Com o endereço em mãos, Rico acomoda a menina na cadeirinha enquanto o irmão coloca a cadeira de rodas na Hilux Cabine Dupla, prata de Zé Luiz.
Rico senta-se ao lado da menina e Zé Luiz dirige para o endereço indicado na ficha. Dez minutos depois, eles estacionam na frente da casa.
Rico desce e toca a campainha, enquanto Zé Luiz acomoda a menina na cadeira de rodas.
Carla, meio desconfiada, olha pela janela e pergunta: — Pois não, o que deseja?
— Boa noite, procuro dona Maria Flor. — Ele tira o chapéu em respeito.
Carla, reconhecendo o homem da delegacia, abre a porta e vai até o portão.
— Boa noite, sou Carla, a mãe dela. — Carla estende a mão e Ricardo aperta. — No que podemos ajudar?
— Ricardo Schimidt, o prazer é todo meu. Ela está?
Carla ouviu o chorinho de criança. — O que está acontecendo, senhor Ricardo?
— Sua filha fez uma entrevista de emprego hoje na minha fazenda. — Rico não tem ideia de como explicar a situação de bater na porta de uma pessoa desconhecida às dez e meia da noite para que sua filha possa ouvir uma história.
O coração de Carla se derrete com a história. — Aí, meu Deus, pegue-a e entre.
Eles entram e esperam na varanda, enquanto Carla grita pela filha.
— Flor, você tem visitas! — grita Carla.
— O que aconteceu? — Vivi vem do quarto, curiosa com as vozes e o chorinho de criança. — Oi! Boa noite!
— Chame a sua irmã, tem visitas para ela — diz Carla, preocupada com o estado da criança.
Viviane corre até o quarto da Maria Flor e entra sem bater. Ela está de costas para a porta, com fones de ouvido, e se assusta com o toque repentino de Viviane.
— Não sabe bater? — esbraveja ela.
— Tem dois cowboys lindos lá fora te procurando.
— Me procurando? — se surpreende.
— É, lesada! Vai logo, a criança parece que morrerá de tanto chorar. Nesse momento, Maria Flor percebe que o choro não é do vizinho, levanta e corre para a sala. Ela para com a mão no portal, olhando para a menina na cadeira de rodas e seu pai segurando o chapéu na mão.
— Me desculpe o horário, mas minha filha não quer dormir. — Maria ignora Rico, que fica mais uma vez boquiaberto. Ele está acostumado a que as pessoas deem atenção ao que ele está falando, mas essa mulher só sabe ignorá-lo, e isso o irrita mais do que está disposto a admitir.
— Eu estava com saudades — choraminga Cecília.
Maria Flor desce o degrau da sala para a varanda, abaixando-se na altura de Cecília. Elas se olham nos olhos, e o coração de Maria Flor se enternece enquanto mãozinhas macias acariciam seu rosto e cabelos. Maria Flor dá um beijinho em seu rosto, consolando-a.
— Também estava com saudade, mas me diz: por que você estava chorando?
— Quero saber o que aconteceu com a Hermengarda, e Dete disse que papai não quis contratar você — responde a menina, soluçando.
— Mas isso não foi verdade. Eu fui uma das finalistas, mas ele precisa ser justo, tem que conhecer a todas. — Maria Flor olha para cima; seu olhar encontrou o de Rico, que faz um pedido silencioso de socorro.
— Mas eu não quero, eu já escolhi você. Adorei escutar você contando histórias — a menina é esperta e sabe conquistar o que deseja. Ela abraça o pescoço de Maria Flor, não deixando espaço para recusa.
— Obrigado, agora vamos entrar. — A menina confirma com a cabeça; ela tira a menina da cadeira.
— Você está molhada. Onde está a bolsa dela, seu Ricardo? — Rico colocou a mão na cabeça; ele nem pensou.
— Eu estava nervosa, não consegui segurar. — Cecília abaixa a cabeça, envergonhada.
— Como você sai com uma criança sem uma bolsa com as coisas dela?
— Vai encrencar comigo por isso também! Ela não parava de chorar por conta dessa bendita história, nem pensei que iríamos precisar trocá-la.
— Então vá buscar.
— E deixar minha filha aqui com uma estranha?
— Rico, posso ir buscar. Boa noite, sou José Luiz, irmão dele.
Só agora Maria Flor notou o homem, um pouco mais novo que Rico, parado no canto da varanda.
— Desculpe-me, com a emoção de ver a Cecília chorando, nem percebi o senhor aí. Maria Flor, muito prazer! — Ela estende a mão e Zé Luiz aperta.
Rico se irrita com o jeito doce que ela fala com seu irmão.
— Vamos parar com essa melação. Zé Luiz, busca a bolsa.
— Nossa, como o senhor é agradável! — Maria Flor fala com sarcasmo.
— Meninos, vamos parar com isso. Rapaz, busque a bolsa, vocês dois tragam a menina para dentro — comanda Dona Carolina.
Maria Flor nem percebeu que eles tinham uma plateia; três mulheres olhavam curiosas para a cena.
— Filha, ela está muito estressada, e por sua condição física, isso gerará muita dor. O que faremos? — Pergunta Dona Carolina.
— Senhor Ricardo, a Cecília tem alguma alergia a ervas?
— Até hoje, ela não apresentou nenhuma alergia. — O homem, que está acostumado a mandar em tudo e todos, está meio deslocado no meio de um bando de mulheres mandonas.
— Vó, prepare um daqueles chás para ela enquanto dou um banhozinho quente.
— O ideal seria um banho de imersão — lembra Viviane.
— Nos fundos tem uma grande bacia; podemos desinfetá-la e enchê-la com água morna — lembra Carla.
— Vivi, pega a bacia e desinfeta. Vó, faça o chazinho. Mamãe, pegue toalhas e algo para mantê-la aquecida enquanto sua bolsa não chega.
— Talvez seja melhor chamarmos seu médico; ele aplica uma injeção. — Ao ouvir falar de injeção, a menina abre o berreiro.
— Pipoquinha, não se preocupe, nós cuidaremos de você. Não vai precisar nem de médico nem de injeção, tá bom? Não chora. — Instantaneamente, a menina engole o choro e seca as lágrimas. Rico ficou pasmo com como alguém desconhecida tinha tamanho poder sobre sua filha.
As quatro mulheres cuidaram da menina sob a vigilância de Rico. Sua filha estava radiante, falava e fazia graça, e as quatro mulheres riam. Zé Luiz chegou com uma bolsa e um pijama sequinho. As mulheres saíram do quarto, deixando Maria Flor e Cecília. Rico ficou na porta de guarda; ele não deixaria a sua filha sozinha nem um minuto com aquela mulher de cabelo cor-de-rosa.
Ele não vai arriscar perder sua filha, que parecia muito enfeitiçada para o seu gosto.
Cecília não deixava ninguém além da Dete tocá-la, mas essa mulher deu banho, penteou, fez massagem, e a menina sorria. Agora estava deitada na cama ouvindo a bendita história; isso não era normal.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 86
Comments
Tag
Muito boa a história! Aqui mulher não se humilha pra macho. Não tem o clichê da mocinha sofrida com a família cruel, elas apenas tem defeitos igual a toda família.
2025-02-09
1
Cleidilene Silva
estou maravilhada com história não consigo parar de ler
2025-01-26
4
Telma Souza
Eu estou amando
2025-03-27
0