Após mais um dia cansativo de trabalho, Lívia estava em seu pequeno e acolhedor apartamento, revisando as notas sobre a família Bellini. Ela havia passado semanas investigando suas atividades e esperava que o contador, que alegava ter provas contra os Bellini, aparecesse para eventualmente lhe passar essas informações. No entanto, ele não apareceu, o que ela achou bastante estranho, já que ele parecia decidido a ajudá-la em tudo.
Ela sabia que havia voltado à estaca zero, mas ainda assim, não desistiu de continuar procurando por provas. Nos últimos dias, uma fonte confidencial havia lhe fornecido informações que direcionaram a sua atenção para a família Moretti.
Os Moretti, ao contrário dos Bellini, eram conhecidos por suas atividades mais visíveis e brutais. Essa nova informação a levou a reconsiderar sua abordagem. As evidências indicavam que os Moretti estavam profundamente envolvidos em um esquema de tráfico humano e lavagem de dinheiro. Decidida a expor essas atividades, Lívia começou a redigir um artigo que certamente atrairia muita atenção dos espectadores e principalmente das autoridades.
Tudo começou quando Lívia encontrou um pacote misterioso em seu apartamento, deslizado por baixo da porta. O mesmo continha um pendrive, onde havia transações financeiras que ligavam os Moretti a uma série de empresas de fachada. Intrigada, Lívia seguiu a pista, que a levou a uma série de entrevistas com ex-funcionários de empresas ligadas à família Moretti. Um contador, em particular, forneceu detalhes essenciais sobre como os Moretti lavavam dinheiro por meio de operações imobiliárias e empresas de tecnologia, e também confirmou que eles estavam realmente envolvidos não só no tráfico humano, como também em vendas de órgãos humanos, o que lhe deixou extremamente horrorizada.
Dias depois, Lívia marcou um encontro com esse mesmo contador após o trabalho, ansiosa para obter mais informações adicionais. Após um dia intenso na redação da Revista Effetti, ela dirigiu-se ao café onde haviam combinado de se encontrar. Chegando lá, percebeu que o contador não estava presente. Inicialmente, pensou que ele estivesse atrasado, então esperou pacientemente.
O tempo passou e ele não apareceu. Lívia decidiu ligar para ele. Após várias tentativas, um homem atendeu o telefone.
— Alô? — disse uma voz grave e desconhecida.
— Olá, eu gostaria de falar com o senhor Lucca. Ele tinha um encontro comigo hoje — respondeu Lívia, tentando esconder sua frustração.
— Desculpe, senhora. Lucca não pode atender. Ele… Ele foi encontrado morto nesta manhã. — respondeu à voz, com um tom de tristeza.
Lívia ficou em choque. Desligou o telefone rapidamente, tentando processar a informação. Seu coração acelerou enquanto ela pensava nas implicações. Lucca estava a ajudar a revelar segredos importantes, e agora estava morto. Será que sua morte estava ligada ao que ele sabia?
Ela entrou no carro e dirigiu de volta para seu apartamento, tentando manter a calma. Nervosa, ela conectou novamente o pen drive ao seu laptop e encontrou uma série de arquivos detalhando mais transações financeiras e ligações dos Moretti com várias figuras de destaque.
Entre os documentos, um nome se destacava: Giovani Rinaldi, um homem conhecido por suas doações e caridade. Giovani era amplamente respeitado na comunidade por seu trabalho filantrópico, mas os documentos revelavam um lado obscuro. Ele era um dos principais financiadores dos Moretti, usando suas instituições de caridade como fachada para lavar dinheiro e financiar atividades criminosas.
Lívia não conseguia acreditar no que estava vendo. Ela sabia que essa revelação poderia causar um grande impacto, mas também entendia o perigo que representava. Decidiu que precisava agir com cautela. Passou a noite revisando os documentos, verificando a autenticidade e organizando as informações para seu artigo. Ela poderia pedir conselhos a sua amiga Giulia, mas ela não estava em casa. Havia ido viajar a trabalho em Paris.
Naquela mesma noite, enquanto revisava seus escritos para enviá-los a Matteo, uma batida forte na porta interrompeu sua concentração. Sem imaginar o perigo, ela se aproximou e abriu a porta. Antes que pudesse reagir, dois homens mascarados a agarraram, amordaçando-a e amarrando suas mãos. Em um instante, Lívia foi levada à força para uma van estacionada na rua. Enquanto um deles trazia consigo seu laptop, papéis que estava preparando, e o pendrive que havia recebido.
Seus olhos arregalaram de medo ao ouvir um dos homens ordenar ao outro que lhe desse um remédio para que ela dormisse, impedindo-a de ver por qual caminho a van estava seguindo. E assim fizeram.
