Capítulo 7: Possibilidades

Minha mãe voltou da clínica de recuperação para casa e parecia melhor. Estava mais calma, eu esperava que continuasse assim. Eu tentava evitar conversas mais profundas que podiam gerar alguma discussão. Na verdade, andava ocupada com a faculdade e como professora, não tinha muito tempo.

Na escola de idiomas, começava a achar que o Daniel, professor de espanhol, estava me paquerando. Ele sempre vinha conversar comigo depois das minhas aulas, chegou a me chamar para sair, mas por estar muito cansada e ainda precisava terminar um trabalho da faculdade, neguei a oferta. Porém, ele disse que voltaria a fazer o convite.

Certa vez, minha amiga Luíza me disse que ele perguntou de mim parecendo bem interessado, queria saber se eu tinha namorado. Isso me deixou com uma boa autoestima porque o Daniel era muito bonito, tinha reparado que outras professoras ficavam de sorrisinhos para ele. Apesar disso, não queria ficar com ninguém porque eu tinha saído de um longo relacionamento, mesmo passado meses, ainda pensava muito no Estefano.

Ao fim de uma aula, ele me abordou, ofereceu uma carona e aceitei. Durante o caminho, ele disse que me achava uma garota muito interessante, que tinha chamado a atenção dele desde o primeiro dia que me viu. Fiquei surpresa porque foi bastante direto, considerando o fato que tínhamos conversado pouco desde que nos conhecemos. Eu não sabia o que dizer.

Quando cheguei em casa, fiquei pensando, ele era bonito e simpático, talvez se saíssemos juntos eu poderia finalmente esquecer o Estefano de uma vez por todas. Talvez, eu devesse me permitir mais, me soltar. Ultimamente, só me interessava em estudar, trabalhar e lidar com minha mãe, eu devia descontrair um pouco.

No dia seguinte, ele veio falar comigo novamente, estava virando costume. Nós conversamos por quase uma hora. Depois, me convidou para um encontro e eu relutei muito em meus pensamentos, fiquei sem dizer nada por quase um minuto. Ao refletir muito, resolvo aceitar. Marcamos de ir ao cinema no fim de semana. Eu ficava muito confortável ao lado dele. Até mesmo tinha a sensação que já nos conhecíamos há muito tempo porque ele era uma pessoa agradável e fluída, também muito engraçado.

No dia do encontro, deu tudo certo, ele foi muito gentil, insistiu para pagar as contas tanto do restaurante como do cinema. Durante a sessão de cinema me beijou, achei tudo tão rápido. Foi um beijo ótimo, parecia intenso e impaciente em esperar acontecer naturalmente. Ele tinha muita atitude, não perdia tempo algum, tomava todas as iniciativas. Fazendo-me, sem querer, compará-lo com as atitudes do Estefano, que eram muito diferentes.

Eram tão diferentes que fiquei me perguntando como eu poderia estar me interessando por um homem oposto ao qual estava acostumada. O provável motivo seria tentar esquecer do Estefano, por isso, queria um homem diferente. O Estefano apesar de comunicativo era introvertido e sério, geralmente demorava muito para tomar iniciativa. Já o Daniel, era muito brincalhão, bastante extrovertido e impaciente, sem medo de atacar, por assim dizer. Parecia não pensar nas consequências e apenas fazia o que dava vontade.

Nosso encontro foi bom, logo depois, ele me enviou mensagem dizendo que queria me encontrar novamente. Antes, achava ele muito bonito, mas não estava interessada, só queria fazer amizades na escola de idiomas. Porém, depois do encontro, estava com borboletas no estômago quando pensava nele. Passamos a ficar cada vez mais próximos, ele me oferecia carona depois das aulas, que sempre terminavam com um beijo quando chegávamos na porta da minha casa.

Ele era muito alto-astral, todos os meus pensamentos negativos e ansiosos, minhas preocupações em relação à saúde mental da minha mãe, a saudades do Estefano, a ansiedade em dar aulas, tudo foi embora. Eu só conseguia pensar em estar ao lado do Daniel. Ele me fazia feliz. Nós estávamos praticamente namorando, mas eu não tinha contado para ninguém, apenas para minha amiga da escola de idiomas, a Luíza.

Ela estava muito empolgada, ficava me incentivando e quando nós duas estávamos conversando e o Daniel chegava, ela dava um jeito de sair de perto só para nos deixar a sós. Eu não queria que ninguém mais da escola notasse nosso relacionamento. Mas, ela dizia que fazíamos um belo casal e devíamos aproveitar sem medos. Mas, a escola de idiomas, em minha opinião, era apenas um ambiente profissional e não queria perder o foco como professora.

O Daniel estava cada vez mais empenhado na nossa relação, começou a me levar para sair sempre, algumas vezes aparecia na porta da minha faculdade e se oferecia para me deixar em casa. Estávamos muito bem e felizes. No entanto, ele começou a ficar muito tranquilo, demostrava em público os seus sentimentos e os outros professores começaram a perceber que estávamos tendo alguma relação.

