— Prendam os dois. — grita o delegado. — Vão esfriar a cabeça no xilindró.
Colocando as mãos nos cabelos, Rico se desespera. Como ele, o rei dos rodeios do Brasil, iria parar na cadeia no dia da maior festa da sua cidade? Hoje seria um dia muito importante para Rico; ele abriria oficialmente o rodeio do Vale dos Vinhedos, mas essa doida cor de rosa entrou no seu caminho. Os dois foram algemados e postos na traseira do camburão.
— Moça, hoje tenho um compromisso importante. Se você calar essa boca, eu explico para ele e nós dois saímos dessa.
— Vamos ver se entendi: você está me mandando ficar quieta após atropelar-me, me chamar de baranga, oportunista e sei lá mais o quê?
Sentindo os músculos do corpo doerem, Rico debocha. — Não sei de onde você saiu, se foi do circo ou sei lá de onde, mas aqui é uma cidade de pessoas sérias.
— Sérias? Sei, então é só pagar minha bicicleta.
— Quero pagar; porém, você que me rouba e não admito que ninguém leve vantagem sobre minha pessoa. Sua… Sua… sua…
— Sua a quê? Vítima é isso. Poderia estar morta, mas, ao contrário de me pedir desculpas, me agrediu com palavras.
— De onde você saiu? Você sabe quem eu sou? — diz ele, vaidoso.
— Não sei nem quero saber. E tenho raiva de quem sabe. — diz, dando de ombros. Nesse momento, o camburão para em frente à delegacia e um policial abre a porta. Rico sai na frente, derrubando-a no chão.
— Que cavalo.
— O que disse?
— Botelho, prenda esses dois na mesma cela. Vão ficar juntinhos até entrarem num acordo. — diz Lionel Schmidt.
— Tudo culpa sua, tá aí, queria dar uma de esperta e acabou atrás das grades.
— Vou fingir que não ouvi. Lá, lá, lá, não estou ouvindo.
Rico começou a ficar inquieto, andando de um lado para o outro. Foi ao pequeno banheiro, voltou a sentar-se, levantou-se, chamou pelos guardas, mas não foi atendido. Por fim, teve que falar com a sua companheira de cela.
— Por acaso você tem papel higiênico?
— Para que você deseja papel higiênico?
— Nossa, vai me dizer que de onde você veio ainda não inventaram o papel higiênico?
— Entendi, deixa eu ver. — Ela abre a bolsa e remexe, mas nada encontra.
— Vai demorar?
— Tenho lenços umedecidos. — Ele estica a mão e ela entrega.
— Com cheirinho de bebê Pampers? Fala sério, não tinha outra marca mais adulta?
— Se não gostou, me devolve.
— Não devolvo não! — Rico caminha e tranca a porta.
Os sons que vinham do cubículo eram assustadores. O homem ficou mais de 30 minutos lá dentro; muitos gemidos e puns podiam ser ouvidos de um momento tão íntimo.
Quando ele saiu de lá, estava sem a jaqueta, com a camisa branca grudada no corpo.
Ela olhou e não acreditou no que estava vendo: o homem que no começo do dia parecia um príncipe agora parecia ter se transformado em um sapo.
Como ao cair da tarde, Maria Flor começa a sentir frio.
— Me empresta a sua jaqueta?
— Minha jaqueta? Não empresto de jeito nenhum.
— Mas te emprestei meus lenços umedecidos.
— Aquilo foi uma emergência.
— E eu sentindo frio, não é?
Com raiva, ele joga a jaqueta nela. — Agora estamos quites, não te devo mais nada.
O dia foi terrível. Eles deitaram, sentaram, andaram, cantaram, irritaram-se um ao outro, discutiram e parecia que o tempo não passava. Nenhum dos dois colocou o orgulho de lado.
Já eram sete horas da noite quando ele deu um pulo. Rico chama o carcereiro.
— Vou pagar para me ver livre de você. — ele gritou, e um guarda veio atender, comunicando que eles chegaram a um acordo e que ele pagaria a bicicleta. O guarda foi falar com o delegado, que voltou trinta minutos depois para os conduzir até a sala do delegado. E, para surpresa de Maria Flor, sua mãe estava conversando com o advogado, rindo dos galanteios do homem enquanto a filha estava presa, sofrendo com um psicopata.
— Rico, fala comigo, meu rei! — Rico olhou para o exagero do cumprimento; afinal, ele passou o dia com uma louca de cabelos rosa, que tinha lenços umedecidos com cheirinho de bebê na mochila.
Marcelo Guimarães era um lambe-esporas de marca maior.
— Marcelo, vai demorar? — Rico reclama impaciente.
— O menino ainda não terminou sua pesquisa. Sente-se e relaxe.
Só havia um sofá de dois lugares desocupado, ao qual ela se sentou. Rico viu-se obrigado a sentar-se ao lado daquela louca que acabou com semanas de trabalho duro. O cheirinho de bebê persistia; pior, toda vez que ele sentisse aquele cheiro, ele ia lembrar do triste episódio em que o homem mais honesto que ele conhecia foi preso com uma louca. Sim, porque ela era louca de achar que ele ia cair no golpe de que uma bicicleta custava R$ 13.000,00. Ele olhava impacientemente para Otávio Pedrosa; o menino se remexia no assento com o olhar do patrão.
— Desculpe, patrão, esse código é como um chassi de carro — o rapaz digita rápido — ela pertence a Eduardo Peixoto, Castelo Branco, morador do Rio de Janeiro.
— Então você roubou a bicicleta. — acusa Rico.
— Claro que não, seu ogro! Ganhei de aniversário do meu ex-namorado.
— Alguém tem coragem de namorar uma palhaça como você?
— Vamos começar de novo? — ralha Lionel. — Foi pouco passar o dia, estão querendo experimentar a noite também?
— Maria Flor, calada. — Sua mãe está visivelmente cansada. — E o que aconteceu com seus cabelos? — fala baixinho. Maria Flor dá de ombros.
— Como vou saber se é verdade? — ele pergunta ao advogado.
— Pelos documentos aqui, diz que Maria Flor Carmona é a usuária…
— Já entendi o quanto tenho que pagar pelos danos?
— Catorze mil reais, patrão.
— O quê? O valor subiu? — sua voz saiu incrédula.
— Ué! Patrão, só estou transmitindo o que me pediu.
— Zé Luiz! — grita o homem aborrecido. — Zé Luiz entra na sala retirando o chapéu.
— Transfira a quantia que a Pedrosa vai te passar para essa moça.
Fora da delegacia, os dois se estranharam pela última vez.
— Você nunca mais cruza o meu caminho. — Ricardo trinca os dentes.
— Nem você, seu ogro mal-educado.
— Maria Flor, vamos. — ralha a mãe.
Carla se despede de Marcelo Guimarães com risinhos bobos, parecendo uma adolescente. Marcelo, por sua vez, também estava todo encantado; despediram-se na promessa de que em breve tomariam um café juntos.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Berê
Maria Flor Érico Gaúcho vão dar o que falar... kkkkkkkkkkk Tô n nem vendo ele descobrindo que ela derrotou 5 lutadoras de Boxe, pra garantir a mudança da família, do Rio de Janeiro pro Sul do Brasil!... Catarina e Andréia a sua hora vai chegar... 🤦♀️
2025-01-12
5
Maria Eduarda Wrobel Pinheiro
Essa história está maravilhosa parabéns autora ❤️❤️💕💕
2025-03-02
1
adliner3490
essa do lencinho humidecido
eo sofrimento no banheiro 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣rachei o bico de tanto rir
2025-02-11
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