Banquete dos Monstros

Quando o Duque e a Duquesa encerraram sua primeira dança, a atmosfera do salão se agitou ainda mais do que diante da presença das temíveis bestas do Norte. Era o príncipe e a princesa que, ao aceitarem o convite da Marquesa Firestone, compareceram ao banquete devido a uma informação preciosa: o Arquiduque de Silverlake confirmara sua presença. Embora suas intenções não fossem claras à primeira vista, não era segredo para nenhum reino o quanto o rei almejava que o Arquiduque se tornasse seu vassalo, o braço mais forte de seu domínio. Controlar um dos homens mais poderosos de todos os reinos seria, sem dúvida, uma jogada decisiva.

O príncipe adentrou o salão com uma presença magnética, sua irmã, a princesa, seguia logo atrás, emanando uma delicadeza tímida. Ela era uma jovem reservada, que falava pouco, mas cuja presença serena não passava despercebida. Assim que o príncipe avistou Lucien, apressou os passos em direção ao Duque, ansioso para cumprimentá-lo.

— Saudações ao Arquiduque de Silverlake! Como vai, novo amigo? — O príncipe forçava um tom de familiaridade, como se tentasse estabelecer uma conexão mais próxima.

— Eu o saúdo, Vossa Alteza Real. — O Duque respondeu, sem se curvar como a etiqueta exigia, o que imediatamente provocou murmúrios entre os convidados sobre sua falta de respeito e a ousadia de desafiar a coroa.

— Saudações, Duque. — A princesa fez uma leve reverência com graça. — A senhorita deve ser a Arquiduquesa de Silverlake, considerando o quanto o Duque se apega a você com tanta proximidade.

Apesar da força e perspicácia do príncipe, sua ignorância o impediu de perceber os sutilmente reveladores sinais que estavam diante dele. Sua falta de cortesia ao não cumprimentar a jovem Duquesa foi um deslize notável.

— Peço perdão pela minha falta de modos, Duquesa. Não imaginava que a senhorita fosse a esposa de nosso estimado Duque. — Ele se virou para cumprimentá-la, e ao encontrar o rosto da donzela, seus olhos brilharam como brasas ardentes; nunca antes ele havia testemunhado tanta beleza em uma jovem do reino. — Céus, a senhorita é deslumbrante! Peço perdão, Duque, mas como conseguiu encontrar uma graciosidade como essa?

— Agradeço ao príncipe por valorizar a beleza de minha esposa. — O Duque respondeu, mantendo a calma em sua voz, embora a raiva começasse a ferver dentro dele.

— Se me permitir, gostaria de convidar sua esposa para uma dança. — O príncipe ousou perguntar, com um sorriso que insinuava confiança.

Percebendo a raiva quase palpável nos olhos do Duque, Eleanor aceitou imediatamente o convite do príncipe, antes que este pudesse fazer algo que comprometesse sua posição.

— Claro, Vossa Alteza Real, seria uma honra. Com sua licença, meu marido. — Eleanor fez uma reverência delicada antes de se dirigir ao salão de dança, seu coração pulsando com uma mistura de emoção e tensão.

...{Lucien}...

••• Um jovem tão mimado é imprudente, sempre desejando tudo o que seus olhos cobiçam. Mesmo pertencendo à família real, não permitirei que ninguém tire Eleanor de mim. Se for necessário, enfrentarei guerra contra os sete reinos para protegê-la. •••

O Duque parecia imerso em seus pensamentos, absorto em um transe que parecia não ter fim, até que a jovem princesa o despertou com sua voz suave:

— Peço perdão pela atitude do príncipe. Ele é jovem e imprudente, mas, se me permite dizer, o senhor escolheu uma dama encantadora para estar ao seu lado. Ela é tão graciosa e inteligente, observando como tomou a dianteira antes mesmo que o Duque pudesse agir, evitando que a situação lhe custasse o pescoço. — As palavras dela eram calmas e ponderadas, enquanto seus olhos se fixavam na dança do príncipe com a Duquesa.

Ao ouvir aquelas palavras, Lucien desviou seu olhar para o salão, onde a dança acontecia em meio a risos e sussurros. Ele compreendeu, então, que a atitude da Duquesa havia sido uma resposta à sua própria incapacidade de controlar as emoções naquele momento tenso. A necessidade de Eleanor de intervir o incomodou profundamente; ele não permitiria que sua fraqueza a forçasse a assumir a liderança novamente. Seria ele quem a protegeria, sempre.

— Como tem estado, Charlotte? — ele a chamou pelo primeiro nome, um gesto que demonstrava uma familiaridade que poucos ousariam ter.

Para muitos, era curioso observar a forma como a princesa tratava o Duque. Ele, um homem frequentemente visto como arrogante e desprezível, era recebido com uma generosidade que parecia desproporcional. A amizade entre eles se formara desde a infância, quando seus laços foram entrelaçados por um desejo de unir as famílias. O rei e o antigo Arquiduque de Silverlake, em seus dias de juventude, sonharam com essa aliança, mas a pequena Charlotte nunca se sentira atraída romanticamente pelo Duque. Sua intenção era manter a amizade, e assim, trocaram cartas por diversas vezes.

