Lívia permaneceu imóvel, tentando recuperar o fôlego e a compostura. O vazio deixado pela ausência de Eduardo era palpável, como se a energia intensa daquele momento ainda ressoasse no ar ao seu redor. Ela fechou os olhos, sentindo uma mistura de frustração e determinação se apossar de seu coração. Por um momento, achou que ele cairia em seus braços e finalmente colocaria seu plano para funcionar.
Este era o momento de agir, ela sabia. Não poderia desperdiçar a oportunidade criada pela vulnerabilidade que havia vislumbrado em Eduardo. Com um suspiro profundo, Lívia se levantou da cama, seus movimentos lentos e cuidadosos devido à dor que ainda a incomodava. Ela caminhou até a janela, olhando para a escuridão lá fora, e deixou seus pensamentos vagarem sobre os próximos passos que precisaria tomar.
Enquanto isso, Eduardo se encostava na parede do corredor, tentando acalmar a tempestade de emoções que o assolava. Ele passou a mão pelo rosto, frustrado com sua própria fraqueza. A atração que sentia por Lívia era inegável, mas ele sabia que ceder a esses sentimentos complicaria ainda mais a situação entre eles.
— Odeio essa… — Ele pausou, sentindo o coração pulsar no peito, se é que ele tem um. — Essa mulherzinha, quem ela pensa que é? Ela acha que um contrato de submissão, é contrato de namorico?
Seu pensamento foi interrompido pelo som de passos suaves se aproximando. Ele se virou e viu Lívia parada na porta, sua expressão determinada, mas com uma vulnerabilidade que tocou algo profundo dentro dele.
— Eduardo. — ela começou, sua voz firme, mas suave. — Precisamos conversar.
Eduardo fechou os olhos, cerrou a mandíbula.
— Não, não precisamos, e fique longe de mim. E já que está aqui diante de mim, quero deixar claro a você que leve o contrato mais literalmente e obedeça o que está escrito lá, o que pode e o que não pode fazer. Não volte a me beijar ou se aproximar de mim. Só eu posso tocá-la, você não pode me tocar. — disse ele de uma vez, sem pausa para respirar.
Lívia ergueu o queixo, sua expressão séria.
— Eu entendi, mas não ia falar sobre isso. Quero que você me leve até meu antigo apartamento, quero pegar as minhas coisas.
Eduardo a fitou com ódio nos olhos.
— Quer saber, acabei de ter uma boa ideia. Você voltará agora mesmo para o seu apartamento. E quando eu precisar de você, mando meus seguranças para buscá-la. Você aqui na mesma casa que eu, é um perigo que prefiro manter à distância. Você é um perigo não só para mim, é para a sociedade também. — Ele bufou.
Ele moveu os pés para sair dali, sua decisão tomada. Mas antes que ele pudesse dar mais de alguns passos, ouviu um sussurro cortante.
— Covarde. — Lívia murmurou, suas palavras carregadas de uma determinação fria. — Vou fazer você cair na minha e vai se arrepender.
Eduardo parou por um momento, suas costas tensas enquanto absorvia o desafio nas palavras dela. Sem se virar, ele continuou andando, saindo do corredor e deixando Lívia sozinha com seus pensamentos e planos.
Lívia respirou fundo, determinada a seguir adiante com seu plano. Ela sabia que a batalha entre eles estava apenas começando e que precisaria de toda a sua astúcia.
Eduardo entrou em seu quarto batendo a porta com toda a fúria. Tirou a roupa que estava vestindo e colocou uma apropriada para ir à sua academia particular. Enquanto saía do quarto, ligou para seu consigliere, Leandro, dando ordens para ele levar Lívia de volta ao seu apartamento e fornecendo mais algumas coordenadas.
Assim que encerrou a ligação, Eduardo entrou em sua academia e começou a golpear o saco de pancadas com um soco poderoso. O ódio o corroía, o dominava. Eduardo ainda sentia o gosto bom dos lábios de Lívia nos seus, o toque sutil, a quentura e o formigamento. E aquilo o deixava com mais ódio ainda.
Cada golpe no saco de pancadas parecia uma tentativa de exorcizar os sentimentos confusos que Lívia despertara nele. A raiva e a frustração alimentavam sua força, seus punhos se movendo com velocidade e precisão implacáveis. Ele lutava não apenas contra o saco de pancadas, mas contra as emoções que ameaçavam seu autocontrole e a estrutura de poder que havia construído cuidadosamente ao seu redor.
Mas por mais que ele tentasse se concentrar na raiva, a memória do beijo persistia, como uma chama que se recusava a ser apagada. Eduardo sabia que precisava manter Lívia à distância para proteger ambos, mas também sabia que essa batalha interna estava longe de ser vencida. Aquilo era um sentimento novo, que nunca havia experimentado antes, e não precisava, porque todas as suas submissas, nunca o atraiu e nunca ousou a cruzar o muro que ele havia construído entre Dominador e submissa.
Eduardo estava suado pelo esforço, mas os pensamentos dos beijos de Lívia ainda estavam quentes em sua mente. Ele largou o que estava fazendo e caminhou de volta para seu quarto, sentindo a frustração aumentar a cada passo. Entrou no banheiro, tomou um banho rápido, tentando lavar a tensão do corpo, mas os pensamentos persistiam.
Saindo do banheiro, ele sentou-se sobre a cama, com as mãos tremendo de impaciência. Procurou rapidamente uma seringa com algumas drogas e aplicou nas veias do braço, o alívio imediato misturado com uma sensação de culpa que ele preferia ignorar.
Sentindo a substância percorrer seu corpo, Eduardo se deitou, seus pensamentos ainda giravam em torno de Lívia. A lembrança do toque dela, do gosto de seus lábios, estava impregnada em sua mente, e ele sabia que aquela luta interna não seria facilmente vencida. Enquanto a droga começava a fazer efeito, ele fechou os olhos, tentando se perder na escuridão, na esperança de encontrar um pouco de paz em meio ao caos que Lívia havia trazido à sua vida.
No entanto, Eduardo não sabia que Lívia havia visto ele aplicar a substância em suas veias, através da brecha da porta que ele havia esquecido de fechar. Ela havia seguido discretamente até o quarto dele, determinada a entender melhor o homem que a mantinha sob seu controle.
Lívia observou em silêncio, sentindo uma mistura de choque e compaixão. Ela percebeu a vulnerabilidade de Eduardo naquele momento, algo que ele sempre tentava esconder atrás de sua fachada implacável. A imagem dele, tão forte e dominante, agora quebrada pela dependência de uma substância, mexeu com ela de uma forma inesperada.
Ao vê-lo deitar e fechar os olhos, Lívia se afastou silenciosamente, voltando para seu quarto com um turbilhão de pensamentos.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Elizabeth Fernandes
Eles já estão apaixonados kkkkk
2025-03-11
0
Gabi Ramos
uai...teu plano não era segredo não?! 😂😂
2024-11-29
1
Selma Mello
esse dominador tá muito frouxo 😅
2024-11-15
0