Era fim de semana, a tia Jade convidou minha mãe para sua casa, o marido dela e filho estavam viajando e elas não ficavam juntas há muito tempo. Minha mãe só voltaria no domingo de noite. No sábado de tarde, o Daniel me ligou e contei que estava sozinha, logo ele se ofereceu para fazer um jantar em minha casa.
Quando chegou, estava com várias compras, vinho e sorvete para a sobremesa. Disse que prepararia um risoto à piamontese. Achei ótimo! Ele não quis ajuda na cozinha, disse que amava cozinhar. Depois da comida pronta, preparou a mesa, acendeu velas, serviu o vinho. Ficou muito bonito o ambiente e o prato estava bastante apresentável. Quando provei, fiquei surpresa, estava delicioso. Após comer, conversamos, bebemos e ficamos de carícias no sofá e acabamos cochilando.
Ao acordar, era de madrugada, por isso, ele acabou ficando para dormir na minha casa. Fomos para o meu quarto e nos esprememos na minha cama de solteiro. Apesar de estarmos juntos a um tempo, ainda não tínhamos dormido juntos. Não foi falta de tentativa, ele sempre me chamava para dormir na casa dele e eu sempre negava por estar sempre cansada ou ocupada.
Porém, abaixei a guarda e tivemos nossa primeira noite de amor. Ele era muito intenso, tinha uma pegada tão forte e com tanta vontade que podia sentir toda a sua pressão em meu corpo. A minha respiração ficou muito ofegante, eu não conseguia me segurar e controlar meu corpo. Ele me deixou exausta, sentia-me amolecer e tremer.
No dia seguinte, acordamos tarde. Preparei um café e estávamos tranquilos sentados no sofá enquanto ele me fazia carinho na cabeça e passava sua mão carinhosamente pelas minhas costas, eu encostava minha cabeça em seu ombro. De repente, minha mãe chegou, bem antes do previsto. Ela ficou surpresa ao me ver sozinha com um homem que não conhecia.
Eu não tinha contado do meu namoro e ela foi logo me perguntando quem era ele e ficou muito brava. Eu sem graça com a situação, tentei explicar sem jeito. O Daniel, por incrível que pareça, não pareceu se incomodar, mesmo com a reação irritadiça da minha mãe. Ele começou a conversar, estava sendo o mais simpático possível, porém, depois de um breve diálogo, ela foi para o quarto com raiva da situação.
Ele começou a rir, mas, eu não estava achando graça e pedi para ir embora. Ele foi compreensivo. Fui tentar conversar com minha mãe, sabia que ela tinha se incomodado, só que a reação dela foi pior do que podia imaginar. Ela me interrompeu aos berros dizendo que eu não era confiável, que não prestava porque trouxe um desconhecido escondido para nossa casa, que isso era indecente e irresponsável.
Eu fiquei chocada, tentei explicar que estávamos namorando há muito tempo e não planejei que ele fosse dormir em casa, nada adiantou ela me disse para sair do quarto dela e a deixar sozinha e assim o fiz. Sua reação foi explosiva e exagerada. O Daniel não era um desconhecido. Eu não tinha falado do meu relacionamento porque gostaria que ela focasse apenas em cuidar da sua saúde mental.
Aquela situação me tirou do sério, passamos o resto do dia nos evitando e no dia seguinte fui cedo para a faculdade. Eu não achava que tinha errado, ela tratou mal o Daniel, que felizmente não se importou. Ainda por cima, minha mãe ficou com a impressão errada dele. Por outro lado, ele me mandou mensagem logo cedo pedindo desculpas, achei fofo. Estava fazendo piada com a situação sem ter se incomodado. Esse era o jeito dele, bem-humorado.
Entretanto, minha mãe começou a me dizer que não tinha “ido com a cara dele” e eu já esperava por isso. Passei a não dar atenção e ficava incomodada com os comentários negativos que ela fazia, mas não rebatia porque sempre ficava pior e terminava com alguma discussão. Nos próximos dias, cotidianamente tinha que escutar suas reclamações, por outro lado, estava saindo bastante com o Daniel, quase não ficava em casa.
Enquanto isso, tinha recentemente completado um ano que o Estefano tinha ido morar no exterior e eu não tinha mais notícias dele, inclusive, tinha sumido das redes sociais. Certo dia, ao sair de uma das minhas aulas na escola de idiomas, o vi de longe, conversando com um professor. Ele estava de costas, porém, o reconheci e fiquei surpresa de vê-lo ali. O que ele estava fazendo aqui? Fui em sua direção. Quando cheguei perto, sua reação foi de surpresa e felicidade ao me ver. Chamou-me para conversar e disse:
— Eu voltei do Canadá tem uma semana. Que bom te encontrar! – Disse sorridente, parecia realmente estar feliz em me ver.
