...Tilha...
Donatilha estava deitada em sua cama na clínica psiquiátrica, os olhos fechados enquanto o silêncio da noite envolvia o quarto. Ela tentava afastar as lembranças dolorosas que ameaçavam emergir, mas as sombras dançantes nas paredes e os sons distantes a transportaram de volta para aquele lugar de angústia e desespero.
Ela se viu novamente no corredor branco e estéril, o olhar severo da enfermeira fixo nela como um julgamento silencioso. As palavras ásperas ressoavam em seus ouvidos, ecoando uma repreensão por qualquer falha, por menor que fosse.
Os momentos mais difíceis voltaram à tona. Sentada na sala de terapia, as perguntas incisivas do terapeuta que a deixavam sem palavras, incapaz de expressar toda a dor que guardava dentro de si.
As lembranças mais dolorosas vieram então. Os momentos de solidão profunda, onde se sentia completamente isolada, abandonada por todos, exceto pelos próprios pensamentos sombrios. Breves instantes de desespero, quando parecia que nunca escaparia daquele lugar.
Uma onda de angústia a envolveu. Donatilha lutou para controlar a respiração, tentando desesperadamente trazer sua mente de volta ao presente. Mas as imagens continuavam a se desenrolar diante dela, como um filme indesejado que não podia parar.
Tilha acordou abruptamente, com os lençóis encharcados de suor. Seu coração batia forte, e uma sensação de angústia a dominava. As lembranças da clínica psiquiátrica, onde ficou internada, surgiram como um turbilhão em sua mente. A conversa com Luke naquele dia desencadeou um flash de memória doloroso.
Ela recordou como gradualmente afundou em um poço emocional. A vida perdeu o sentido, e cada dia parecia um labirinto sem saída. Eventualmente, ela atingiu um ponto de desespero total. Em um momento de completa confusão e desorientação, Donatilha acabou envolvida em um incidente na rua, onde agrediu alguém sem motivo aparente. O próximo momento que recordava foi acordar na clínica psiquiátrica, confusa e assustada.
Essas memórias eram como feridas antigas que nunca cicatrizaram completamente. A internação foi um período de profunda dor emocional e isolamento, onde ela lutou para encontrar algum tipo de equilíbrio mental e emocional. A sensação de impotência e o peso da culpa ainda a assombravam, mesmo depois de tanto tempo.
A garota se sentou na cama, tentando controlar a respiração acelerada. O encontro com Luke mexeu com suas emoções de uma forma que ela não esperava. Ela percebeu que precisava enfrentar esses demônios do passado se quisesse ter alguma chance de seguir em frente.
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Tilha começou a frequentar novamente as missas na pequena igreja onde Luke era padre. Ela se sentava discretamente no fundo da igreja, tentando passar despercebida, mas seus olhares frequentemente encontravam os de Luke durante a cerimônia.
Após uma das missas, quando a igreja se esvaziou, Luke encontrou Donatilha parada perto da entrada.
— Vejo que decidiu voltar à casa do Senhor — disse Luke, com um tom de voz tranquilo, mas carregado de significado. — Achei que a voluntária estivesse doente, já que não havia dado as caras. — Ele falou de forma irônica, observando Donatilha com um misto de curiosidade e leve reprovação.
Donatilha levantou as sobrancelhas, respondendo com um sorriso irônico. — É sempre bom revisitar velhos hábitos, não é, padre? Eu desconfio que a voluntária tropeçou dentro do confessionário. — Ela se aproximou discretamente, sussurrando a última parte. — Esses são os boatos, até onde sei.
Luke respirou fundo, tentando controlar a frustração que ameaçava transparecer. — Alguns hábitos podem nos redimir, se formos sinceros em nosso arrependimento.
Donatilha inclinou a cabeça, como se estivesse considerando suas palavras. — Acredita mesmo nisso? Que frequentar uma igreja pode redimir alguém?
— Eu acredito na capacidade de cada um encontrar seu caminho de volta à luz — respondeu Luke, com seriedade. — Mas é preciso vontade e humildade para aceitar ajuda.
Ela olhou para ele com curiosidade. — E você acha que eu estou aqui por ajuda?
— Não seria a primeira vez que alguém busca ajuda onde menos espera — disse Luke, observando-a atentamente.
Donatilha sorriu de maneira enigmática. — Você acha que me conhece, padre Luke?
— Conheço o suficiente para saber que há mais em você do que as aparências revelam — respondeu ele, com calma.
Ela deu de ombros, virando-se para sair. — Bem, padre, parece que temos um enigma em nossas mãos.
Luke assistiu enquanto ela se afastava, ponderando sobre o que o futuro reservava para ambos.
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Atualizado até capítulo 25
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