Quando eu entrei na faculdade conheci todo tipo de gente e vi coisas legais e algumas nem tanto. Meu curso ficava em um grande campus e pude ter contato com alunos de diversos outros cursos, trocar muitas experiências e conhecer pessoas com pensamentos diferentes dos meus. Logo no meu primeiro ano, criei uma rede social e comecei a seguir meus antigos colegas de escola para saber o que estavam fazendo, inclusive o Estefano. Foi assim que descobri que ele estava namorando. Acho que foi por isso que se afastou completamente nos últimos meses.
Eu fiquei com uma sensação estranha e foi nesse momento que percebi meus sentimentos, no fundo, sentia algo maior que amizade, queria ele como namorado. Só que era tarde de mais para isso, deixei passar a oportunidade. Resolvi não entrar em contato para não ficar com ciúmes e tentar esquecer. Em contrapartida, comecei a prestar atenção em outros garotos, os da faculdade. Um deles me chamou muito atenção, ele era muito bonitinho, não era um garoto muito lindo, porém, era simpático.
Ele tinha os cabelos castanhos e bem curtos, olhos acinzentados e um sorriso maravilhoso. O fato dele estar sempre sorrindo me cativou. Também, tinha um olhar expressivo e compenetrante. Era muito sociável, conversava com todos. Acho que logo percebeu meu interesse porque começou a trocar olhares comigo, que durou por meses, sem nenhum de nós tomar qualquer atitude.
Certa vez, o professor pediu um trabalho em grupo, e, não sei como, o destino nos colocou no mesmo grupo. Foi aí que tive chance de me aproximar. Começamos a conversar devido ao trabalho, o que antes era apenas um “bom dia”, passou a ser troca de ideias por uma hora contínua. Claro, a maioria do tempo sobre a matéria do trabalho. Porém, melhor do que nada.
O pessoal do grupo marcou de finalizar o trabalho na casa de uma colega em uma sexta-feira depois da aula. Lá fomos, um grupo de cinco pessoas. Depois de duas horas de planejamento e adequação do trabalho, estávamos conversando outros assuntos e rindo por qualquer motivo. A dona da casa resolveu pedir a um dos colegas que comprasse cervejas para ficarmos até tarde da noite divertindo. Aquela foi a primeira vez que me senti uma legítima universitária curtindo a vida.
Após bebermos por um tempo, todos estavam bem soltos e jogados, gritando e cantando. O garoto de quem eu gostava se aproximou e começou a conversar comigo. Eu estava bêbada e não lembro o que conversávamos, só me lembro que em determinado momento me contou que percebia o jeito que eu olhava para ele e também começou a se interessar por mim. Disse que gostava de garotas inteligentes como eu.
Depois, aproximou-se lentamente, tão próximo que pude sentir sua respiração, até que ele encostou seus lábios aos meus. O meu coração se acelerou. Era a primeira vez que eu beijava alguém já que passei o ensino médio lutando contra encontros amorosos. Também, foi o meu segundo beijo, terceiro, quarto e seguintes, porque nos beijamos por toda a noite, trocamos amassos e carinhos sem parar.
O fim de semana passou, na segunda-feira eu não sabia como reagir quando chegasse na faculdade, estava ansiosa para ver o garoto, por um lado queria mais dele, mas por outro, estava satisfeita e não queria mais nada. Ao chegar na faculdade, o garoto veio sorrindo ao meu encontro e me deu um beijo demorado na bochecha para me cumprimentar, algo que ele nunca fazia.
Me disse: “sexta passada foi bem louco, né?”. Eu apenas assenti com a cabeça em confirmação e a aula começou. Trocamos olhares por umas cinco vezes durante uma hora de aula, ele sempre com um sorrisinho suspeito. O intervalo chegou e me chamou para conversar junto ao seu grupo de amigos, mas eu recusei, afirmando estar ocupada.
Na verdade, eu não queria mais nada com ele além daqueles beijos trocados. A ilusão tinha passado, apesar de sentir meu coração palpitar todas às vezes que ele me olhava, não era grande coisa. A partir daquele dia, estranhamente comecei a parar de trocar olhares e me afastei dele. Acho que rapidamente ele notou a mudança e também se afastou de mim.
No início do semestre seguinte, encontrei na faculdade a antiga amiga da escola, a Diana. Ela veio conversar comigo imediatamente ao me ver. Fiquei surpresa por encontrá-la fazendo o mesmo curso que eu. Todas às vezes que nos esbarrávamos pelos corredores, ela vinha conversar comigo. Uma amiga, chamada Gabriela, que sempre estava comigo pela faculdade, começou a estranhar a Diana, dizia que era do tipo de pessoa com algum interesse por trás de suas atitudes. Eu não julguei, no ensino médio ela tinha uns comportamentos duvidosos.