— Você vai voltar a dar aulas? Só temos mais duas semanas antes do fim do semestre. Fiz um ótimo trabalho como sua substituta, estou pronta para devolver o cargo.
— Não. Só vim conversar com o diretor, que é um grande amigo, aproveitei e avisei a ele que não pretendo voltar.
— Uau! Eu realmente não esperava por isso. Tem certeza? Você é um ótimo professor.
— Eu tenho toda certeza do mundo. Não quero mais dar aulas, nunca pensei nisso como algo a longo prazo, acho que concluí o que precisava.
— Entendo… Se prefere assim, tudo certo! Mudando de assunto… Eu fiquei sabendo sobre sua família, sobre os problemas do seu irmão e o que você passou. As coisas já se resolveram? – Eu disse cautelosamente.
— Oh! Então… Eh… Eu não falei nada para você porque não queria que se preocupasse, nós estávamos felizes, não queria trazer histórias tristes para nossa relação. Quando eu estava com você era o momento que esquecia dos meus problemas e isso me fazia bem.
— Eu entendo agora. Confesso que fiquei pensando o motivo de você não ter me falado nada.
— Aconteceu muita coisa desagradável com ele depois que fui para o exterior, ele aprontou muito e se meteu em confusão, e… Ele….
— O que aconteceu?
— Ele foi assassinado por um traficante da região porque estava com uma dívida de drogas. Isso aconteceu há um mês.
— Minha nossa, Estefano! Sinto muito por isso. — Eu não sabia como reagir a essa notícia, foi inesperado e chocante.
— Eu tentei antecipar a minha volta para conseguir ajudar minha família, mas não deu certo.
— Como você está? Ainda é muito recente! Eu sei que não nos falamos há muito tempo, mas sempre seremos amigos, lembra? Você pode contar comigo para o que precisar.
— Obrigado. Estou lidando com isso. Estou dando suporte para minha família e procurando ser forte por eles. Agora eu preciso ir. Depois nos falamos mais.
— Qualquer coisa me avise.
Eu fiquei devastada e surpresa com essa notícia, o Estefano estava triste, mas procurando ser muito forte, deu para notar. Eu queria abraçá-lo. Queria estar ao lado dele. Fiquei pensando sobre como poderia ajudar, dar uma força, mostrar que me importo, que ainda podia ser sua amiga. Nos próximos dias eu deveria passar na casa dele, tentar dar uma animada. Sentia um aperto em meu coração.
No dia seguinte, eu estava com o Daniel, mas só conseguia pensar no Estefano, em como ele poderia estar triste. Fiquei muito distraída. O Daniel perguntou se tinha acontecido alguma coisa comigo e aproveitei para contar sobre o Estefano:
— Daniel, você conhece o Estefano? Ele era professor da escola de idiomas, como você trabalha lá há muito tempo deve conhecer.
— Sim, conheço. Ele saiu da escola.
— Exatamente! Ele foi morar um tempo no exterior e me deixou como sua substituta na escola de idiomas. Nós dois somos grandes amigos, desde a época do colégio, quando eramos adolescentes.
— Ah, é? Não tinha ideia, por que nunca contou?
— Não era necessário.
— Ele era um cara legal. Conversamos algumas vezes.
— Ele é um bom amigo. – Achei que não era o momento e desnecessário falar que tínhamos namorado. Quem sabe depois em outra oportunidade eu contasse tudo. Então, continuei:
— Bem… Então… Ele voltou ao país, estávamos conversando um pouco e eu fiquei pensando sobre algumas coisas tristes que me disse. Desculpe-me a distração com isso agora.
— Nossa! A julgar por seu comportamento, você realmente deve ser bem amiga dele, parece muito triste e preocupada. — Ele disse surpreso. Foi então que me senti estranha, o que eu estava dizendo? Eu não precisava contar nada disso, fez-me sentir desconfortável e constrangida, mudei de assunto imediatamente.
Alguns dias depois, finalmente criei coragem para visitar o Estefano, queria saber como ele estava, não conseguia tirá-lo dos meus pensamentos com a perda de seu irmão. Eu disse que seria sua amiga para sempre. Por isso, fui até seu apartamento, lá fui informada que ele voltou a morar na casa de seus pais, desde que voltou do Canadá. Fui embora pensando se deveria ou não fazer uma visita, afinal de contas, poderia ser estranho chegar sem avisar depois de não estarmos mais namorando.
Durante o nosso relacionamento, fui a casa dos pais dele apenas uma vez e fui muito bem recebida, eram uma família agradável, simples e gentis. Depois de muito pensar, decidi por fazer a visita.
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Atualizado até capítulo 45
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