Capítulo 11

...Luke...

O sol se punha lentamente sobre os telhados da pequena cidade, tingindo o céu com tons de laranja e rosa enquanto Luke retornava à casa paroquial. Cada passo era pesado, não apenas pelo cansaço físico, mas pelo fardo emocional que carregava. Ao fechar a porta atrás de si, um baque ecoou pelo corredor vazio, mas não era apenas o som físico que reverberava em sua mente.

Luke se apoiou contra a porta, sentindo o peso do passado opressor. A lembrança do porão veio à tona como uma tempestade há muito adormecida, pronta para desencadear sua fúria. Ele tinha apenas sete anos na época, uma criança pequena e inocente, mas o crime aos olhos de seus pais era imperdoável: ele havia sido pego mentindo sobre uma brincadeira inocente com seus amigos na escola paroquial.

Seu pai, um homem austero e inflexível em suas crenças religiosas, não tolerava desvios morais, especialmente dos filhos que, segundo ele, estavam destinados a seguir os caminhos de Deus. Sem aviso, Luke foi arrastado para o porão úmido e escuro da casa paroquial. A porta pesada se fechou atrás dele com um estrondo que ecoou como um julgamento final.

— Você deve aprender a temer a Deus, Luke. E o caminho para isso é através da disciplina e do arrependimento — disse seu pai com uma voz fria e implacável.

As horas que se seguiram foram uma tortura de solidão, escuridão e medo. Luke ficou trancado no porão sem comida, sem luz, apenas com seus pensamentos e o som distante dos cânticos da igreja ao longe. O ar úmido e frio penetrava em seus ossos, enquanto a escuridão o envolvia como um manto sufocante, quele foi o pior inferno de sua vida.

A cada sombra que dançava nas paredes escuras, sua mente infantil criava monstros imaginários, demônios que pareciam se aproximar a cada respiração. O tempo se dilatava e se contraía, uma eternidade de desespero e abandono. O medo consumia sua alma jovem, deixando cicatrizes emocionais profundas.

Quando finalmente a porta do porão se abriu na manhã seguinte, Luke emergiu abatido e quebrado, uma sombra pálida de sua antiga inocência. Apenas o silêncio gélido entre ele e seus pais permaneceu, uma lacuna de incompreensão e uma muralha de ressentimento.

Ao longo dos anos, Luke aprendeu a esconder suas cicatrizes emocionais por trás de uma máscara de piedade e devoção. Ele lutou para reconciliar o amor e o respeito que sentia por seus pais com a dor profunda que eles haviam infligido. No entanto, o ódio por aquela noite de terror nunca desapareceu completamente; era uma chama silenciosa que ardia em seu coração, uma ferida que se recusava a cicatrizar.

Luke olhou para o crucifixo na parede com olhos vazios de lágrimas, mas repletos de memórias dolorosas. Ele sabia que seu caminho para a redenção exigia mais do que perdão. Ele precisava encontrar uma maneira de aceitar o passado sem ser consumido por ele, de perdoar não apenas seus pais, mas também a si mesmo por sentir ódio.

— Senhor, me dê forças para superar as sombras do passado — sussurrou Luke em uma prece silenciosa, sentindo o peso de suas feridas antigas repousando sobre seus ombros.

A noite avançava lentamente, mas Luke permanecia imóvel, preso entre o presente e o passado, entre a fé que o sustentava e as cicatrizes que o definiam. Ele sabia que a jornada rumo à cura interior era longa e tortuosa, uma jornada que exigia coragem para confrontar os demônios de seu passado e encontrar a luz que o levaria adiante.

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