Ricardo ajusta os últimos detalhes da participação de sua fazenda no rodeio. Ele caminha para a sala de jantar, desejoso de um prato de comida quentinha.
Eles chegam à sala de jantar, e Catarina está dando ordens para Geovana. Mal eles se sentam, Catarina começa a falar.
— Rico, Andreia e sua mãe vão se hospedar aqui para o rodeio. Tudo bem para você?
— Não sei por que, mas eu já esperava. Essas duas parecem não ter outro lugar para ficar aqui em casa.
— É porque elas amam a Cecília.
— Sei. — resmungou Rico.
— Então está tudo bem para você, meu querido? — diz ela, com fingida preocupação.
— E por que não estaria? A presença de Andreia e Fabrícia não interfere em nada na minha vida.
— Vocês se estranharam da última vez que elas estiveram aqui. — A mulher fez uma pausa dramática. — Desculpa, mas você tem andado estranho ultimamente. Não queremos te incomodar. Afinal, essa é sua casa.
— Essa casa é bem grande, nunca incomodou a mim ou a Daniela recebermos visitas, desde que elas se comportem como tal. — A mulher se remexe na cadeira, incomodada com a indireta.
— Verdade, essa casa é gigante, e ter a família por perto é bom para a Cecília. — Essa é a desculpa dela para estar morando na casa do cunhado desde que Daniela morreu. Ela se mete em tudo como se fosse a senhora da casa, e esse era um fato que incomodava Rico.
— Espero ter deixado claro da última vez que não vou tolerar que os meus funcionários sejam humilhados por quem quer que seja.
— Ah, querido, foi apenas um mal-entendido. Ela já pediu desculpas. — Ela defende a amiga.
— Isso foi o mínimo que ela poderia fazer após destratar o Léo, como ela fez.
— Aí, Rico, mas você tem que entender, Léo irrita até uma pedra. Um homem sem filtro fala o que passa na cabeça.
— Nessa casa, os donos tratam os funcionários com respeito, e o mínimo que se espera é que nossos convidados façam o mesmo.
Zé Luiz pigarreia para chamar a atenção da noiva, que pergunta baixinho: — O que é, Zé?
— Cala a boca, Catarina — diz no mesmo tom.
Rico, que tentava comer, largou o garfo com força no prato, limpou a boca no guardanapo e saiu sem pedir licença.
— Você conseguiu. — Acusou Zé Luiz.
— Sinceramente, Zé, seu irmão é um grosso. Não é como nós, que tivemos a oportunidade de ter uma educação superior.
— Para sua informação, Catarina, só tive a oportunidade de estudar devido ao meu irmão grosseirão, que arriscava a vida em cima de um touro bravo para me sustentar. E é graças a ele que você está sentada nessa merda de cadeira, então respeite meu irmão na casa dele. — Zé Luiz se levantou e saiu, ouvindo os gritos de protesto de Catarina.
No dia seguinte, Rico ficou tão envolvido com os preparativos do rodeio que nem se lembrou de que a ex-cunhada se hospedaria em sua casa. Mal ele coloca o pé em casa, a voz de Andreia dominava a todos. Para os moradores do Vale do Vinhedo, ele era o rei, mas Andreia era a rainha; ela era a estrela da companhia de rodeio Rico Gaúcho.
Andreia era irmã por parte de pai de Daniela, e por esse motivo ele suportava ela e sua mãe dentro de sua casa.
Na hora do jantar, ele observou que Andreia ficava olhando demais na sua direção, enquanto ele conversava ou comia, mesmo quando se reunia no pátio com os seus funcionários. Para uma cuia de chimarrão, ela o olhava pela janela. Seu olhar era possessivo; ele balança a cabeça, como se aquele gesto pudesse livrá-lo daquela imagem.
— Desde quando a presença de Andreia te incomoda? — Perguntou Zé Luiz.
— Ela parece uma stalker. Primeiro, passei a evitar o cercado norte por saber que ela treina lá. Agora vou ter que construir um refúgio para me livrar da sua presença aqui em casa.
— Quando você fala assim, dá até medo. O que aconteceu?
— Não gostei da maneira como agiu e a deixei ciente disso.
— Somos apenas amigos para ela agir como estava agindo.
— Sei!
