No interior da majestosa residência, Emily conduziu Eleanor para dentro da imponente mansão dos Kensington. Elas se dirigiram diretamente à sala de jantar, onde uma mesa elegantemente posta aguardava os convidados. Assim que todos tomaram seus assentos, o Barão fez sua entrada, irradiando uma alegria contagiante, como se esperasse que a visita lhe trouxesse boas novas. No entanto, sua expressão mudou drasticamente ao avistar Eleanor sentada à mesa.
— Boa tarde, Barão. Que prazer revê-lo — disse Eleanor, sem se preocupar em se levantar para cumprimentá-lo, desconsiderando as normas de etiqueta.
— Você... O que faz aqui? — Ele parecia atônito, como se tivesse se deparado com um fantasma do passado.
— Vejo que a família Kensington parece ter esquecido a cortesia ao se dirigir a alguém de posição superior à de vocês — interveio Mirabell, atraindo a atenção de todos os presentes.
— Meu querido, a Arquiduquesa de Silverlake veio nos visitar. Por favor, tenha mais respeito — a Baronesa tentava disfarçar o medo em sua voz enquanto alertava o Barão sobre a necessidade de atenção aos modos.
— Entendo... Peço desculpas por minha falta de modos, Duquesa — o Barão respondeu, fazendo uma reverência respeitosa antes de se sentar à mesa junto aos demais, visivelmente envergonhado pela gafe.
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Eles desfrutaram da refeição em conjunto, embora a atmosfera estivesse carregada de tensão. O nervosismo era palpável, especialmente pela presença de Eleanor, que ressoava em cada canto da mesa, lembrando a todos os acontecimentos passados. Quando a sobremesa foi finalmente servida, Emily decidiu quebrar o silêncio constrangedor.
— Pai, Eleanor me contou sobre o quanto o Arquiduque é amado pelo seu povo, como o reino de Silverlake é rico e próspero. Ela até mencionou que ele não possui a aparência desprezível que os rumores sugerem... Por que nunca me falou sobre isso? — Ela tentava exibir um sorriso que soava mais forçado do que genuíno.
— Porque nunca houve evidência que contradissesse a imagem que se tem dele, uma vez que o povo de Silverlake é notoriamente reservado e relutante em compartilhar informações. Além disso, o reino é quase impenetrável — explicou o Barão, com um ar de resignação.
— Então, você deveria me permitir visitar a mansão de Silverlake para que eu possa apresentar meus cumprimentos ao Duque — sugeriu Emily, com um brilho de determinação nos olhos. — Irmãzinha, você me permitirá fazer essa visita?
— Como desejar... — respondeu Eleanor, enquanto levava o taça aos lábios, tentando ocultar a inquietação que a consumia. — Vocês se importariam se eu permanecesse esta noite na casa da minha família, se é que me permitem?
— Duquesa, o Duque não foi informado sobre isso — sussurrou Lavosk, próximo a Eleanor, com uma expressão preocupada.
— É por isso que você deve voltar e informá-lo. Diga a ele para não tomar nenhuma atitude precipitada, que eu estarei bem e que não há motivo para se preocupar — explicou Eleanor, mantendo um sorriso artificial em seu rosto, enquanto a tensão continuava a pairar sobre a mesa.
— Como desejar, minha Duquesa... Meus senhores, devo me retirar. Agradeço pela calorosa recepção — disse Lavosk, fazendo uma reverência respeitosa antes de deixar o local.
— É verdade que é uma honra tê-la passando esta noite aqui; afinal, esta já foi sua casa — comentou o Barão, enquanto esvaziava sua taça com um gole decidido.
— Maravilha! — exclamou Eleanor, iluminando o ambiente com um sorriso radiante, enquanto batia as mãos em sinal de alegria. — Por favor, preparem alguns aposentos para minha dama de companhia e para o meu comandante da guarda. Eles também merecem descansar esta noite.
