RICO
Chegou em casa após um longo dia na delegacia. Cecília já dormia. Ele tomou um banho para tirar o cheiro de fralda infantil do corpo. Foi ao quarto da filha e dispensou Geovana, que cuidava dela. Ele a levou para seu próprio quarto; precisava sentir que ela estava protegida. Pela manhã, Rico acordou confuso. Ele sonhara com a mulher cor de rosa; os dois estavam na cela e ele a beijava na boca, segurando aquele cabelo estranho. Sacudia a cabeça para colocar os pensamentos no lugar.
"Que situação absurda! Por que ele sonhou com ela? Só pode ser devido ao cheiro de Cecília.”
Mais tarde, no escritório, ele se reuniu com seu advogado, sua assessora e seu irmão. Ele finalmente reconheceu que estava distraído pelas preocupações com o discurso que faria na abertura do rodeio e não percebeu a palhaça rosa vindo à sua frente.
O desafio agora era enfrentar seus milhares de fãs, que, frustrados, levantavam milhares de teorias. Em conjunto, chegaram a uma conclusão: contariam uma meia-verdade, onde Rico gaúcho se transformou na vítima. Em uma nota divulgada em suas redes sociais, Ricardo explicou o acidente e a consequente confusão na delegacia.
Marcelo, um conceituado advogado, deixou seu escritório para atender seu melhor cliente.
— Rico, meu amigo, o destino, por vezes irônico, fez com que os caminhos de vocês se cruzassem de maneira dramática. Mas, no fim, tudo ficou bem, sem grande prejuízo.
— Eu discordo, eu perdi 14.000.
— O que é 14.000 para você, Rico? Ainda bem que não havia curiosos no local. — Tereza Santos, responsável pelo setor de marketing da fazenda, diz — imagina a repercussão negativa se soubessem que você não estava na abertura do rodeio porque foi levado para a delegacia por atropelar uma turista.
— A única coisa que ameniza tudo isso é que eu nunca mais verei aquela mulher louca. — Por mais estranho que possa parecer, Rico, volta e meia, se lembrava do cheiro da mulher cor de rosa. Rico toma mais um gole de café antes de se levantar para procurar a pasta de documentos relacionados à locação da arena sul da fazenda.
— Como foi a viagem? — pergunta Zé Luiz, entrando no escritório.
— Cansativa, porém produtiva. Conseguimos fechar o negócio. A fazenda será o palco do desfile da marca Cowboy Company.
— Ótima notícia! Fecharam por quanto?
— Três milhões pelos dois próximos anos, mais comissões. — Zé Luiz soca o ar em comemoração.
Batidas insistentes na porta os fizeram olhar em sua direção. Rico autorizou a entrada.
— Boa tarde! Ricardo, você tem um minuto? Preciso conversar com você — Andreia entra toda empoderada.
— Agora não, Andreia, tenho algo importante para resolver. — Ele nem olha, continua à procura da pasta de documentos.
— Nada nesse mundo pode ser mais importante do que o bem-estar de Cecília. — choraminga ela.
Parando o que estava fazendo, Rico endireita o corpo e encara a mulher que está se tornando um grande pé no saco. — Nada nesse mundão de Deus é mais importante que a minha filha.
— E sobre a nova babá?
— O que tem ela? — perguntou Zé Luiz, que foi ignorado por ela.
— Ontem fui dar um beijo de boa noite na Cecília e não encontrei a babá. Ouvi um barulho no seu quarto, verifiquei que a mulher estava deitada na sua cama tirando fotos.
— Diacho! Quando penso que as coisas vão dar certo, vem uma bomba. — reclama Rico.
— Eu a demiti na mesma hora — fala orgulhosa.
— Quem é você, Andreia, para demitir alguém nesta casa? — Zé Luiz cerra os punhos, alterado.
— Sou a tia da Cecília, — ela olha para Rico pedindo apoio e é ignorada — a mulher largou a menina sozinha.
— A tia da Cecília não é nada nesta casa, não tem autoridade para contratar ou demitir nenhum funcionário. — Zé Luiz respirou profundamente.
— Por que você não procurou o Zé Luiz? — Rico coçou a cabeça. Zé Luiz chega a ser um banana com as mulheres, mas agora está colocando fogo pela venta.
— Com certeza porque ela queria aparecer para você. — ri debochado.
— Deixa de ser escroto, Zé Luiz.
— Eu estava na fazenda o tempo todo e você passou por cima da minha autoridade. Saia daqui, Andreia, se não eu te ponho para fora dessa fazenda a pontapés.
— Rico, você vai deixar ele falar assim comigo?
Rico faz cara de paisagem, deixando-a falar sozinha.
— Você esqueceu de quem sou, Zé Luiz? A rainha da montaria do Brasil, a estrela dessa fazenda. Se você me ameaçar novamente… — Ela não conseguiu terminar porque Zé Luiz, furioso, grita com ela.
— Vai se ferrar, Andreia! Você não é ninguém para passar por cima de mim. Se quiser ir, adeus, já vai tarde.