— Às vezes ela passa dos limites. Ela é a tia de Cecília, porém isso não lhe dá o direito de se meter na minha vida. Gosto muito dela, sou grato pelo apoio que deu a Cecília com a morte de Daniela, mas é só isso. Se ela quiser, pode continuar a amizade, mas não passará disso.
— Vamos torcer para que ela tenha entendido de uma vez por todas. — Diz Zé Luiz, preocupado em começar uma guerra entre Rico e sua noiva em casa devido a Andreia.
Já passavam da meia-noite e nada de o sono chegar. Ricardo sentou-se à mesa da cozinha com uma cuia de chimarrão e uma chaleira de água fervendo. Fechando os olhos, encostou sua cabeça. De repente, ele é envolvido em um abraço.
Sem pensar, ele empurra a pessoa, e Andreia grita ao cair no chão. Ele olha para sua roupa, uma camisola vermelha com um robe aberto. Seus pés descalços, por isso ele não a ouviu chegar.
— Que significa isso? — Esbravejou ele, apontando para ela.
— Você poderia ter me machucado, e como ficaria a montaria de amanhã?
— Você é louca para me abraçar assim? — Um misto de raiva e nojo se apodera dele.
— Tenho pensado muito. — Começou ela. — Já é hora de você recomeçar.
— Que história é essa, Andreia? Quem é você para decidir alguma coisa na minha vida?
— Estou apaixonada por você, mas você só me afasta. Eu amava quando estávamos juntos; cada frase me fazia sentir tão feliz.
— Por acaso você é louca? Nós conversamos como amigos, nada mais que isso.
— Calma, vamos falar baixo ou acordaremos a casa toda.
— Você quer que eu faça o quê? Que finja que minha cunhada não tentou me agarrar na cozinha? Todos nesta fazenda sabem quanto odeio ser importunado com essas… — Ele olha para ela de cima para baixo. — Atitudes de mulher fácil.
— Mas, Rico…
— Não tem mais nada. Me respeita, não quero esse tipo de liberdade com você, Andreia. Já pensou se Cecília visse o que ela iria pensar?
— Ela é só uma criança, Rico, e quem melhor que eu para substituir sua mãe? — Protestou Andreia.
— Como pode preferir a minha irmã mimada, mesmo após morta? Sempre estive aqui para você, mas você nunca enxergou.
— Respeite a memória da sua irmã.
— Daniela te viu como uma oportunidade de subir de vida, de ter tudo que desejava. Porém, detestava seu jeito grosseiro, o teu cheiro, teu suor. — Andreia ri nervosa. — Mesmo assim, você a fez sua mulher.
— Isso não é da sua conta, Andreia.
— Te conheci primeiro, me apaixonei. Até achei que você se interessou por mim até a Daniela aparecer e dar o golpe da barriga.
— Pelo contrário, eu nunca te vi como mulher.
— Assim você me ofende. — Emburra Andreia.
— O que está acontecendo? Dá para ouvir os gritos de vocês lá em cima? — Diz Zé Luiz, esbaforido.
— Está feliz? — Pergunta Rico. — Você nos constrangeu.
— Muito — Ela sorri sem humor, e Rico faz cara de nojo.
— O que está acontecendo? — Pergunta Zé Luiz, preocupado.
Ela deu um risinho ensaiado e se inclinou na direção de Zé Luiz, como se fosse contar um segredo. — Acho que seu irmão não gosta de mulher. Me dê licença, por favor.
Rico cerra os punhos, e José Luiz fica com cara de tacho. — Como essa mulher ousa me afrontar na minha casa? — Ele ficou irritado com a audácia dela.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Vanessa Costa
sei que já foi finalizado, mas quero muito os irmãos com as irmãs que estão chegando da cidade grande😏🤠
2025-02-20
1
Berê
Andréia? Quem é essa piranhazinha? Oferecida como ela só, tá precisando de um sonoro e bem explicado "SAI DA MINHA FRENTE, CHEGA, VAI PRA LA, SAI DE RETRO, SATANÁS", pra se tocar! Ahhh, essa merece um coice do quarto-de-milhas do Rico Gaúcho! 🐎🐎🐎
2025-01-12
2
Cleidilene Silva
Rico não está interessado em mulher até aparecer a gata da Maria Flôr, mulher de fibra. gentil e amorosa 😍😍
2025-01-26
1