Capítulo 10

...^^^Luke ^^^...

O sol estava se pondo atrás das janelas coloridas da igreja, espalhando uma luz dourada pelo santuário. Luke, estava ajoelhado diante do altar, os olhos fechados em profunda oração. Mas sua mente estava longe de encontrar paz. Os eventos dos dias anteriores não lhe davam descanso.

— Senhor, dai-me forças... — Murmurou ele, os punhos cerrados sobre o altar.

Aquela cena no confessionário. Ele havia revivido cada detalhe incontáveis vezes em sua cabeça, cada gesto provocativo de Donatilha, cada palavra cheia de malícia. E, apesar de toda a raiva que sentia por ela, sabia que não era apenas sua culpa. Ele havia cedido, ele havia falhado.

A lembrança de Donatilha, com seu cabelo vermelho vibrante e olhos intensos, lhe causava uma mistura de ódio e desejo. Ele queria salvá-la, trazê-la de volta para o caminho da retidão, mas agora se sentia impotente. Como poderia salvar alguém quando ele próprio estava perdido.

Ele se levantou lentamente, passando as mãos pelos cabelos escuros, já começando a mostrar sinais de cansaço. Seus pensamentos estavam repletos de frustração e raiva. Donatilha. Desde que ela aparecera em sua vida, tudo se tornou mais complicado. Ela era uma jovem de espírito inquieto e um coração cheio de escuridão, uma combinação que parecia desafiá-lo a cada passo. Mas o que ela fizera no confessionário fora a gota d'água.

Luke se dirigiu à sacristia, onde um cálice de vinho estava preparado para a missa da noite. Enquanto preparava os objetos sagrados, seus pensamentos continuavam a girar em torno de Donatilha e suas ações recentes. Ele havia ouvido os sussurros, as fofocas, e sabia que algo estava muito errado. Ela estava se envolvendo em situações perigosas, fazendo escolhas que iam contra tudo o que ele acreditava. E a cena do confessionário, com aquela mulher, fora demais para suportar.

— Ela precisa ser guiada, mas não sei se tenho forças para isso — disse ele para si mesmo, apertando o cálice com mais força do que o necessário.

A porta da sacristia se abriu e a irmã Maria entrou, uma freira idosa com olhos sábios e gentis.

— Padre Luke, está tudo bem? Você parece preocupado — disse ela, observando-o com preocupação.

— É Donatilha, irmã Maria. Estou... muito preocupado com ela. Suas ações estão se tornando cada vez mais imprudentes e perigosas... — Ele parou, incapaz de continuar.

A irmã Maria assentiu, compreendendo a angústia em sua voz.

— Talvez você devesse falar com ela, Luke. Ela pode precisar de orientação, alguém para mostrar o caminho certo.

Luke suspirou, sabendo que a irmã Maria tinha razão, mas temendo que suas palavras não fossem suficientes para alcançar Donatilha.

— Eu tentarei, irmã. Obrigado pelo conselho.

Depois que a irmã Maria saiu, Luke pegou seu telefone colocando o número que pegou da lista telefônica da igreja, quando Donatilha estava de voluntária, digitando uma mensagem rápida para a garota: "Precisamos conversar. É urgente. Encontre-me na igreja esta noite."

Mais tarde, quando a igreja estava vazia e silenciosa, Luke ouviu passos ecoando no corredor. Donatilha entrou, os olhos brilhando de desafio e uma leve arrogância.

— O que foi, padre? — perguntou ela, cruzando os braços.

Luke se aproximou dela, mantendo o olhar firme.

— Donatilha, eu estou muito preocupado com você. Suas escolhas... estão te levando por um caminho muito perigoso. E o que você fez no confessionário... foi inaceitável.

Ela revirou os olhos e deu um suspiro exagerado.

— Eu não preciso de sermões, Luke. Eu sei muito bem o que estou fazendo.

A raiva que ele havia tentado suprimir finalmente veio à tona.

— Não, você não sabe! — Ele quase gritou, mas se conteve, abaixando a voz. — Você está se destruindo, e eu não posso simplesmente ficar parado e assistir isso acontecer. O que você fez no confessionário... foi uma profanação.

Donatilha se aproximou, seu rosto a apenas alguns centímetros do dele.

— E por que você se importa tanto, hein? Você não pode salvar todo mundo, com sua religião ridícula, Luke. E quanto ao confessionário... foi só uma brincadeira.

— Isso não foi uma brincadeira, Donatilha! Foi uma afronta ao que é sagrado. — A dor e a raiva eram evidentes em sua voz.

Ela riu amargamente, dando um passo para trás.

— Eu não preciso de ajuda. Eu posso cuidar de mim mesma.

Luke balançou a cabeça, frustrado.

— Se você continuar desse jeito, Donatilha, vai acabar machucando a si mesma e a todos ao seu redor. Pense nisso. Por favor.

Ela ficou em silêncio por um momento, a dureza em seus olhos suavizando ligeiramente. Mas antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela se virou e saiu da igreja, deixando Luke sozinho em sua confusão.

Ele voltou ao altar, ajoelhando-se mais uma vez.

— Senhor, dai-me forças... — sussurrou novamente, sentindo a pesada carga de seu fardo.

O padre caminhava de volta para sua casa ao lado da igreja. Cada passo parecia pesar toneladas, como se estivesse carregando o mundo em suas costas. Ele fechou a porta atrás de si com um baque surdo e se apoiou contra ela, sentindo a frustração e a raiva borbulharem dentro de si.

— Como ela pôde... — murmurou, socando a porta atrás de si. — Como eu pude...

Ele atravessou a sala e se deixou cair na cadeira da escrivaninha, os olhos fixos na cruz na parede. O peso de seu fracasso espiritual era esmagador. A oração parecia distante, quase inútil diante do turbilhão de emoções que o inundava.

— Senhor, por quê? — gritou, a voz ecoando pelo quarto vazio. — Por que me testas de maneiras tão cruéis?

As lágrimas saíam de seus olhos, misturando-se com o sentimento de indignação consigo mesmo. Como poderia ter deixado sua fé vacilar por um momento de tentação? Aquela cena no confessionário, os gestos provocativos de Donatilha ainda ecoavam em sua mente, provocando uma mistura intensa de culpa e raiva.

Ele levantou-se abruptamente e caminhou até a janela, olhando para fora onde o sol se punha lentamente no horizonte. As cores quentes do fim do dia contrastavam com a escuridão que sentia dentro de si. Ele queria ajudá-la, queria trazê-la de volta ao caminho certo, mas a cada tentativa sentia-se mais impotente diante da teimosia e do comportamento autodestrutivo de Donatilha.

Voltando-se para a cruz na parede, Luke cerrou os punhos. Ele precisava de forças, de orientação divina para encontrar uma maneira de salvar Donatilha sem se perder no processo. A voz da irmã Maria ecoava em sua mente, suas palavras de conforto e sabedoria oferecendo um vislumbre de esperança em meio ao desespero.

— Senhor, dai-me forças... — murmurou novamente, fechando os olhos e buscando a paz que tanto necessitava.

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