Entrevistando as candidatas.
Ao chegar à administração da fazenda, ela toca a campainha e se vira para olhar aquela vista espetacular. Um gramado verde cobre toda a volta da administração; canteiros de azaleias e bougainville coloridas trazem cor e beleza.
— Olá! — Maria Flor se vira ao som da voz da mulher. — Deve ser uma das candidatas à vaga de babá — ela fala sorrindo e, dirigindo o olhar para as folhas na sua mão, — deixa eu ver, como se chama?
— Maria Flor Carmona.
— Achei! — fala, saindo da frente da porta para que ela pudesse entrar. — As candidatas estão reunidas na sala de espera; vou te levar até lá. A propósito, me chamo Vanusa — diz, estendendo a mão.
— Muito prazer — Maria Flor aperta a mão estendida.
— Sou secretária da administração da fazenda Rico Gaúcho. Vou levar você ao local onde as outras candidatas estão aguardando. Você não é daqui, é?
— Sou do Rio de Janeiro — Maria Flor fala, seguindo a mulher de cabelos curtos e louros, pele muito branquinha, típica daquela região.
— Está explicado o sotaque; a maioria das candidatas é das redondezas do Vale das Videiras.
O ambiente era muito elegante e acolhedor: móveis de madeira e poltronas de couro, muitas plantas enfeitavam o ambiente; nas paredes, fotos de rodeios, touros, cavalos e um homem montado em touros e cavalos, mas em nenhuma aparecia o rosto.
— Para trabalhar aqui, você tem que aprender algumas coisinhas — diz Vanusa em tom conspiratório. — O patrão é exigente e tem muitas normas; não tem filtro para falar, diz o que dá na telha. Está pouco se lixando com os sentimentos dos outros; não leve para o pessoal, ele tem síndrome de estrela, se é que me entende. Você se acostuma com o tempo.
Vanusa pega o celular e digita alguns números.
— Ah, por favor, Léo, preciso de um favor… peça para a Jussara trazer uma limonada para as meninas se refrescarem enquanto esperam o patrão… Ótima notícia… Obrigada!
— Bem, aqui está a ficha; qualquer dúvida é só me chamar — ela estende duas folhas para serem preenchidas.
Sentando-se, ela observava o grupo de mulheres; elas vestiam o mesmo tipo de roupa, pareciam estar de uniforme: camisa branca de botão, calças jeans e bota de salto médio. O clima parecia um concurso de beleza, todas muito bem penteadas e maquiadas para uma festa e não para uma entrevista de emprego.
Não que Maria Flor tivesse ido a alguma seleção como essa.
Maria Flor se sente deslocada com seu vestido branco e seus cabelos rosa; parecia a piada do momento. Todas olhavam para ela, rindo e cochichando; precisava urgentemente se olhar no espelho.
— Bom dia, onde fica o banheiro? — Maria Flor pergunta para a mulher uniformizada com calça preta e camisa de botão branca que veio trazer a limonada que Vanusa pediu.
— Siga naquela direção; lá fica o banheiro. — Quando ela se vira, todas começam a rir.
— Que maldade, Ju mandou a palhacinha para um local proibido.
— Imagina ter uma colega de trabalho com esses cabelos? AFF, é melhor cortar o mal pela raiz.
— Quero morrer, tua amiga — todas riem.
Alheia de que estava indo para um local proibido, Maria Flor se encantou com a beleza da propriedade; não demorou para ela ouvir o choro de uma criança.
Uma linda menina, com cabelos louros, sentada em uma cadeira de rodas, e uma mulher que aparentava ter sessenta anos tentava convencê-la a comer; o coração de Maria errou a batida, tamanho foi o impacto da cena.
— Olá! Bom dia, procuro o banheiro. — As duas se voltaram para ela e seus olhos a encaravam com curiosidade.
— Oi, seu cabelo é igual ao da minha Barbie, posso tocar?
— Claro, qual seu nome, pipoquinha? — ela se abaixa para ficar na altura da menina.
— Cecília, mas meu pai me chama de Ceci — diz a menina, tocando os cabelos de Maria Flor.
— Por que você estava chorando?
— Ela não quer comer — diz dona Bernadete.
Maria Flor estende a mão e Bernadete lhe passa a bandeja. — Então, pipoquinha, se você não comer, como você quer crescer saudável?
— Eu não quero crescer — justifica a menina.
— Então você quer ser uma anã? Você já viu uma anã?
— Só em desenho, na história da Branca de Neve.
