Muito surpresa com a proposta de casamento do Daniel, eu respondi:
— Você é louco? Eu não esperava!
— Eu não quero mais ninguém além de você para o resto da minha vida, então, para que esperar mais? Eu te amo. Não quero perder tempo.
— Estou chocada! — Senti um aperto no peito e a perna bambear, eu queria poder pensar, se ao menos soubesse o que ele planejava, teria me preparado.
Ele sorriu e me abraçou, dizendo próximo ao meu ouvido:
— Diga “sim” e prometo que não vai se arrepender.
— Sim! Eu quero me casar com você. – Eu disse o apertando forte contra meu corpo. Ele olhou nos meus olhos e falou:
— Eu te amo!
— Também, te amo!
Demos um beijo demorado e carinhoso. Enquanto me beijava, ele acariciava meu rosto e segurava na minha cintura, apertando-me contra seu corpo, fazendo-me sentir nossos corpos se aquecerem. Eu comecei a amá-lo durante essa viagem porque antes era uma paixão. Eu o desejava, mas não o amava. Porém, nos últimos três dias eu experimentei o amor com ele.
Tudo parecia um sonho. Mas nós precisávamos ir embora, apesar de não querermos ir. Tínhamos aproveitado bastante e era hora de partir. Acabei dormindo por toda a viagem de volta. Quando chegamos, na minha casa, o Daniel me acordou com um beijo. Enquanto o beijava, baguncei todo o seu cabelo e ele sorriu e me abraçou. Eu peguei minha mala e desci do carro. Ele estava cansado e foi embora sem descer do carro.
Quando entrei em casa, chamei pela minha mãe, que não me respondeu. Então, entrei no meu quarto, joguei a mala na cama e fui tomar um banho. Minha mãe provavelmente estava dormindo. Quando terminei o banho, fui até o quarto dela e não a encontrei. Comecei a gritar por ela e não obtive resposta. Será que ela tinha ido ao mercado? Liguei em seu celular e nada dela atender. Comecei a me preocupar.
Liguei para a minha tia e obtive uma resposta. Minha mãe tomou dezenas de remédios do seu tratamento de uma só vez e acabou desmaiando. Ela não sabia ainda se tinha sido tentativa de suicídio ou um acidente. Disse que chegou ao hospital há três horas, após ser avisada do ocorrido por telefone. Falou que minha mãe foi encontrada em casa desmaiada por um amigo meu, que foi me visitar e a encontrou apagada no chão da cozinha. Ela disse:
— Ainda bem que a porta da casa estava destrancada e o seu amigo chegou na hora certa e chamou uma ambulância. Ele a acompanhou até o hospital. No caminho sua mãe acordou e passou o meu número para seu amigo me avisar do ocorrido e ele disse que estava vindo ao hospital com ela. – Assustada por receber essa notícia, comecei a chorar e fiquei com as pernas bambas precisando me sentar, o que fiz ali no chão mesmo. Senti-me culpada pôr a ter deixado sozinha. Minha tia continuou:
— Não chore, agora está tudo bem. Ela passou por uma lavagem estomacal e está dormindo. O médico disse que ela vai ficar bem, só precisa pernoitar internada em observação e amanhã terá alta médica se continuar bem.
Eu não consegui parar de chorar e disse:
— É tudo minha culpa. Eu não devia ter a deixado sozinha.
— Claro que não é sua culpa, não diga isso, fique calma. Venha para cá, vou te mandar o endereço do hospital por mensagem.
— Eu estou indo. Mas, quem foi que a encontrou desmaiada aqui em casa?
— O Estefano. Ele continua aqui no hospital, preocupado. Disse que ficaria esperando você chegar. Parece ser um bom garoto, não sei o que aconteceria com sua mãe se ele não tivesse chegado naquela hora.
Quando desliguei a ligação, vi que o carro do Estefano ficou estacionado na porta da minha casa porque ele foi junto dentro da ambulância e as chaves estavam em cima da mesa na cozinha. Assim, fui dirigindo até o hospital porque poderia lhe entregar o carro e ainda chegar mais rápido. Eu acelerava muito, não sei como não fiquei com medo de bater o carro dele.
Quando cheguei, o Estefano estava encostado na parede do lado de fora do quarto. Eu corri e o abracei tão forte que ele desequilibrou para trás. Não consegui segurar as lágrimas que começaram a escorrer por meu rosto. Comecei a falar:
— Obrigada por ajudar minha mãe.