Horas mais tarde, Lívia acordou em um porão úmido e mal iluminado, suas mãos ainda amarradas e a boca seca pela mordaça. O lugar exalava um cheiro forte de mofo e medo. Suas tentativas de se libertar eram inúteis, mas seu espírito investigativo permanecia inquebrantável. Ela ouvia passos pesados do lado de fora e vozes abafadas discutindo em italiano.
Um dos Raptores, um homem corpulento com uma cicatriz no rosto, entrou no porão e arrancou a mordaça de sua boca.
— Finalmente acordada, princesa? — disse ele, com um sorriso sádico.
— O que vocês querem de mim? — Lívia perguntou, a voz trêmula, mas tentando manter a compostura.
— Você tem se metido onde não devia, mexendo com coisas que não te dizem respeito. Achou que podia investigar os Moretti sem consequências? — ele riu, balançando a cabeça. — Garotinha ingênua. — disse ele, proferindo um tapa em seu rosto.
O gosto metálico logo veio à sua boca.
Lívia engoliu seco, tentando manter a calma. Sabia que qualquer movimento em falso poderia ser fatal.
— Eu só quero expor a verdade. As pessoas têm o direito de saber o que vocês estão fazendo — respondeu, com um fio de coragem.
O homem se aproximou, segurando seu queixo com força.
— E nós temos o direito de silenciar quem for necessário para proteger nossos negócios. — Ele a soltou bruscamente. — Não tente ser esperta. Isso só vai te causar mais dor. — Avisou, saindo dali.
Durante seu cativeiro, Lívia conseguiu observar as dinâmicas entre seus Raptores. Um dos homens, Marco, parecia menos brutal que os outros. Ele frequentemente hesitava antes de obedecer ordens cruéis. Percebendo uma fraqueza, Lívia começou a conversar com ele sempre que tinha a chance, tentando ganhar sua confiança.
— Marco, não é? — perguntou Lívia, tentando parecer calma.
— Como sabe meu nome? — Marco respondeu, desconfiado.
— Ouvi os outros chamarem você. Olha, eu sei que você não quer fazer isso. Você pode me ajudar a sair daqui — implorou ela.
Marco hesitou, mas antes que pudesse responder, o chefe entrou novamente.
— O que está fazendo, droga? — rosnou ele, olhando furioso para Marco. — Está se tornando mole, Marco? Lembre-se do que está em jogo.
Marco abaixou a cabeça, visivelmente pressionado.
Os Moretti se reuniram em um galpão abandonado na periferia de Milão. O lugar, mal iluminado e cheirando a óleo e ferrugem, era o cenário perfeito para uma reunião de negócios obscuros. No centro do galpão, uma mesa de metal estava coberta com os papéis e o laptop de Lívia. Ela estava sentada em uma cadeira, amarrada, com o rosto marcado por arranhões e hematomas.
O chefe dos Moretti, o homem corpulento com a cicatriz no rosto, estava de pé diante dela, observando enquanto um de seus capangas destruía seu laptop com uma marreta. Cada golpe no aparelho fazia Lívia se encolher, seus olhos arregalados de desespero.
— Não, por favor! Vocês não sabem o que estão fazendo! — implorou ela, a voz embargada pelo medo e pela frustração.
O chefe riu, um som frio e desdenhoso.
— Sabemos exatamente o que estamos fazendo, Lívia. Estamos apagando você e qualquer chance que você tenha de nos expor. — Ele se abaixou, aproximando seu rosto do dela. — Você acha que pode nos parar com essas provas ridículas? Somos os Moretti, o que pensou que aconteceria com você, se nos expôse? Parece que não pensou, não é? — Ele agarrou seus cabelos, apertando grosseiramente. — Você não pensou, não é maldita. — socou-lhe um soco em seu estômago, fazendo com que Lívia chorasse por sentir aquela dor terrivelmente forte junto com a falta de ar.
Ele fez um gesto, e outro capanga começou a rasgar os papéis de Lívia, jogando os fragmentos no chão como se fossem lixo. A cada documento destruído, a esperança de Lívia desmoronava um pouco mais.
— Por favor, não façam isso. Vocês estão cometendo um erro terrível. — ela disse, lutando contra as lágrimas, e a falta de ar.
O chefe apenas sorriu.
— A única verdade aqui, querida, é que você está nas nossas mãos. E garantiremos que você nunca mais tenha a chance de sair delas. — Ele se endireitou, olhando para seus homens. — Levem-na daqui. Tenho planos para ela.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Cleidilene Silva
Agora ficou difícil Lívia foi mexe com quem não devia se deu mal.
2025-01-09
0
Elizabeth Fernandes
Lívia mexeu com quem não devia como vai sair dessa
2025-03-11
0
Sineia Soares
Vai mexer onde não deve dar nisso
2025-01-31
0