dom de aprender. — Eleanor tentou desviar o assunto, sentindo-se desconfortável com a comparação.
— Princesa, Príncipe... Que bom que estão bem. Precisamos nos despedir por agora. Vossa Alteza pode usar nossa carruagem para retornar ao reino, pois Eleanor e eu temos que partir. — interveio o Duque, aproximando-se de Eleanor.
— Mas como podem voltar para vossa casa se estão nos oferecendo sua carruagem? — indagou o príncipe, perplexo.
— Consegui algumas pedras de teleporte ao derrotar monstros em uma antiga masmorra. Não se preocupe, Alteza. — mentiu Lucien, seu tom calmo disfarçando a incerteza.
— Pedras de teleporte! Que raridade! Geralmente é tão difícil conseguir uma dessas. Fico aliviado que possam retornar em segurança. No futuro, organizarei um baile e espero contar com a presença do Duque Silverlake e de sua Duquesa. — Ele sorriu para Eleanor antes de partir com sua irmã, que se despedia com uma breve reverência.
— Vamos aproveitar que todos ainda estão atônitos e partir para o meio da floresta. Assim, poderei chamar Drogo. — sugeriu Lucien, sua mente já concentrada em seus próximos passos.
— Devemos nos despedir, ao menos, da Marquesa Firestone. — Eleanor disse, seguindo em direção à jovem, que parecia assustada ao lado de suas duas amigas.
— Marquesa, meu marido e eu devemos partir por agora. Lamento pelo ocorrido e enviaremos alguns presentes de consolo. Agradecemos pela hospitalidade. — Eleanor disse, mantendo a educação.
— Como você fez aquilo antes? — questionou a jovem Firestone, intrigada.
— Você não seria uma espécie de bruxa, certo? — disse Fairchild, levantando uma sobrancelha.
— Isso foi tão estranho. Nenhuma dama possui esse tipo de poder. A maioria nasce com tão pouca magícula que aquelas que têm muito são consideradas bruxas. — Hartington quase acusou Eleanor com suas palavras.
— Não é nada demais, apenas sou muito abençoada. Talvez a Deusa me tenha como favorita. Bem, obrigada pela hospitalidade, se me dão licença. — respondeu Eleanor, fazendo uma reverência.
— Duque... — A senhorita Firestone segurou o braço dele. — Agradeço por aceitar meu convite. Foi tão bom vê-lo novamente. Posso me despedir com um abraço? Faz tanto tempo que não nos vemos direito...
Eleanor concordou com um leve aceno, enquanto os olhos de Lucien buscavam algum tipo de aprovação dela. Assim que o Duque balançou a cabeça, permitindo a aproximação, a jovem donzela o abraçou com tanta ousadia que se atreveu a fingir escorregar, puxando-o para si e, num ímpeto, roubou um beijo dele. Lucien se afastou rapidamente, olhando para Eleanor com uma mistura de preocupação e confusão.
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— Oh, Céus! Peço perdão, não foi minha intenção, eu apenas escorreguei... — disse ela, com um toque de cinismo na voz, enquanto suas duas amigas trocavam olhares cúmplices, mal conseguindo conter sorrisos debochados nos lábios.
— Tudo bem, senhorita Firestone. Como foi um acidente, vou considerar suas palavras. Sei que meu amado Duque jamais a beijaria por vontade própria. Acidentes assim acontecem, e aqueles que possuem total clareza em suas ações não cometem erros dessa natureza. — Eleanor declarou, enquanto segurava firmemente o braço de Lucien, sua expressão uma mistura de desdém e contenção.
— Vamos? — indagou, com um tom que deixava claro seu desejo de sair daquela situação desconfortável.
Lucien assentiu, acompanhando Eleanor pelo caminho que serpenteava pela floresta. A atmosfera ao redor deles estava carregada de tensão, enquanto a jovem que havia provocado o incidente bufava de raiva, irritada por ver a Duquesa sair sem demonstrar um pingo de ciúmes, como se a situação não a incomodasse nem um pouco. Ao contrário do que ela esperava, Eleanor se comportava de maneira impecável, como uma verdadeira dama, o que apenas alimentava sua frustração.
O silêncio de Eleanor era um reflexo de suas emoções conflitantes; ela não queria mostrar que estava incomodada, consciente de que não deveria cobrar nada do Duque em relação a essa circunstância. A verdade era que toda aquela situação representava um tipo de acordo tácito entre eles, e, apesar de seus sentimentos gritarem em direções opostas, ela sabia que não haveria nada mais entre eles.
A noite estava envolta em um manto de mistério e sombras, com a luz da lua filtrando-se entre as árvores, criando um jogo de luz e escuridão que parecia refletir a confusão em seu coração. Eleanor lutava contra a vontade de se voltar e confrontar a jovem Firestone, mas sabia que isso apenas alimentaria o desprezo que já sentia por ela. Lucien, ao seu lado, parecia alheio à tempestade emocional que se desenrolava dentro dela, absorvido em seus próprios pensamentos.
Enquanto caminhavam, o canto distante dos grilos preenchia o ar fresco da noite, oferecendo um respiro à tensão que permeava o ambiente. Mas, para Eleanor, cada passo que davam parecia pesado, como se o peso de seus sentimentos ocultos estivesse preso em suas pernas, tornando a caminhada ainda mais desafiadora. Ela desejava que a relação entre eles fosse mais clara, que houvesse espaço para a paixão e a vulnerabilidade, mas a realidade a forçava a aceitar que, por enquanto, suas emoções permaneciam nas sombras.
O motivo da presença deles na floresta era claro: Lucien precisava usar sua ligação especial para chamar Drogo, o dragão vermelho,para os levar de volta ao reino de Silverlake. A expectativa de retorno de forma segura para Silverlake eram as únicas coisas que mantinham Eleanor focada, enquanto a incerteza sobre os sentimentos de Lucien pairava entre eles como um mistério não resolvido.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Ana Regina Fernandes Raposo
ELEONOR NÉ TENHO CERTEZA QUE ELE ESTÁ GOSTANDO DE VC , E MUITO ESPECIAL.
2024-08-21
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