A Diana tentava forçar nossa amizade, que já não era a mesma desde o ensino médio. Certa vez, conversou comigo por um longo tempo, falávamos sobre nossos colegas de escola. Foi quando ela mencionou o Estefano. Disse que falou com ele algumas vezes depois que terminamos a escola, que alegou estar muito bem em sua universidade. Eu contei que ele estava namorando e ela ficou surpresa. Falou: “Ele não era apaixonado por você? Parece que muita coisa mudou desde então”. Claro que mudou, ele não poderia me esperar para sempre, pensei.
Por tal conversa, ela sugeriu que marcássemos um encontro para relembrar os velhos tempos. Disse que enviaria mensagem ao Estefano o convidando para uma saída em grupo. Eu aceitei, mas não imaginei que ela realmente faria acontecer. No entanto, estava enganada, descobri dias depois que ela realmente falou com ele e planejavam o encontro.
Até aquele momento, não imaginava poder encontrá-lo novamente. Confesso que fiquei empolgada e ansiosa. Logo depois, estávamos com datas marcadas, sábado seria nosso encontro, eu estava tão ansiosa que não sabia o que vestir no dia. Tinha quase dois anos que não nos víamos, fiquei com um frio na barriga.
Quando chegou o dia, eu e a Diana combinamos de chegar mais cedo que o horário marcado. Estávamos conversando quando o Estefano chegou, de longe eu o vi e fiquei observando concentrada até se aproximar, assim consegui analisar bem. Ele estava muito diferente da época do ensino médio.
Seus cabelos estavam maiores, mais ondulados e brilhantes, seu castanho escuro parecia mais claro, podia ser a luz do lugar, não sei. Seus olhos castanhos-claros brilhavam, sua pele estava lisa e reluzente, sem nenhuma espinha, que costumava ter na época da escola. Quando ele nos viu bem mais próximo, soltou um sorriso. Um sorriso enorme e encantador. Tirou os aparelhos que usava na escola e seus dentes estavam perfeitos, nunca vi dentes tão bonitos e brancos, seu sorriso iluminava.
Reparei que ele estava muito bem-vestido, quando se aproximou, também, notei ser muito cheiroso. Fiquei encantada, e como não ficar, ele tinha se tornado um lindo homem. Ao chegar, disse: “Olá garotas, quanto tempo! Fiquei muito feliz por vocês marcarem esse encontro. Vocês estão bem?”. Ele parecia muito feliz e empolgado com nosso reencontro, bem interessado em saber como estava nossa vida.
Nós respondemos suas perguntas, contando sobre a faculdade e perguntamos sobre ele. Então, ele contou uma longa história, que durou vários minutos, sobre estudar muito. Eu só conseguia prestar atenção e memorizar tudo o que dizia. Ele parecia tão maduro, definitivamente não era mais apenas um garoto, um adolescente, como da última vez que o vi. Se tornou um homem cheio de planos e muito inteligente, com uma conversa agradável e envolvente.
Estava muito culto, falou sobre livros, escritores que gostava, política, programas sociais, etc. Disse desejar contribuir com a sociedade, ajudava pessoas necessitadas por meio de um grupo criado com seus colegas de faculdade. Eu mais escutava do que falava, era claro que a vida dele estava muito mais fascinante que a minha.
Após horas, nos despedimos e fomos embora. Quando cheguei em casa estava em êxtase. Inesperadamente uma hora depois, recebo uma mensagem dele. Era interessante que depois de tanto tempo ele ainda tinha meu número de telefone. Ele disse: “Você continua a mesma garota do ensino médio, considere isso como um elogio. Eu gostei muito de te ver novamente, queria poder te encontrar mais vezes”.
Eu não sabia o que responder, meu coração quase saiu pela boca, foi muito inesperado. Apenas respondi ter gostado muito do nosso encontro, não quis falar nada a mais para não alimentar as minhas esperanças. Entretanto, não ficou por isso mesmo, no dia seguinte ele me mandou mensagem novamente, conversava sobre um livro que tinha mencionado no encontro anterior, desde então não paramos mais de trocar mensagens.
Dias depois, após conversarmos bastante, criei coragem e perguntei sobre a namorada dele, que vi nas redes sociais. Para minha surpresa, ele me contou que haviam terminado há meses. Eu fiquei feliz em escutar aquilo, mas procurei não demonstrar nenhum sentimento. Eu disse: “Poxa, que pena, mas acontece mesmo, ao menos você vai poder aproveitar mais a faculdade e também estudar mais”. Ele concordou comigo e logo mudou de assunto.
Eu não demonstrava que estava finalmente interessada nele, conversava como a amiga do ensino médio, sem intenções a mais. Durou meses de conversas por mensagens, sem que eu tivesse coragem de chamá-lo para sair, mas sempre ansiosa e na expectativa que ele me convidasse. Foi então que, perto do meu aniversário de vinte anos, ele me convidou para sair e disse querer me dar um presente para comemorar a data. Marcamos de jantar juntos.
