...Luke...
Luke estava em sua casa, aproveitando um raro momento de silêncio, quando o telefone tocou. Ele atendeu sem olhar o identificador de chamadas, esperando que fosse algum fiel da paróquia com uma necessidade urgente.
— Alô, aqui é Luke.
— Luke! É a Dorothy — a voz do outro lado soou animada e familiar.
— Dorothy! Que surpresa boa! Como você está? — respondeu ele, sorrindo.
— Estou bem. E você? Como estão as coisas na paróquia? — perguntou ela.
— Ah, estão... complicadas. Mas vou sobrevivendo — disse ele, tentando disfarçar a tensão.
— Complicadas? O que está acontecendo? — a preocupação na voz de Dorothy era evidente.
— Tem uma voluntária na igreja, Donatilha. Ela é... difícil de lidar. Provoca muito e parece que está sempre tentando me testar — Luke confessou, sentindo-se aliviado por poder desabafar.
— E você acha que tem algo mais por trás disso? — perguntou Dorothy, sempre perspicaz.
— Sim, eu sinto que ela está lutando com algo profundo. Mas às vezes me pergunto se estou fazendo a coisa certa, se estou ajudando ou só complicando mais as coisas — ele admitiu, evitando mencionar o incidente no confessionário.
— Luke, isso me leva a uma pergunta importante. Você ainda quer ser padre? — a pergunta de Dorothy foi direta, pegando Luke de surpresa.
— O que você quer dizer com isso? — ele perguntou, tentando ganhar tempo para processar a questão.
— Quero dizer, você entrou para o seminário muito jovem, sempre tão dedicado e focado. Mas você já parou para pensar se é realmente o que você quer para o resto da sua vida? — Dorothy perguntou, com um tom suave mas firme.
— Eu... nunca pensei em outra coisa. Sempre senti que era o meu chamado — respondeu ele, hesitante.
— E você ainda sente isso? — Dorothy insistiu.
Luke ficou em silêncio por alguns momentos, refletindo sobre as palavras da irmã. Ele sabia que Dorothy sempre fora a voz da razão em sua vida, e seu questionamento agora o fazia pensar profundamente.
— Não sei, Dorothy. Às vezes me sinto tão perdido. Quero ajudar as pessoas, mas tenho dúvidas. Especialmente quando lido com alguém como Donatilha, que parece trazer à tona todas as minhas inseguranças — ele confessou.
— Talvez essas dúvidas sejam um sinal de que você precisa reavaliar suas escolhas. Não estou dizendo para você abandonar tudo, mas talvez seja hora de pensar no que realmente te faz feliz e realizado — sugeriu Dorothy.
A tensão subiu repentinamente em Luke, e ele tentou disfarçar sua frustração.
— Dorothy, você não entende. Ser padre é tudo o que eu sempre quis. É a minha missão de vida.
— Luke, só estou tentando ajudar. Às vezes, mesmo uma vocação pode ser reavaliada — disse ela, tentando acalmar o irmão.
— E você acha que tem o direito de questionar isso? Você, que se casou com alguém do mesmo sexo, uma união que a própria Igreja condena? — Luke disparou, sua voz carregada de raiva contida.
Dorothy ficou em silêncio por um momento, claramente ferida pela acusação.
— Eu pensei que você tivesse aceitado minha escolha, Luke.
— Eu aceitei você, Dorothy, mas isso não significa que eu aceite tudo o que você faz. Eu sou um padre e tenho minhas próprias crenças e deveres — ele respondeu, tentando justificar sua reação.
— E eu sempre respeitei suas escolhas, mesmo quando não concordo com tudo. Só queria que você também pudesse respeitar as minhas — disse ela, com um tom triste.
— Desculpe, Dorothy. Não queria te magoar. É só que... essa situação com Donatilha tem me deixado tão confuso e irritado — Luke admitiu, sentindo a culpa pesando sobre ele.
— Eu entendo, Luke. Só quero que você saiba que estou aqui para você, independentemente de qualquer coisa. E espero que você possa encontrar clareza em meio a tudo isso — respondeu Dorothy, suavizando o tom.
— Vou pensar sobre isso, Dorothy. Obrigado por sempre estar aqui para me ouvir — disse Luke, sentindo-se um pouco mais leve.
— Sempre, Luke. Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. Cuide-se — disse ela, despedindo-se.
Luke desligou o telefone, sentindo-se introspectivo. As palavras de sua irmã ecoavam em sua mente, levando-o a questionar não apenas sua vocação, mas também seu papel na vida de Donatilha.
...Tilha...
Donatilha, estava em casa, tendo uma conversa difícil com sua mãe, Margareth.
— Por que você continua frequentando aquela igreja? — perguntou Margareth, com desdém.
— Porque eu quero. Porque me faz bem — respondeu Donatilha, tentando manter a calma.
— Você nunca foi religiosa. Está fazendo isso para chamar atenção? — Margareth rebateu, com um tom crítico.
— Não, mãe. Estou tentando encontrar meu próprio caminho, algo que você nunca entendeu — disse Donatilha, sentindo-se exasperada.
— Seu próprio caminho? Por favor. E essa cor de cabelo? Que coisa horrível. Você está ridícula — Margareth atirou, a crueldade em suas palavras evidente.
— Por que você insiste em pintar o cabelo dessa cor ridícula? — perguntou Margareth, com desdém.— Porque eu gosto, mãe. E isso não deveria ser um problema para você — respondeu Donatilha, tentando manter a calma.— Você está apenas tentando chamar atenção. Sempre foi assim, sempre tentando ser o centro das atenções — retrucou Margareth.
Donatilha engoliu em seco, as palavras de sua mãe cortando fundo. Ela sabia que não adiantava discutir, então apenas se afastou, tentando ignorar a dor que essas interações sempre traziam.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
LMCF
Nao sei a intençao da autora.. mas penso que o final de redenção, de cura e de amor será lindo para os dois juntos
2024-06-29
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