— Não precisa me agradecer por isso… Ela está bem agora, fique calma.
O seu “fique calma” me fez começar a chorar ainda mais. Eu soluçava enquanto chorava e ele continuou me abraçando e passando a mão sobre minha cabeça, parecendo tentar me consolar. Ficamos assim até eu conseguir me acalmar. Eu disse com a voz embargada:
— Eu vim no seu carro, você pode ir para sua casa agora, precisa descansar, já está aqui há muito tempo, deve estar com fome e bastante cansado. – Entreguei as chaves.
— Tudo bem, eu só estava esperando para te encontrar, estou mais tranquilo em ir embora agora e sua mãe melhorou. Se precisar de qualquer coisa me ligue. Fique bem, ok?
— Ok… A propósito, o que você foi fazer na minha casa naquela hora?
— Não era nada de mais, depois conversamos. Eu já vou indo agora, fique bem.
Ele me deu um beijo delicado na testa e saiu. Eu fiquei o vendo desaparecer até o fim do corredor e então entrei no quarto. Minha tia estava sentada ao lado da minha mãe, que dormia. Eu conversei um pouco com ela e depois pedi que fosse embora para descansar, que eu cuidaria da minha mãe. Mas ela rejeitou e ficou até a noite.
Eu passei a noite sentada na cadeira ao lado da cama. Minha mãe só acordou quase ao amanhecer e não quis falar quase nada, só disse que precisava dormir mais porque estava muito sonolenta, não me contou o que tinha acontecido e preferi não a pressionar para explicar nada. No dia seguinte, ela recebeu alta médica e fomos para casa.
Depois de umas horas, tive coragem de perguntar o que aconteceu. Mas, ela disse que não queria falar. Disse que não queria conversar sobre isso, porque a deixava mal, então, nos deitamos juntas em silêncio. Quando levantamos, fiz comida e ao anoitecer o Daniel me ligou e eu contei tudo. Disse-lhe que me sentia culpada e ele tentou me acalmar e apaziguar a situação, se ofereceu para ficar comigo em casa, para ajudar no que for preciso, mas, não aceitei. Ele pareceu decepcionado, porém, foi compreensivo. No dia seguinte era meu aniversário e eu disse que não queria comemorar, apenas ficar em casa com minha mãe.
Ao amanhecer, minha mãe ficou melhor, abraçou-me e parabenizou pelo aniversário. Ela perguntou se não sairia para comemorar com meus amigos e eu disse que não. Porém, para minha surpresa, durante a tarde, o Estefano foi me visitar. Ele disse que se lembrou do meu aniversário e desejou me felicitar, também, aproveitou para saber como estava minha mãe. Trouxe-me um presente, um par de brincos muito lindos. Eu disse:
— Não precisava de presente.
— Eu tive vontade porque achei que combinavam muito com você. Espero que goste!
— Obrigada!
— Como está sua mãe?
— Ela está bem melhor. Agradeço novamente por ajudar, você chegou na hora certa.
— Não foi nada, não precisa agradecer. Eu estava pensando… Quando nós namorávamos eu nunca a conheci e acabou que fui conhecer em um momento ruim.
— É verdade! Eu não tinha pensando nisso. Sinto muito!
— Não sinta, tudo bem, nada acontece por acaso. – Disse com o seu lindo sorriso estampado no rosto harmonioso.
Levei-o até minha mãe e ela o agradeceu por ter a socorrido. Ela percebeu que o Estefano era uma boa pessoa. No entanto, era tarde demais, eu estava noiva de outro homem.
Nós três ficamos conversando por muito tempo e de repente a campainha toca, achei que era minha amiga da faculdade me fazendo uma surpresa, só que era o Daniel. Que péssimo momento, pensei. Ele me cumprimentou com um beijo na boca, desejou um feliz aniversário e disse que me daria de presente qualquer coisa que eu pedisse.
Eu disse que não era um bom momento porque estava ocupada e que depois nós sairíamos para comemorar. Ele concordou, pareceu ir embora, mas, deu meia volta e entrou na casa. Lá estava o Estefano com minha mãe, sentados na sala e conversando. Quando ele entrou ficaram em silêncio por alguns segundos, que pareceu uma eternidade e foi constrangedor. Eu não sabia o que fazer, fiquei desconfortável. Então, falei:
— Mãe, lembra do Daniel? Estefano, lembra dele? Vocês se conheceram na escola de idiomas.
