Capítulo 13

...Tilha...

A mesma continuou a frequentar as missas, sempre se posicionando no fundo da igreja, observando Luke atentamente. Ela sabia cada passo que ele dava, cada gesto, cada expressão. Havia algo em sua presença que a intrigava e a fazia querer entender mais sobre ele.

Uma noite, depois de uma missa especialmente longa, Luke estava terminando de arrumar os paramentos quando ouviu um ruído suave vindo da entrada da igreja. Ele se virou e viu Donatilha encostada na porta, os braços cruzados e um olhar enigmático no rosto.

— Está tarde, Donatilha. Posso ajudar em algo? — perguntou ele, tentando manter a voz firme e neutra.

Ela deu um passo à frente, deixando que a porta se fechasse atrás de si. — Talvez eu possa te ajudar, padre Luke. Você parece tão... sobrecarregado ultimamente.

Luke franziu a testa, não entendendo completamente suas intenções. — Agradeço a preocupação, mas estou bem. Apenas o trabalho de sempre.

Donatilha riu baixinho, aproximando-se mais. — Trabalho de sempre, hein? E como vai sua fé, padre? Ainda acredita que pode salvar todos?

Luke sentiu um desconforto crescer dentro de si, mas não deixou transparecer. — A fé é algo que precisa ser cultivado diariamente. E sim, acredito na redenção de todos, incluindo você, Donatilha.

Ela parou a poucos passos de Luke, os olhos fixos nos dele. — Você realmente acha que pode me salvar? Depois de tudo?

— Não posso te salvar se você não quiser ser salva — respondeu ele calmamente. — Mas posso oferecer orientação e apoio.

Donatilha ficou em silêncio por um momento, como se estivesse ponderando suas palavras. Então, com um sorriso leve, ela mudou de assunto. — Ouvi dizer que a casa paroquial é bastante aconchegante. Deve ser um bom lugar para se refugiar após um dia longo.

Luke sentiu o desconforto aumentar, percebendo que ela sabia mais sobre ele do que deixava transparecer. — É um lugar tranquilo para reflexão e descanso, sim.

Ela deu mais um passo à frente, quase invadindo seu espaço pessoal. — Você deve dormir profundamente lá, não é?

Antes que Luke pudesse responder, ela recuou, como se algo tivesse a distraído. — Bem, padre, acho que é hora de eu ir. Nos vemos na próxima missa?

— Claro, Donatilha. Estarei aqui — respondeu ele, observando-a sair com um misto de preocupação e curiosidade.

Donatilha deixou a igreja, caminhando pelas ruas silenciosas da cidade, sentindo uma estranha satisfação crescer dentro de si. Ela sabia que estava mexendo com Luke, testando seus limites, e isso a fazia se sentir no controle, pelo menos por um momento.

Ao chegar em casa, ela se deitou na cama, lembrando-se das últimas semanas. A sua obsessão por Luke só aumentava, alimentada por cada encontro, cada troca de palavras. E agora, sabendo que ele estava na casa paroquial, ela sentia uma urgência de vê-lo, mesmo que fosse apenas observando-o de longe.

Naquela mesma noite, Donatilha saiu novamente, dirigindo-se silenciosamente até a casa paroquial. Encontrou um ponto estratégico de onde podia ver o interior da casa através de uma janela. Lá dentro, viu Luke se preparando para dormir, a expressão no rosto dele misturando cansaço e preocupação.

Ela observou até que ele apagou as luzes e a casa ficou em silêncio. Apenas então, satisfeita por ter satisfeito sua curiosidade por mais uma noite, ela voltou para casa, a mente fervilhando com planos e pensamentos sobre seu próximo movimento.

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