Capítulo 6

......Tilha ......

Donatilha nunca havia ido à igreja para se confessar; sua verdadeira intenção era tentar arrancar alguma informação de Luke. Desde o primeiro encontro, ela estava determinada a provocá-lo, a testá-lo. Não esperava, que algo tão significativo acontecesse. Observando Luke de perto, ela podia ver que ele não era feliz sendo padre. Havia uma inquietação oculta em seus olhos, uma insatisfação que ela queria explorar.

Não importava nem um pouco se a senhora Otilde, a fofoqueira da vizinhança, fosse contar algo à sua mãe. Sua motivação era simples e intensa: queria ficar perto de Luke. Ele era o seu Luke, e nada a impediria de estar com ele.

Donatilha havia pulado o muro da escola para sair e não pretendia voltar. Ninguém se importava de verdade com os alunos. Havia tantos problemas que uma menina pulando o muro era irrelevante. Ela tinha aprendido a ser independente desde cedo. Sua mãe, muitas vezes, a deixava trancada fora de casa, saindo sem aviso e demorando dias para voltar. Nessas situações, Donatilha precisava se virar; aprendendo a arrombar casas para sobreviver.

A cada dia que passava, a obsessão de Donatilha por Luke só aumentava. Ela sabia que ele era um homem de princípios sólidos, um conservador, mas também percebia que havia algo nele que respondia a ela, algo que ele tentava, sem sucesso, suprimir. Talvez fosse a solidão ou a falta de alguém que realmente o entendesse. Donatilha estava disposta a ser essa pessoa, não importava o que precisasse fazer.

Seu sentimento de posse por Luke era incontrolável. Não sabia exatamente quando começou, mas sabia que era intenso e avassalador. Cada encontro, cada olhar, cada palavra trocada só reforçava sua determinação. Luke podia tentar resistir, podia tentar se afastar, mas havia algo entre eles que era inegável. Uma faísca, uma conexão que ela não deixaria escapar.

A verdade era que a vida nunca tinha sido fácil para a garota. Desde pequena, enfrentava desafios de cabeça erguida. Com Luke, ela sentia que havia encontrado algo pelo qual valia a pena lutar. Ele era o seu prêmio, o seu objetivo. E faria qualquer coisa para tê-lo.

Além disso, a fantasia que sempre alimentara em segredo parecia estar se realizando. Luke, o padre inacessível, estava agora ao alcance de suas mãos. Isso a fascinava, a excitava. A ideia de quebrar suas defesas, de possuí-lo, era uma realização de seus desejos mais profundos. A obsessão se misturava com a euforia de estar vivendo algo que parecia um sonho. Donatilha estava determinada a transformar esse sonho em realidade, a qualquer custo.

Ela saiu do confessionário porque ficou um pouco tímida, admite. Não esperava por aquilo, mas não pôde deixar de observar seu amor. Agora, atrás da cortina da igreja. Estava preocupada, pois ele demorou a sair do confessionário, mas agora estava ali, ocupado com suas tarefas.

Uma mulher entrou na igreja, Elena. Seu marido era professor de história, um homem bastante bonito. Elena, apesar de não ser feia, tinha uma língua afiada. Ela conversou com Luke, sobre o batizado de seu afilhado. A observadora arregalou os olhos ao ver Elena tocando a mão de Luke e, acariciando-a. Ele afastou a mão desconfortavelmente. Elena olhou para ele com desejo. Tilha sentiu raiva e nojo; só ela podia tocá-lo.

Ela se afastou silenciosamente, subindo em uma árvore para esperar do lado de fora.

— Deus me perdoe, mas esse padre é um pecado — disse Elena para sua companheira.

— Ele é um padre... — respondeu a amiga.

— E aquele bombeiro com quem você estava escondida do Alex? — sussurrou para Elena.

— Fala baixo. Se o Alex descobrir, ele me mata. Vou ficar com ele hoje à tarde.

Ela sorriu ao vê-las desaparecer. Parecia que teria trabalho hoje. Ainda bem que sabia onde Elena morava.

Cerca de três horas depois, ela observava Elena pela janela. Finalmente, sua chance chegou. Viu Elena pegar as chaves do carro, abrir o porta-malas e colocar algumas sacolas lá dentro. Elena voltou para dentro para pegar sua bolsa.

Esta era sua oportunidade. Ela entrou no porta-malas, cobrindo-se com uma manta entre as sacolas. Elena não deu muita atenção e fechou o porta-malas. A

viagem durou cerca de dez minutos.

Tilha escutou o carro parar e o som da porta se abrindo. Uma voz masculina ordenava que Elena entrasse, e ela respondeu que precisava ser rápida. Após se acalmar um pouco, a garota saiu do porta-malas, deparando-se com uma garagem.

A mesma entrou na cozinha e se agachou, tentando ouvir os barulhos que vinham da sala. Desbloqueou o celular e abriu a câmera, caminhando silenciosamente em direção à sala. Lá, viu Elena e o homem trocando carícias no sofá. Tirou fotos de todos os ângulos possíveis.

Mais tarde, em casa, deitada em sua cama, olhava as fotos que tirara. Percebeu algo interessante: o tal bombeiro era o ex-namorado da irmã de Elena. Viu o nome dele em um casaco na cozinha e decidiu investigar mais. Ela planejava fazer um belo estrago no dia seguinte.

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Comments

Kharinne Santos

Kharinne Santos

Sem vergonha

2024-06-25

1

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