Ele me abraçava, segurava na minha cintura, conversava olhando profundamente e muito próximo que às vezes eu tinha medo que me beijasse na frente de todos. Eu via os professores fofocando pelos cantos, enquanto olhavam em nossa direção. Eu ficava com receio, porém, resolvia ignorar porque era o melhor a se fazer.

O Daniel cismou que queria conhecer minha mãe. Ela ainda estava em recuperação, não estava em boas condições mentais. Por isso, tive que contar todos os problemas que ela passava. Ele foi compreensivo e eu preferi esperar um pouco mais. Porém, por outro lado, tive que conhecer os pais dele. Odiava essa ideia de socializar com família de namorado. Na minha opinião, as pessoas só deviam apresentar os namorados aos pais quando fossem se casar.

Eu achava desnecessário, ele nem sequer morava com seus pais, morava sozinho, só que com tanta insistência fui almoçar na casa deles. Quando os conheci fiquei muito surpresa com o quanto eram ricos. Eu não sabia o que conversar com eles, então, fiquei apenas respondendo o que me perguntavam. Foi estranho e constrangedor no começo, mas depois de algumas horas comecei a me sentir mais confortável. Entretanto, estava louca para ir embora.

Só que o Daniel não deixaria apenas por isso, ele quis me apresentar aos seus amigos também. Ele tinha muitos amigos. Disse que teria uma festa na casa de um deles e seria o momento ideal para que eu os conhecesse. Assim, chegou o dia e me arrumei bastante, queria parecer a garota mais linda da festa e deixar seus amigos impressionados. Quando cheguei me disseram que estavam ansiosos para me conhecer. Foram bem receptivos.

Depois de poucos minutos, sentia-me confortável e conversava com todos. Era uma ótima festa, até que, chegou uma garota bonita que parecia ser a estrela da festa, chamou a atenção de todos. Eu perguntei a um amigo do Daniel quem era a garota e percebia que ele ficava sem graça em responder, dizia-me ser uma das amigas deles. Mas, eu percebia algo estranho.

Fui perguntar ao Daniel quem era ela, mas antes que terminasse de falar, a garota veio na direção dele o abraçou e deu um beijo no canto de sua boca, de forma bem íntima e ainda disse que estava com saudades. O Daniel, ficou sem graça, afastou-se rapidamente e me apresentou como sua namorada. Ela me olhou com desdém e disse: “Nossa! Não sabia que você tinha me superado”. Quando fui responder de forma grosseira, o Daniel disse para a garota deixar de implicância, levou-me pela mão a outro lugar. Eu quis tirar satisfação:

— Daniel, quem é essa desaforada? É alguma ex-namorada?

— Sim, mas terminamos há muito tempo, tem sete meses. Eu terminei com ela, que não aceitou o fim e tentou voltar várias vezes. Não a leve em consideração. Ela vive inventando histórias.

— Por que você não me falou dessa garota antes? E por que ela está aqui?

— Ela é amiga dos meus amigos e eu não tenho mais contato. Ela ficou me perseguindo. Não sabia que estaria aqui.

Agora pronto, eu teria que lidar com uma ex namorada louca e perseguidora, que não tinha superado o término deles. Fiquei muito chateada porque se soubesse não teria começado a namorar. Detesto esse tipo de drama. Eu queria ir embora da festa, mas se eu fosse embora imediatamente todos e inclusive a garota achariam que me deixei abalar. Por isso, decidi ficar mais um pouco. Uma das amigas do Daniel me disse:

— Não liga para a Carla, ela tem esse jeito mesmo. Acho que já chegou aqui bêbada. – Carla era o nome da ex-namorada.

— Eu não estou ligando. – Claro que eu estava, só não admitiria.

— O Daniel parece gostar muito de você.

— Por que ela agiu daquela forma com ele? – Disse, ignorando o comentário dela.

— Ela ainda gosta dele. Tudo que sabemos é que rolou traição no relacionamento deles.

Quando olhei para a garota, ela estava dançando de forma provocativa próxima ao Daniel enquanto lançava olhares para ele. Eu estava irritada com tudo aquilo e disse ao Daniel que queria ir embora. Ele não aceitou minha partida, portanto, fui saindo sem mais explicações. Ele veio atrás, chamando-me:

— Lara… Espere eu vou te levar em casa.

– Eu não quero ir com você, estou chamando um Uber. Você deve ficar e resolver essa situação com sua ex-namorada. – Rapidamente, meu Uber chegou, eu entrei e fechei a porta na cara dele, que estava dizendo algo que nem sequer escutei.

