Capítulo 15

...Tilha...

Continuando a frequentar a igreja, a garota se ofereceu como voluntária novamente, para ajudar em diversas tarefas. Isso lhe dava a desculpa perfeita para estar perto de Luke e, ao mesmo tempo, mantê-lo na defensiva. Não perdendo a oportunidade para provocar o padre.

Em uma manhã de domingo, depois da missa, Donatilha estava na sacristia organizando os itens litúrgicos quando Luke entrou. Ele o observou por um momento, tentando entender suas motivações.

— Vejo que está ajudando bastante, Donatilha. A voluntária anterior adoeceu ou algo assim? — disse Luke, tentando esconder a ironia em sua voz.

Donatilha sorriu, não se deixando abalar. — Talvez ela tenha percebido que eu sou mais eficiente. — Olhou diretamente para Luke, uma faísca de desafio em seus olhos. — E quem sabe, padre, talvez eu goste de estar por aqui. — A realidade é que não existia voluntária anterior, sem ser Donatilha, ambos sabiam, mas adoravam está brincadeira irônica que pairava entre os dois.

Luke arqueou uma sobrancelha, sem deixar de notar a provocação. — Espero que suas intenções sejam tão puras quanto suas ações parecem ser.

Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre os dois. — E por que não seriam, padre? Afinal, estamos na casa do Senhor.

Ele respirou fundo, sentindo a tensão entre eles. — Não se esqueça, Donatilha, que a igreja é um lugar de redenção, não de tentação.

Donatilha riu baixinho, inclinando-se um pouco mais. — E quem disse que não estou buscando redenção? — Seus olhos brilhavam com uma mistura de malícia e sinceridade. — Talvez eu só precise de um bom guia.

Luke sentiu um misto de frustração e compaixão. — A busca pela redenção é sincera, Donatilha. Não deve ser tratada como um jogo.

Ela recuou ligeiramente, ainda sorrindo. — Talvez eu leve o jogo a sério demais, padre. — Virou-se, continuando com suas tarefas. — E você, está disposto a jogar?

Ao longo das semanas seguintes, os dois tiveram momentos de verdadeira camaradagem. Tilha mostrou um lado mais suave, mais humano, enquanto ajudava com as atividades da igreja. Em alguns momentos, ela e Luke compartilhavam conversas profundas sobre fé, redenção e os desafios pessoais que enfrentavam.

Apesar disso, a ruiva não resistia a pequenas provocações. Ela deixava comentários sutis, olhares insinuantes e gestos que faziam Luke questionar até onde ia a sinceridade de suas intenções.

Em um desses momentos, enquanto eles decoravam a igreja para uma festividade, Donatilha se aproximou de Luke e disse, num tom meio brincalhão, meio sério:

— Sabe, Luke, às vezes acho que sou uma alma perdida demais para ser resgatada. Você realmente acredita que todos podem ser salvos?

Luke, segurando uma vela, olhou para ela com uma mistura de determinação e gentileza. — Eu acredito que todos têm uma chance de redenção, Donatilha. Inclusive você. Mas é preciso querer mudar de verdade.

Ela segurou seu olhar por um momento antes de dar de ombros, voltando ao trabalho. — Vamos ver se a sua fé é forte o suficiente, padre.

— Vai continuar nos ajudando a manter a igreja em ordem, Donatilha? — Perguntou ele, irônico. — A voluntária não apareceu mais, e estamos precisando de ajuda.

Tilha sorriu, um brilho provocativo nos olhos. — Claro, padre. Desde que você não se importe com a minha companhia. Afinal, temos algumas lembranças interessantes no confessionário, não é mesmo?

Luke sentiu o calor subir ao rosto, mas manteve a compostura. — Todos nós temos nossos desafios, Donatilha. O importante é como lidamos com eles.

Ela se aproximou, a expressão mais suave. — Então, vamos ver como lidamos com esses desafios juntos, padre.

Enquanto se afastava, Luke a observou, ponderando sobre o caminho que estavam trilhando. A relação deles era complexa, cheia de tensão e descobertas, mas também cheia de um potencial inesperado para crescimento e redenção.

Mais tarde, durante uma conversa com os membros mais velhos, na igreja, Donatilha não resistiu a uma provocação sutil.

— Ah, Luke, você fica tão sério quando está concentrado. Devia relaxar mais, como no confessionário — Disse ela, com um sorriso inocente, mas seus olhos brilhavam com malícia.

Luke fechou a expressão por um breve momento, antes de responder em um tom calmo, mas firme.

— Cuidado com as suas palavras, Donatilha. Você pode acabar mordendo a língua — Disse ele, disfarçando a irritação com um sorriso.

— Sempre tão dramático, padre. Você acha que eu sou uma víbora?

— Às vezes, Donatilha, você realmente parece uma víbora. — Respondeu ele, com uma pitada de ironia.

As pessoas ao redor riram, pensando que era apenas uma brincadeira amigável, mas Donatilha sabia que Luke estava falando sério. Ela apenas sorriu, satisfeita com a pequena vitória.

Mais populares

Comments

Maria Maçaneiro

Maria Maçaneiro

cadê o resto de história está marcando completo mais acaba assim? uma pena a história é boa e tem potencial

2024-06-26

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!