Zé Luiz entra no escritório com o chapéu na mão e se senta em frente a Rico.
Enquanto eles conversam sobre o que irão fazer em relação ao anúncio para contratar uma nova babá, uma das caminhonetes da fazenda se aproxima do janelão, e Maciel, o capataz da fazenda, chama um tanto nervoso.
— Patrão.
— O que foi desta vez, Maciel? — pergunta Ricardo, mais irritado do que desejava.
— Arrebentaram a cerca de novo.
Rico franze o cenho — não é possível que não tenhamos um minuto de sossego. — Eles vão em direção à picape.
— As câmeras não pegaram quem fez isso? — pergunta Zé Luiz, sentindo uma raiva crescente.
— Fomos ver o que havia acontecido com as câmeras e descobrimos o estrago na cerca.
— Vou chamar o delegado. — fala Zé Luiz, pegando o telefone.
— Perdemos algum animal? — pergunta Rico, apoiando-se na janela da picape.
— Não, senhor. Assim que identificamos o problema nas câmeras, fui verificar e já contabilizamos os animais que estavam no pasto norte e não sentimos falta de nenhum.
— Leve alguns homens para lá até que o delegado chegue e estejam preparados para fazer o conserto.
— Ok, patrão. — Maciel põe a picape em movimento para cumprir as ordens do patrão.
Zé Luiz encerra a ligação.
— O delegado está chegando. Quais as ordens? Parece coisa dos irmãos Peixoto. — Elias e João Carlos Peixoto são rivais tanto na arena quanto na fazenda vizinha.
— Provavelmente querem causar algum mal-estar, visto que o rodeio se aproxima. — Rico coça a cabeça.
— Se perdermos algum animal nesse momento, não teremos tempo de treinarmos outro para substituir no rodeio. — diz Zé Luiz, aborrecido.
Não demora muito e o delegado chega — Lionel Smith.
— Problemas com as cercas de novo?
— Exatamente, é a quarta vez em menos de seis meses.
— Sempre próximo a uma competição, está virando rotina.
— Vamos para o local. —
A companhia de rodeio dos irmãos Peixoto não conseguiu ganhar nenhum campeonato no ano passado e acusa a companhia de Rico por trapaça. A relação, que já não era das melhores, chegou a um nível insuportável; os irmãos Peixoto têm a fama de conseguirem o que querem não por talento, mas por trapaças.
— Dizem que os Peixotos estão quase falidos devido às perdas no último campeonato.
As despesas de manter uma companhia ativa são grandes; se não há vitória, não tem prêmio, nem convites para fazer propagandas.
E para manter os melhores peões e prendas, tem que pagar os salários que, dependendo do nível, são altos.
No local, os homens do delegado fazem a perícia.
— Eles podem até estar enfraquecidos agora, mas já diz o ditado: “Em um rio com piranhas, jacaré nada de costas” — diz Rico.
— Não dá para confiar, patrão.
— De maneira nenhuma. Oriente os piões a ficarem espertos. Vamos colocar segurança dia e noite até o final do rodeio.
A cidade está se preparando o mais rápido possível para receber os turistas que vêm de todo o Brasil e de algumas partes do mundo. Rico supervisiona as últimas preparações da arena com Sandro Torres, o prefeito da cidade. Os animais vêm chegando de toda parte do Brasil e sendo acomodados com antecedência para não estarem estressados no dia. O Vale dos Vinhedos ganhou notoriedade desde que Rico, o gaúcho, se tornou um campeão nacional, e a coisa só cresceu quando ele passou a ganhar seus títulos mundiais.
Esse será o primeiro rodeio, após vinte anos, que ele não vai participar. Resolveu se aposentar para cuidar da filha pequena após sua mulher, Daniela, morrer há um pouco mais de um ano, e ele não queria fazer nada que pudesse colocar a sua vida em risco.
Para onde você olhasse na cidade, era possível ver barracas, trailers, caminhões e ônibus.
Muitas famílias viajavam quilômetros para participar da maior festa de rodeio do sul do Brasil e, quem sabe, conseguir uma foto com o rei Rico, o gaúcho.
Sua companhia de rodeio é a número um do Brasil, seguida pela dos irmãos Peixoto. Ele sabia que a competição seria dura este ano, especialmente porque os irmãos Peixoto, competidores de renome nacional, haviam anunciado a participação de cinco novos participantes; eles juraram a todos quebrar o recorde de Rico.
Rico era conhecido por sua técnica impecável e por nunca ser derrotado em uma disputa de montaria. Um ano se passou desde sua aposentadoria e ninguém conseguiu superar seus recordes.
Rico e Zé Luiz eram sócios na companhia de rodeio. Zé Luiz era administrador e ele era o artista. Eles estavam bem financeiramente, porém, ele sabia que nessa vida tudo passa e um dia apareceria um homem melhor que ele, mas por enquanto ele ia curtir o título de melhor do mundo.
Para ele, o rodeio era mais que uma competição; era uma celebração da vida no campo e das tradições sulinas que uniam as pessoas e mostravam a força da comunidade rural.
Rico ainda lembra do primeiro touro que montou, um gigante chamado Furacão, e quando o portão abriu, o animal partiu em uma corrida furiosa. Mas Rico, ainda um menino, com movimentos precisos e firmes e muita determinação, conseguiu se manter no touro, conquistando a admiração da multidão e uma pontuação alta dos juízes.
No último campeonato nacional, a batalha entre Rico e Elias Peixoto se intensificou. Eles alternaram entre os primeiros lugares, com montarias cada vez mais desafiadoras. O ponto alto do evento foi no último dia, quando ambos os competidores enfrentaram os touros mais temidos.
Elias Peixoto realizou uma montaria perfeita, deixando a plateia eufórica. Tudo parecia indicar que ele levaria o título nacional daquele ano.
Porém, no jogo, nada é previsível. Ao montar Fúria, o touro mais selvagem e perigoso de todos, Rico executou uma montaria que entraria para a história. Com uma combinação de técnica e coragem, ele não apenas conseguiu se manter em cima do touro durante o tempo necessário, mas fez isso com um estilo que deixou todos boquiabertos, garantindo a ele a vaga no mundial. A plateia vibrava e se colocava de pé, aos gritos de "tetra campeão".
Quando as pontuações foram anunciadas, Rico foi declarado o grande campeão nacional.
Dois meses depois, ele se tornaria o tetra campeão mundial. Ao levantar o troféu, ele dedicou a Daniela e ao filho ainda na barriga. O que ele não sabia era que nunca mais veria a esposa ou conheceria o filho.
Na fazenda vizinha, Antônio Peixoto e seus dois filhos, Elias e João Carlos Peixoto, conversam com seu capataz. Quando um peão entrou esbaforido, disse: — Patrão, fomos descobertos antes de conseguirmos completar o serviço.
— Maldição! Rico gaúcho é uma pedra no nosso sapato há anos.
— Patrão, já tentei subornar um funcionário de lá, mas não surtiu efeito; são todos leais ao Rico — diz Pedreira.
— Precisamos enfraquecê-los, se não vamos acabar perdendo a fazenda. Qual é o segredo para tantos prêmios que precisamos descobrir?
— A grande verdade é que precisamos trazer um dos deles para o nosso lado — diz Pedrosa.
— Fique esperto, a oportunidade vai chegar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 86
Comments
Vanessa Costa
acho que eles são os responsáveis pela morte da esposa e filho do protagonista
2025-02-20
0
Leonor Santana
A inveja é sempre a pior companheira do ser humano.
2025-02-16
0
Vanusa Crispim Da Silva
tô de 👀👀👀👀
2025-01-23
1