No dia seguinte, ele me mandou mensagem dizendo que foi embora da festa na mesma hora da minha saída. Encaminhou-me uma captura de tela de uma conversa com a ex dele, onde dizia para ela se afastar dele e depois disse que bloqueou o contato dela. Apenas visualizei e não respondi, ainda estava com raiva. Depois, ele me ligou:

— Lara, me desculpe por ontem, isso nunca mais vai acontecer.

— Daniel, eu continuo chateada, não gosto desse tipo de drama.

— Eu vou me afastar dela de uma vez por todas, prometo. Eu te amo Lara, quero fazer de tudo para que nosso namoro dê certo.

Ele nunca tinha dito que me amava. Não respondi nada, ele percebeu e continuou falado que a ex-namorada não significava mais nada na vida dele. Por fim, depois de uns dez minutos de conversa, eu resolvi deixar essa situação passar e focar em ficarmos juntos.

Nos dias seguintes, ele estava muito empenhado em me fazer ficar de bom humor, presenteava-me com chocolate todos os dias, mandava mensagens fofas a todo momento, levava-me para jantar em restaurantes chiques. Tudo estava bem novamente. Ele estava carinhoso.

Capítulos
1 Capítulo 1: O começo
2 Capítulo 2: O Garoto
3 Capítulo 3: Novidades
4 Capítulo 4: Situações imprevistas
5 Capítulo 5: Nem tudo são flores
6 Capítulo 6: Novidades
7 Capítulo 7: Possibilidades
8 Capítulo 8: Surpresa
9 Capítulo 9: Decepções
10 Capítulo 10: Perigoso
11 Capítulo 11: Fascínio
12 Capítulo 12: Nada ocorre como o esperado
13 Capítulo 13: O outro lado da história
14 Capítulo 14: Consequências
15 Capítulo 15: Situação
16 Capítulo 16: Intensamente
17 Capítulo 17: Acabou
18 Capítulo 18: Quem é vivo sempre aparece
19 Capítulo 19: Descobrindo
20 Capítulo 20: Comemoração
21 Capítulo 21: O passado que volta para assombrar
22 Capítulo 22: Medo
23 Capítulo 23: Desespero
24 Capítulo 24: Pausa necessária dos problemas
25 Capítulo 25: Declaração
26 Capítulo 26: Tudo parece bem
27 Capítulo 27: Inacreditável
28 Capítulo 28: O mal venceu
29 Capítulo 29: Sacrifício
30 Capítulo 30: Fatídica noite
31 Capítulo 31: Mudança de comportamento
32 Capítulo 32: Projetos
33 Capítulo 33: Altos e baixos
34 Capítulo 34: Surpresa infeliz
35 Capítulo 35: O passado vem à tona
36 Capítulo 36: Compreensão
37 Capítulo 37: Dor
38 Capítulo 38: Angustia
39 Capítulo 39: Ponto final
40 Capítulo 40: Inacreditável
41 Capítulo 41: Lidando
42 Capítulo 42: Tentativa
43 Capítulo 43: Um grande dia
44 Capítulo 44: Surpresas
45 Capítulo 45: Meu momento
Capítulos

Atualizado até capítulo 45

1
Capítulo 1: O começo
2
Capítulo 2: O Garoto
3
Capítulo 3: Novidades
4
Capítulo 4: Situações imprevistas
5
Capítulo 5: Nem tudo são flores
6
Capítulo 6: Novidades
7
Capítulo 7: Possibilidades
8
Capítulo 8: Surpresa
9
Capítulo 9: Decepções
10
Capítulo 10: Perigoso
11
Capítulo 11: Fascínio
12
Capítulo 12: Nada ocorre como o esperado
13
Capítulo 13: O outro lado da história
14
Capítulo 14: Consequências
15
Capítulo 15: Situação
16
Capítulo 16: Intensamente
17
Capítulo 17: Acabou
18
Capítulo 18: Quem é vivo sempre aparece
19
Capítulo 19: Descobrindo
20
Capítulo 20: Comemoração
21
Capítulo 21: O passado que volta para assombrar
22
Capítulo 22: Medo
23
Capítulo 23: Desespero
24
Capítulo 24: Pausa necessária dos problemas
25
Capítulo 25: Declaração
26
Capítulo 26: Tudo parece bem
27
Capítulo 27: Inacreditável
28
Capítulo 28: O mal venceu
29
Capítulo 29: Sacrifício
30
Capítulo 30: Fatídica noite
31
Capítulo 31: Mudança de comportamento
32
Capítulo 32: Projetos
33
Capítulo 33: Altos e baixos
34
Capítulo 34: Surpresa infeliz
35
Capítulo 35: O passado vem à tona
36
Capítulo 36: Compreensão
37
Capítulo 37: Dor
38
Capítulo 38: Angustia
39
Capítulo 39: Ponto final
40
Capítulo 40: Inacreditável
41
Capítulo 41: Lidando
42
Capítulo 42: Tentativa
43
Capítulo 43: Um grande dia
44
Capítulo 44: Surpresas
45
Capítulo 45: Meu momento

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