O Barão assentiu com a cabeça, sinalizando para os servos que seguissem as instruções da Duquesa. Em seguida, Eleanor levantou-se da mesa, e todos a acompanharam em respeito.
— Por favor, levem-me aos meus aposentos. Gostaria de descansar após esta longa e cansativa tarde — disse ela, mantendo-se firme em seu papel.
— Vou acompanhar a Duquesa — afirmou seu irmão, Lucas, com um tom protetor.
Ele conduziu Eleanor pelas escadas, levando-a até um dos quartos de hóspedes, o mais luxuoso da mansão. Lucas sabia que agora Eleanor não era mais a simples serva que antes haviam menosprezado, mas sim a Arquiduquesa, uma figura de grande importância que merecia todas as honras e respeito. O ambiente estava impregnado de uma mistura de nostalgia e reverência, enquanto os ecos do passado se entrelaçavam com a nova realidade que se desenhava diante deles.
— Obrigada por me guiar até o quarto, irmão... — disse Eleanor, expressando um agradecimento que soava mais como uma formalidade.
— Irmã, sobre o Duque... Poderia falar sobre mim para ele? Sei que nossa relação nem sempre foi a melhor, mas acredito que isso já seja passado. Todos mudamos, não é? Se você conversar com ele, talvez eu consiga ser recomendado como guarda-real do príncipe — Lucas disse, sua voz carregada de esperança.
— Claro, vou me lembrar do seu pedido — respondeu Eleanor, esboçando um sorriso enquanto esperava que ele se retirasse. — Ah...
Ela respirou fundo, encostando-se na parede do quarto, enquanto Mirabell, percebendo a inquietação de sua senhora, aproximou-se com preocupação. A expressão confusa de Mirabell refletia sua incapacidade de compreender a reação da Duquesa.
— O que houve, minha senhora? Está se sentindo mal? — perguntou Mirabell, a voz embargada pela preocupação.
— Não se preocupe, é apenas um enjoo... — Eleanor respondeu, ainda nervosa, tentando disfarçar a verdadeira origem de seu desconforto.
— Será que a Duquesa não estaria... — Mirabell hesitou, não se atrevendo a concluir a frase.
— Não, isso seria impossível... — Eleanor respondeu impulsivamente, antes de refletir sobre suas palavras.
— Mas, minha senhora, o Duque e a Senhorita devem manter uma boa relação em seus aposentos. Seria normal que algo assim acontecesse... — disse Mirabell, confusa pela reação da Duquesa. O que ela não sabia era que Eleanor nunca havia passado uma noite verdadeira com o Duque.
— Acredite quando digo que não é isso. O enjoo vem do peso de todas essas mentiras e sorrisos falsos, dessa falsa modéstia que emana deles. Não suporto! Quero que eles se ajoelhem e me peçam perdão, não apenas a mim, mas a todos os servos também. Lily... ela foi chicoteada cinquenta vezes por minha causa. Depois de adoecer e não termos remédios para tratar suas feridas infeccionadas, ela acabou morrendo. Ela sempre cuidou de mim, assim como todos os servos desta casa.
— Minha senhora, não posso imaginar o quanto de coisas terríveis a senhora deve ter passado — disse Mirabell, segurando as mãos de Eleanor com ternura.
— Obrigada, Mirabell. Agora, vá descansar. Agradeço por ter me acompanhado; não se preocupe, ficarei bem sozinha... — Eleanor disse, caminhando para dentro do quarto, sentindo-se um pouco mais leve ao desabafar.
— Com licença, minha Duquesa. Se precisar de mim, estarei bem ao lado — respondeu Mirabell, fazendo uma reverência respeitosa antes de se afastar, deixando Eleanor a sós com seus pensamentos e lembranças dolorosas.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Ana Regina Fernandes Raposo
AI AUTORA QUE HISTÓRIA LEGAL E POUCO, ME CINTI NELA.
2024-08-21
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