Os dois disseram “oi”. E depois o Estefano disse:
— Me lembro bem do Daniel… Como você está?
— Estou ótimo! Melhor impossível!
Ele disse enquanto sentava no sofá, juntando-se aos outros. Minha mãe parecia ter desinteresse pelo Daniel, enquanto o Estefano apresentava tentar ser simpático.
— Fiquei sabendo que a senhora passou mal ontem, espero que esteja bem.
— Por favor, não me chame de senhora, eu tenho cara de velha por acaso?
— Mãe! Que isso? É apenas por respeito. Não diga algo assim. – Certamente ela falou isso porque não gostava do Daniel, por pura implicância.
— Não tem problema, querida. Sua mãe parece bastante jovem, bom saber que não preciso chamá-la de senhora.
Olhei para o Estefano e ele tinha mudado suas feições, cerrou as sobrancelhas, o que será que se passava em sua mente? Algum dos dois precisava ir embora, terminar esse meu constrangimento o mais rápido possível. Porém, nenhum deles parecia querer fazer isso. O Estefano rompeu o silêncio que tinha se instalado, dizendo:
— Então… Daniel, que bom te ver novamente depois de tanto tempo. Você ainda dá aulas? – Por que ele estava puxando assunto? Ele sabe muito bem a reposta dessa pergunta. Eu podia ter mil pensamentos, um deles prevalecia, que era o de acabar com esta situação o mais rápido possível. Não sei por qual razão não queria os dois juntos, era estranho.
— Eu ainda sou professor, definitivamente me encontro realizado com essa profissão. E a propósito, não sabia que você e a Lara eram tão amigos ao ponto de você vir na casa dela. – Eu tomei a palavra antes que o Estefano pudesse dizer algo e falei:
— Daniel, eu já tinha te dito que somos amigos.
— Eu me lembro, só não sabia que eram tão próximos.
— Nós somos muito amigos, desde a época do ensino médio — O Estefano comentou.
Minha mãe olhava para um e depois para o outro, parecendo confusa. Então, ela me pediu para servir café e eu neguei dizendo que ninguém queria tomar, só que para minha infelicidade o Daniel disse que aceitaria. Por isso, tive que deixá-los e ir até a cozinha preparar.
Quando voltei, poucos minutos depois, descobri que o Daniel tinha contado do nosso noivado. Eu fiquei com raiva, era muito recente. Além disso, minha mãe ainda não sabia e ela me disse:
— Lara, por que não me contou que ficou noiva na sua viagem? Se não fosse pelo Daniel, quando é que eu saberia? Pelo visto, se fosse esperar você dizer, eu seria informada apenas no dia do casamento.
Eu fiquei tão em choque que não sabia o que responder e pude sentir todo o meu rosto ferver como uma chama, era raiva do meu noivo fofoqueiro. O Estefano me olhava com surpresa e seriedade, minha mãe com indignação e o Daniel sorria discretamente. Então, sem conseguir pensar mais nada, falei:
— Mãe, eu estava esperando você ficar melhor para poder te contar. Afinal de contas, cheguei de viagem ontem e me deparei com você em péssimo estado. Achei melhor esperar para conversarmos depois, não é algo que precisava dizer com urgência porque ainda não planejamos a data do casamento, é tudo muito recente.
— Ok, mais tarde nós duas conversamos. Vou para meu quarto me deitar um pouco, até logo rapazes. – Ela parecia decepcionada.
— Está bom, mãe. Se precisar de alguma coisa me avise, por favor.
Olhei para os dois e eles estavam em silêncio esperando que eu dissesse algo. Eu só queria sair correndo dali e fugir como minha mãe fez, mas, claro, não podia deixá-los. Então, criei coragem e disse:
— Bom… Está ficando tarde e preciso cuidar da minha mãe e descansar um pouco, se vocês não se importarem gostaria que fossem embora.
— Tudo bem, já vou indo. – Disse o Estefano, levantando-se do sofá e caminhando até a saída.
— Ok, amor. Eu te ligo mais tarde. – Disse o Daniel se retirando atrás do Estefano.
Eu tranquei a porta e me joguei no sofá refletindo sobre tudo que acabou de acontecer. E não durou um minuto e um sentimento arrebatou minha mente e corri até a janela e vi os dois conversando. Depois cada um entrou em seus respectivos carros e pareciam se seguir.
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Atualizado até capítulo 45
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