Rico intervém, deixando claro que não aceitará que Andreia se envolva com os funcionários da casa ou da fazenda. Essa é a responsabilidade de Zé Luiz. Mais tarde, ele autoriza Zé Luiz a colocar o anúncio para contratar a nova babá.
Na casa das quatro mulheres:
O domingo amanheceu preguiçoso. Depois de quatro dias trabalhando para limpar e organizar a casa, ninguém queria sair da cama. Coube a Maria Flor ir até à banca comprar o jornal.
Ela estava sendo explorada ao extremo. Flor faz isso, Flor ajuda aqui, Flor conserta aquilo já estava dando nos nervos no Rio de Janeiro o Severino era o faz tudo no prédio.
Aqui não conheciam ninguém.
Suas pernas pareciam endurecidas; cada pedalada era uma tortura. O vale das videiras era estranhamente silencioso, diferente do calçadão carioca. Poucas pessoas estavam ali naquele horário da manhã.
Ela voltou para casa com três jornais: dois locais e um do estado. Cada uma com sua caneca de café com leite, sentaram-se no sofá. Carla divide os classificados para facilitar o trabalho.
— Gente, vai ser difícil arrumar emprego aqui, viu. — disse Carla, deixando o jornal de lado.
— Olha esse aqui. — diz Viviane, rindo.
“VAGA PARA BABÁ
Exigência: ter mais de vinte e um anos, ter segundo grau completo, ser desprovida de vaidade, organizada, discreta (fale pouco), seja obediente, saiba organizar a casa, tenha noção de etiqueta à mesa, saiba cozinhar, gostar de crianças e bichos, não seja medrosa. Contratação imediata.”
“Para fins de contratação, o empregador não exigirá da candidata ao emprego comprovação de experiência prévia por tempo superior a seis meses no mesmo tipo de atividade.
Trabalho na sede da fazenda.
Disponibilidade de horário.
Benefícios: motorista, alimentação, salário R$ 6.000.”
— E o perfil da Flor, gosto peculiar — elas riem.
— Precisamos saber quem é o louco? — Fala Viviane, pegando seu telefone e digitando o nome do dono do anúncio.
— Olha a foto da capa do Instagram “Fazenda Rico Gaúcho.”
— Nossa! É linda! Maravilhosa! Uma belezura! — dizem todas juntas.
— Logo de cara, há uma reportagem a respeito dele. No entanto, não é possível ver o rosto. Ele está montado em um cavalo preto, com as patas dianteiras levantadas. A mão direita segura as rédeas e a esquerda, o chapéu. Lerei.
“Em competições da PBR, o brasileiro Rico Gaúcho, trinta e cinco anos, tetra campeão mundial de montaria em touros, obteve no ano passado a maior nota da história em uma prova oficial: 99,99, na última montaria. Ele venceu três finais e ganhou treze etapas, se consagrando com a maior pontuação da história dos rodeios.
Em dezembro, ele embolsou nada mais nada menos que US$ 4 milhões na PBR no campeonato mundial. Dono de uma fortuna estimada em duzentos e cinquenta bilhões de reais, o peão se aposentou no último campeonato.”
— Isso é sério? — Pergunta dona Carolina. — Não sabia que esse negócio dava tanto dinheiro.
— É esporte, vovó, igual ao boxe. Se mamãe me deixasse competir, nós seríamos ricas. — Declara Maria Flor, olhando para a mãe.
— Prefiro morar nesse final de mundo o resto da vida a ter que enterrar uma filha que morreu espancada. — rebate Carla.
— Por isso o homem é egocêntrico; com todo esse dinheiro, deve ter subido à cabeça — sentencia Viviane.
— Fora que as quedas devem ter afrouxado os parafusos da cabeça dele. — zomba dona Carolina.
— É a melhor oferta que vimos. Isso temos que admitir. — diz Carla — E se não for para colocar sua vida em risco, ficar calada deve ser mais fácil.
— Também acho, não dá para nós quatro vivermos com a pensão da vovó Carolina. — diz Maria Flor.
— Babá? Tô fora, detesto crianças. — diz Viviane.
— Eu não tenho mais idade para isso!
— Passo — grita Carla, rindo.
Às três olham para Maria Flor.
— Por que estão me olhando com essas caras?
— Só sobrou você.
— Só o que faltava, provavelmente é um machista.
— Filha, olha pelo lado bom, você terá a oportunidade de controlar seu gênio. — afirma dona Carolina.
— É só por um ano, o que poderia dar errado?
Flor faz isso, Flor ajuda aqui, Flor consertar aquilo já estava dando nos nervos no Rio de Janeiro o sivirino era o faz tudo no prédi.
Aqui não conheciam ninguém
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Viviane Gregório Maciel da Silva
Estou adorando esse livro. O ruim é que demora muito pra carregar de um capitulo para outro...mas parabéns autora, a história é muito envolvente e me sinto " transportada " para cada capitulo como uma narrador observador!
2025-01-14
4
amor por leitura 📚
Coisa boa
2025-01-23
0
Gedalva
Sobrou pra Flor 😂😂😂😂😂😂😂😂😂
2025-01-15
0