Chegou o dia do encontro e ele estava lindo, como sempre, bem-vestido. Sem demoras, foi logo me presenteando, era o tal livro que tinha falado naquele encontro com a Diana, do qual também foi o motivo de iniciarmos nossas longas conversas por mensagens. Fiquei muito feliz e achei representativo.
As horas pareciam passar muito rápido, não queria que acabasse logo esse momento. Quando nos demos conta, o restaurante começou a dar indícios que estava fechando, era bem tarde da noite e fomos embora. O Estefano se ofereceu para me deixar em casa. Eu aceitei e no caminho conversávamos:
— Estou surpresa por você ter um carro novo porque a vida universitária é recheada de perrengues e falta de dinheiro. Foi um presente dos seus pais?
— Na verdade, eu mesmo comprei.
— Não sabia que você estava trabalhando.
— Lembra que no ensino médio eu fazia curso de inglês? Então… Hoje em dia sou fluente, por isso, consegui um emprego de professor. Um amigo da família me convidou para dar aulas em sua escola de idiomas, já venho fazendo isso há muito tempo e consegui juntar um dinheiro, mas também tive ajuda financeira dos meus pais, admito.
— Uau, tem muitas coisas que não sei mais sobre você, estou impressionada. Pelo que você disse antes, achei que não tinha tempo para mais nada.
— Um dos motivos da falta de tempo, além dos estudos para ser juiz, também são as aulas que leciono. Mas, não são todos os dias e duram apenas duas horas, por três dias da semana, consigo me programar bem. Cada semestre eu escolho meus horários, consigo bastante flexibilidade como professor.
— Entendi, muito legal! Parabéns por isso.
— Porém, você deve ter entendido mal a questão da falta de tempo, na verdade, eu consigo tempo para mais uma coisa.
— Que coisa?
— Namorar a garota pela qual fui apaixonado boa parte da minha vida, na verdade, a primeira garota pela qual fiquei apaixonado. – Fiquei sem nenhuma reação, eu sabia que ele estava falando de mim, por isso, não conseguia sequer responder algo. Nós paramos no sinal vermelho e ele ficou me olhando, desviei o olhar e ele percebeu que fiquei envergonhada.
— Desculpe, se não estava preparada para escutar isso. Na verdade, eu nunca desisti de você, Lara. Você sempre foi uma garota especial para mim. Eu queria saber o que acha disso agora, com o passar do tempo? Vai me deixar na “friendzone” novamente? – Eu simplesmente comecei a rir, achei muito engraçado ele chamar nossa situação de “frindzone”.
— Por que você chamou assim? Não era “frindzone”. Isso foi muito engraçado. Era assim que você enxergava nossa relação?
— Não exatamente, estava tentando quebrar o gelo. Sempre gostei da relação que tínhamos, nós eramos e ainda somos bons amigos. Acho que bons relacionamentos podem surgir de boas amizades. Eu estava satisfeito por apenas estar ao seu lado.
Ele era tão fofo que fez meu coração pular, poderia atribuí-lo tantos elogios, muito gentil, atencioso, encantador e uma boa pessoa, tinha um bom coração. Eu sabia que encontrar outro garoto como ele era impossível e não podia dizer “não” novamente. Mas, fiquei sem palavras, não sabia o que dizer naquele momento. Apenas o olhei e dei um sorriso agradável, acho que fui compreendida.
Nós chegamos em minha casa e quando fui sair do carro ele segurou o meu braço e disse: “Você não precisa dizer nada, mas talvez as atitudes falem mais do que palavras”, e me beijou. Foi ótimo, muito melhor do que beijar aquele outro garoto da faculdade. O Estefano era por quem eu realmente sentia paixão verdadeira, uma conexão, quem eu desejava e isso foi perceptível através do beijo. Finalmente, eu conseguia deixar que acontecesse algo a mais que amizade entre nós.
O beijo foi tão longo que fiquei até sem ar. Depois, eu saí do carro rapidamente e ele ficou me olhando com um sorriso bobo no rosto. Entrei em casa e não conseguia acreditar em tudo o que tinha acontecido. Eu não imaginei que ele tentaria algo novamente comigo. Achava que tinha partido para outra, seguido a vida e me esquecido.
Muitas coisas mudaram desde o ensino médio, mas aparentemente uma única coisa não mudou, os seus sentimentos. Era como se estivéssemos predestinados a ficar juntos no momento certo. O ensino médio não era o momento certo, eramos adolescentes e imaturos, se tivéssemos nos relacionado antes, provavelmente, não estaríamos juntos naquele momento.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
filzah
Mal posso esperar para descobrir o que vem a seguir, atualiza logo!
2024-07-15
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