— Então vou te contar uma história muito interessante de uma menina que não queria crescer; o nome dela era Hermengarda.
— Que nome feio — reclama Cecília, e dona Bernadete põe a mão na boca, tentando conter o riso.
Entre uma frase e outra, ela vai dando comida à menina quando, de repente, escuta uma voz exigente. Se virando para ver quem era o dono.
— Você? Suas vozes saíram juntas. O espanto era nítido em seus semblantes. Dona Bernadete, que estava relaxada, apruma-se rapidamente.
— O que faz na minha casa? Largue minha filha. — Ele é mais bonito do que ela lembrava: os cabelos pretos bem cortados e a barba rala e bem desenhada sobre a pele morena. Ele vestia uma calça jeans, camisa de botão preta e botas.
— Sua casa, filha? — resmungou ela, incrédula.
— É casa e filha; parabéns, você não ficou surda — se impacienta ele.
— Não precisa ser ogro, ops, grosso — alfineta ela. — Como eu poderia saber que você era o homem mais famoso dessa cidade?
— Então você veio atrás da minha fama — diz com uma ponta de orgulho.
— Se eu viesse, teria vindo uniformizada igual às outras.
— Então por que veio? — pergunta, com uma sobrancelha levantada.
— Pelo anúncio de emprego, não é óbvio?
— Você será minha babá. —
Grita Cecília, batendo palmas.
— Não! — a voz de Rico sai mais alta do que ele pretendia; ter o inimigo em casa, nunca.
— Meu bem, não é assim que funciona, pipoquinha.
— Pipoquinha? Que história é essa? — Maria Flor se põe de pé.
— É lindo, né, papai? Sou uma pipoquinha.
— Lindo, filha — Rico olha para Maria Flor, carrancudo.
— Vem, vamos lá para o meu quarto brincar.
— Não é assim que funciona; seu pai vai olhar nossos currículos e ver quem é a pessoa mais indicada para cuidar dessa pipoquinha linda.
— Entendi, mas por que não posso escolher você?
— A moça já explicou, Cecília — impacientou-se Rico.
— Mas quero essa; ela sabe contar histórias e é engraçada, sabe da comida na boca.
— Você já tem idade para comer sozinha.
— Ela está muito magrinha para você negligenciar essa parte.
— Não se meta onde não é chamada — rosna Rico.
— Me desculpa, na verdade, só queria ir ao banheiro, mas ouvi ela chorando e a senhora desesperada e resolvi ajudar — se justifica Maria Flor.
— Os banheiros ficam daquele lado — ele olha para a bandeja vazia na mão de dona Bernadete e sente uma alegria tão intensa; Cecília não estava comendo o suficiente, seus músculos estavam piorando a cada dia.
— Foi um prazer, pipoquinha — Maria Flor abaixa-se para falar com Cecília, e a menina choraminga.
— E a história, como vou saber o final? — ela olha para o pai, soluçando.
— Vamos ver, Cecília.
Maria Flor caminha em direção onde Rico apontou; quando voltou para junto das outras, todas estavam cochichando.
Os trinta minutos restantes foram angustiantes; ela não daria o gostinho dele a chamar de covarde, ficaria até o fim.
— Meninas — chamou Vanusa — os currículos de vocês foram analisados e, dentre eles, foram separados seis; todas as outras receberam um valor de R$ 250,00 pelo transporte até aqui.
O zum, zum, zum foi geral.
— Mas não vamos ser entrevistadas pelo Rico Gaúcho? — a chuva de “é” que se seguiu foi ensurdecedora.
— Calma, meninas; não é o senhor Ricardo Smith que administra as contratações, e sim nós do RH e administrativo — Vanusa fala, deixando claro o teor profissional das entrevistas.
— Falarei os nomes das candidatas que passaram para a segunda etapa: Juliana Bezerra, Cintia Cavalcante, Isabella Gonçalves, Cátia Aragão, Vera Ribeiro e...
Maria se levanta, caminhando para a porta, quando ouve seu nome. — Maria Flor Carmona.
— Essas podem ficar; explicarei o que precisarem saber.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Vanusa Crispim Da Silva
ela é médica, não sei de que área
2025-01-23
2
Jaciara maria de oliveira Lima da silva
ela que vai ajuda a menina volta a anda
2024-11-28
3
Mara Roseli Sgorlon
Ele não vai querer contratar ela, mas a filha Cecília vai querer,,vai gostar dela
2024-11-05
3