Em algumas dessas correspondências, Charlotte havia revelado ao Duque seus sentimentos por um jovem cavaleiro do reino de Silverlake, que acompanhara Lucien em uma de suas conquistas. O Duque, com um espírito generoso e um coração que, embora endurecido pelas circunstâncias, ainda sabia acolher, ofereceu seu apoio à jovem princesa. Charlotte sempre apreciou o respaldo que ele lhe proporcionava, um eco da amizade que florescera ao longo dos anos, iluminando os caminhos que ambos trilharam.

...{Eleanor}...

Enquanto o príncipe e Eleanor dançavam, um silêncio profundo pairava sobre eles a cada passo, criando uma atmosfera que, embora elegante, incomodava o príncipe. Ele logo decidiu quebrar aquele silêncio constrangedor.

— A senhorita é bastante reservada enquanto dança. As donzelas deste reino não costumam adorar conversar durante o baile? — ele indagou, mantendo os olhos fixos nela.

— Peço desculpas, Alteza, mas creio que não sou como as moças deste reino. — ela respondeu, mantendo um tom frio.

— Por favor, não há necessidade de tanta formalidade entre nós. Você pode me chamar de Maximilian ou, se preferir, Max. — Ele tentava, mais uma vez, insinuar uma intimidade que parecia um tanto forçada.

— Alteza, de modo algum. Uma jovem casada como eu não deve tratar um príncipe solteiro com tamanha familiaridade. Prefiro manter minha modéstia, se me permite. — Ela o desafiou com suas palavras, provocando uma risada no príncipe.

— Agora entendo como conquistou o coração do Duque. Você é tão incisiva com seu próprio sexo quanto uma verdadeira dama seria. — Ele disse, rindo.

Quando a dança finalmente chegou ao fim, o príncipe estava prestes a agradecer a jovem pela dança, quando um terrível som de explosão ecoou pelo local. Pessoas irromperam de fora, gritando, e alguns soldados feridos entraram em pânico.

— Monstros! Há monstros lá fora... — um rapaz exclamou, coberto de sangue, antes de colapsar no chão.

O Duque correu em direção a Eleanor, preocupado com seu bem-estar após a explosão.

— Eleanor! Você está bem? — ele questionou, sua voz transbordando preocupação.

— Sim, mas há pessoas feridas lá fora... você preciso ajudá-las. — respondeu ela, tocando suavemente o rosto de Lucien.

— Você ficará bem? — ele insistiu, ainda ansioso.

— Eu sou a Arquiduquesa do reino de Silverlake. O que são alguns monstros comparados às feras que habitam nosso lar? — disse ela, com orgulho.

— Vossa Alteza, peço que permaneça aqui e proteja as jovens do reino. Eu irei enfrentar os monstros lá fora. — Ele a deixou, apressado.

No entanto, Eleanor se dirigiu ao rapaz ferido, e o príncipe a seguiu, seus olhos fixos nela, mesmo após o pedido do Duque.

— O que você está fazendo? Deveríamos esconder as jovens em um lugar seguro. — ele disse, tentando disfarçar seu nervosismo.

— Preciso ajudar os feridos. — Eleanor posicionou a mão próxima à ferida do rapaz e, sem tocá-la, recitou uma palavra mágica de cura. — Vitaelis.

Ao pronunciar aquelas palavras, seus olhos brilharam em um tom escarlate, e uma luz da mesma cor emanou de sua mão, envolvendo a ferida do jovem caído. O príncipe observou, surpreso; ele não sabia que Eleanor era tão habilidosa em magia de cura. Embora fosse comum algumas donzelas saberem curar, a rapidez com que ela restaurou o rapaz era impressionante.

— Muito obrigado, Duquesa. — o jovem agradeceu, levantando-se.

Enquanto algumas jovens, ainda atordoadas pela situação, corriam e gritavam, os cavalheiros lutavam do lado de fora contra os monstros. A princesa se escondera em um canto da sala, mas, de uma janela próxima, um goblin irrompeu, brandindo uma clava. Ele destruiu mesas à sua passagem e, ao perceber a princesa escondida, correu em sua direção para atacá-la. Mas Eleanor, percebendo o perigo, correu para salvá-la e recitou um novo feitiço. — Lanstrix!

......................

......................

Aquele feitiço foi tão poderoso que, mesmo com Eleanor controlando a intensidade da mágica, fez um enorme buraco no corpo do goblin, sendo um ataque semelhante a um espinho de magícula que perfura tudo aquilo que toca, provocando um grito de susto da princesa ao ver o monstro cair.

Eleanor se aproximou da jovem ainda assustada e disse ao príncipe:

— Fique com a princesa. Vou lançar uma magia que protegerá toda a área da residência, impedindo a entrada de qualquer monstro. — Sua voz soava quase como uma ordem.

— Mas é você? — Mesmo diante daquela situação caótica, o príncipe continuava preocupado com Eleanor.

— Eu sei me virar sozinha. — respondeu ela, antes de correr para fora da mansão.

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Comments

Ana Regina Fernandes Raposo

Ana Regina Fernandes Raposo

ADORANDO ESSA MAGIA, ESPERO QUE ELA NÃO SEJA ENFORCADA PELA MAGIA DELA.

2024-08-21

1

Katilene Kk

Katilene Kk

mais atualização por favor 🥹🥹🥹🥹

2024-08-01

2

Ver todos

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