Rico não sabia o que estava acontecendo com ele. Ao mesmo tempo em que queria estar bem longe de Maria Flor, ele desejava exibir seu vasto domínio: seus cavalos, funcionários, a equipe da companhia de rodeio, seus piões e prendas premiados.
Ele sentia a necessidade de mostrar a ela que era um homem poderoso. Não sabia de onde vinha esse desejo, talvez porque ela o tratava com tanto desprezo. Depois que ela assinou o contrato, ele a levou para conhecer a fazenda.
Rico caminhava ao lado de Maria Flor, que sentia uma mistura de nervosismo e excitação diante de tantos olhares curiosos. Cada funcionário que passava por eles tocava o chapéu ou abaixava a cabeça em cumprimento, e Rico respondia com um aceno de cabeça.
— Sempre olho ao redor, visualizando as mudanças que podemos fazer para tornar o ambiente mais acolhedor e funcional.
— É perfeita — Maria Flor murmurou animadamente.
— Também acho. Quando eu a comprei, estava caidinha; agora está quase do jeito que você deseja — o peito de Rico parecia que ia explodir por ela gostar da fazenda.
— Não dá para ser melhor! — Seu coração batia com uma força tão grande que ela sentiu medo de ter um piripaque. Apoderou-se dela uma vontade de correr naquele gramado bem cuidado, tocar em cada flor, admirar os móveis.
— Sempre dá! Olha aquele espaço vazio; quero algo especial, mas ainda não encontrei — o orgulho transbordava em cada palavra de Rico.
— Observei que os móveis do seu escritório são de Minas Gerais, das antigas fazendas de café. Estou certa, 1920?
— Sim! Eu comprei em um leilão em Minas. Sempre procuro peças novas para juntar ao meu acervo — falou, orgulhoso.
— Isso é maravilhoso, vê-las tão preservadas assim. — Eles continuaram a caminhar, e Maria Flor demonstrou um conhecimento extraordinário sobre a cultura do café e os mobiliários, e Rico ficou encantado por poder conversar com alguém que demonstrava tanto conhecimento.
Eles entraram na casa, e Rico não poderia se sentir melhor. Ele tinha certeza de que, daqui para frente, Maria Flor entenderia a importância dele e o trataria como ele merece. Ele a conduziu para a cozinha para apresentá-la às outras funcionárias.
— Bom dia! — disse Rico.
— Bom dia, patrão!
— Dona Maria Flor, dona Bernadete, você já a conhece; ela é a governanta da casa principal, Marielza, nossa cozinheira, Geovana, Lolita e Jussara. Essa é Maria Flor, a nova babá da Cecília.
— Prazer. Bem-vinda, muito prazer, prazer — disseram as mulheres.
— Bem, vou deixá-la agora; depois conversamos — disse para Maria Flor — Bernadete vai te mostrar o quarto da Cecília.
— Sim, Rico — o homem saiu apressado e as mulheres o seguiram com o olhar.
— Aí, ai, que homem lindo! — disse Geovana.
— Tu és diferente mesmo, querida; bem que o Léo falou — disse Marielza, sorrindo.
— Bem, seja bem-vinda à fazenda — falou Jussara com nítido desdém.
— Obrigada — limitou-se a dizer Maria Flor.
— Os funcionários da fazenda não falam de outra coisa. A nova babá... vamos dizer que tem gostos diferentes — falou Lolita, uma moça um pouco mais baixa que Maria Flor, de cabelos presos.
— Todos me chamam de Elza — Marielza chegou ao lado de Maria Flor, deu um abraço — pode contar comigo para o que precisar.
— Obrigada! — Maria Flor retribuiu o abraço.
— Oi, prazer. Sou Geovana, sou a arrumadeira; também nos revezamos para cuidar da princesa.
— Ela é muito rosa, e essas roupas... — disse Jussara — Rico odeia cores fortes.
Bernadete tomou sua posição de autoridade. — Nada que o uniforme não resolva. Há algumas regras: para uma boa convivência, do portão para fora podemos ser o que quisermos; aqui precisamos nos adequar aos desejos do rei Rico.
— Não irei usar uniforme — informou Maria Flor.
— Como não? Todas usamos; é obrigatório, o patrão odeia cores fortes.
— Isso é uma exigência minha e ele aceitou — mentiu, olhando para a cara de espanto das mulheres.
— Isso é inédito — disse Geovana — ele odeia.
— Detesta — reclamou Jussara.
— Não suporta roupas coloridas — concluiu Lolita.
Com seu melhor sorriso, ela se afastou, seguindo Bernadete. Os funcionários não foram muito receptivos e a colocaram em modo defensivo.
— Só faltava ter problemas com os colegas — disse baixinho.
Ela olhou pela janela para o outro lado da fazenda e o viu rindo, rodeado de peões; parecia realmente um rei com seus súditos.
— As meninas que vieram trabalhar aqui ficaram doidas com ele, porém ele nem olhava para elas; não acabou bem.
— Não sou uma fã; há poucos dias nem sabia que ele existia. Sou imune a ele.
— O tempo dirá; aqui, desde a mulher mais velha até a mais nova suspira pelo patrão — Bernadete riu.
— Qual é a sua preocupação? Você acha que um homem lindo daquele jeito daria bola para uma babá pobre, com os cabelos coloridos e um gosto peculiar para roupas?
— Não, não me leve a mal; foi apenas um conselho para você se proteger. Na verdade, achamos que ele ainda ama a mulher — confidenciou Bernadete.
Elas continuaram a andar em silêncio. No caminho, Bernadete mostrou onde ficava o elevador, o escritório, subiram as escadas e mostraram os três quartos que eram usados.
— Ali está nossa princesa.
— Obrigada pela ajuda.
Sorrindo, Maria resolveu voltar sua atenção para sua nova responsabilidade e deixar o rei ogro de lado.
— Bom dia, pipoquinha.
— Flor, você veio? — gritou ela, estendendo os bracinhos.
— Sim, estou aqui em carne e osso.
A menina riu animada, e Rico, que subira para trocar de camisa, parou ao lado da porta do quarto para ouvir o reencontro das duas.
— Você vai dormir aqui?
— Não, vou para casa todos os dias após te dar o jantar — a menina fez um biquinho — mas que bico é esse? Não gostou da minha chegada?
— Sim, gostei; só não gostei que você vai embora — disse a menina murchinha.
— Vai sofrer pelo que não tem ou aproveitar o que tem? A vida é feita de escolhas — falou Maria Flor, fazendo cócegas em Cecília, que riu feliz.
— Vou aproveitar, vou aproveitar — gritou a menina, feliz. Rico sorriu sem perceber, sacudindo a cabeça, e terminou de fechar os botões, pegou um chapéu e voltou para seus afazeres.
Na cozinha, as mulheres estavam indignadas quando Bernadete entrou. Elas exigiram que ela tirasse a história do uniforme a limpo com Rico.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
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Querendo impressionar a Flor 💖/Rose/
2025-02-09
1
Vanusa Crispim Da Silva
inveja mata, bando de sucuri
2025-01-23
2
Gedalva
Eita cobra invejosa 😡😡
2025-01-15
1