Cheguei em casa e encontrei minha tia e meu primo, que tem uma idade próxima à minha. Nós resolvemos pedir uma pizza e ficamos bebendo cerveja e conversando até tarde da noite. Havia muito tempo que não passávamos um tempo juntas, por isso, estava curtindo ao máximo esse momento.
Minha tia contou que estava se divorciando. O marido dela sempre foi um homem muito frio e nunca tentou se aproximar dos familiares dela. Eu conversei com ele pouquíssimas vezes. Ela não parecia triste com o divórcio, na verdade, disse que era um alívio porque estava muito desgastada. Meu primo também não importava com o divórcio porque não aguentava mais tanta briga dos pais.
Minha tia ficaria mais próxima de nós. Minha mãe gostava muito dela e sentia muita falta quando se afastavam. Enquanto elas conversavam, eu brincava com meu primo dizendo que iria apresentá-lo a uma amiga para ele arranjar uma namorada. Estávamos todos tão descontraídos e nos divertindo muito, quando vimos ser meia-noite e minha tia precisava ir embora. Nos despedimos e fui para meu quarto dormir.
No dia seguinte, fui ler a carta que encontrei no armário da escola de idiomas. Estava escrito: “Lara, por consideração e por achar você uma boa pessoa, senti necessidade de te avisar algo ao qual não gostará. O Daniel está te traindo com a sua amiga, a professora Luíza. Eu presenciei os dois se beijando dentro da sala dele, por duas vezes. Isso sem contar as trocas de olhares de desejo entre os dois o tempo todo. Inclusive, outros professores já notaram que existe algo errado entre eles.”
Eu li aquilo três vezes seguidas. Não tinha assinatura e seria impossível reconhecer a letra. A princípio, pensei que era uma pegadinha ou uma tentativa de destruir meu noivado, não conseguia aceitar que fosse verdade. Mas, ao mesmo tempo, lembrei que a Luíza tinha me ignorado e não conversava mais comigo. Fiquei pensando por quinze minutos e resolvi ligar para a Luíza, que não me atendeu.
Então, liguei para a escola de idiomas e perguntei que horas e qual dia ela teria aula e me informaram que seria amanhã às sete horas da noite. Eu estava decidida em procurar respostas. Mais tarde, o Daniel me ligou e não contei nada. No dia seguinte, esperei ansiosamente pelas sete horas da noite e chegando no horário, fui até a escola de idiomas. Todos os professores me perguntavam o que eu fazia lá e eu disse que esperava pela Luíza.
Fiquei sentada na sala dos professores esperando por ela. Quando terminou a aula, ela chegou na sala e me olhou com surpresa e depois demonstrou estar feliz por me ver, como se nunca tivesse ignorado minhas tentativas de contato. Chamei-a para sair e jantar comigo e ela disse que estava ocupada. Eu insisti que precisava conversar, dizendo que seria rápido e não tomaria o tempo dela. Nós fomos para o estacionamento e ela pediu para que eu entrasse em seu carro. Sem rodeios, eu disse:
– Fiquei sabendo que você e o Daniel estão tendo um caso. Procede?
– Você veio até aqui para me acusar? – Disse com espanto e nervosa.
– Não vim te acusar, vim saber a verdade. Afinal, você não atende minhas ligações e não responde minhas mensagens. Você sumiu de repente, ignorando quando te procuro… Só te peço que me diga a verdade.
– E se for verdade?
– Então, é verdade?
– Já que quer tanto saber… É verdade, por isso tenho te ignorado. Tive pena de você. Foi o Daniel que me procurou e eu neguei, mas, ele ficou insistindo e por ser tão bonito não resisti. A primeira vez foi quando saímos para jantar com outros dois professores. Eu bebi muito e acabei cedendo. Depois disso não consegui mais parar. – Ela me observou como se esperasse uma reação escandalosa. E continuou:
– Vai fazer o quê? Vai ficar calada?
– Que bom que confirmou… – Fui saindo do carro e ela travou a porta, dizendo:
– Espera um pouco, já que estamos conversando, preciso te dizer mais umas coisas. – Disse enquanto dava partida no carro.
– Onde você vai?
– Precisamos terminar essa conversa.
– Não há nada mais a conversar, pare o carro.
– Deixe eu falar primeiro e te deixo sair depois. – Eu fiquei calada esperando que ela continuasse. Ela parecia assustadora, me olhava e dirigia, esperando que eu fizesse algo. Então, disse:
– Nós dormimos juntos na casa dele várias vezes, se você fosse observadora teria encontrado coisas minhas por lá. Eu deixava de propósito para que você pudesse ver e perceber que ele tinha uma amante e terminasse o relacionamento. Como não percebeu, vejo o quanto é sonsa. Afinal de contas, como ficou sabendo?
– Isso não importa. E por que você queria que eu soubesse que ele tinha uma amante?
– Você é idiota? Claro que eu quero ele só para mim. O Daniel é bonito, muito rico, simpático, engraçado e ainda bom de cama. Duvido que ele faz com você as coisas que faz comigo na cama. Deve ser por isso que ele gostou tanto de mim e não conseguia me deixar.
– Uau… como você é abusada. Você não tem vergonha na cara? – Ela começou a rir de forma escandalosa e debochada, dizendo:
– Não aguenta a verdade, queridinha?
– Para o carro, me deixa sair ou vou ligar para a polícia. – Ela começou a rir ainda mais.
– Liga mesmo, sempre quis estar em uma perseguição policial, é bom que todos fiquem sabendo como você é trouxa, uma corna. – Dizia dando risadas.
– Você deve estar louca, para logo o carro.
– Só deixo você sair quando disser que vai terminar o noivado e deixar o Daniel só para mim.
– Deixo. Fica com ele para você. Agora, para esse carro que preciso sair daqui, estou passando mal.
– Você é uma sonsa mesmo. – Ela gargalhava e acelerava o carro.
O sinal ficou vermelho e ela parou. Aproveitei para abrir o vidro e gritar por socorro, mas, foi muito rápido e imediatamente ela me deu um tapa tão forte no rosto que senti arder. Meu rosto começou a queimar e meu ouvido a zumbir.
Sem pensar, ela furou o sinal vermelho, fechou os vidros do carro e aumentou a velocidade de forma absurda. Vi um carro branco se aproximar do meu lado, era questão de segundos, tudo aconteceu muito rápido. Depois, não vi mais nada, tudo se apagou.
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Atualizado até capítulo 45
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