Ela explicou quando as seis candidatas ficaram sozinhas:
— Amanhã vocês virão e farão um teste; aquela que se sair melhor fica com a vaga. Exceto Maria Flor, peço que aguarde um pouco.
Todas a olham com desprezo. — Até nunca! — Uma das candidatas fala antes de sair. Após cinco minutos, Vanusa volta e a convida para acompanhá-la. Ela orienta Maria Flor a entrar, pois ele a está aguardando.
O escritório era espetacular; ela olhou admirada com o bom gosto de cada detalhe. Rico a olha e aponta para a cadeira em sua frente. Ela caminha e se senta.
— Me chamo Ricardo Schmidt, sou proprietário da fazenda Rico Gaúcho. — O semblante sério aliviou-se um pouco quando pensou que ele estava fazendo aquilo para Cecília.
— Prazer, Maria Flor. — Ele a analisa dos pés à cabeça; a vontade que tem é de fazer uma careta para aquele cabelo rosa em uma mulher dessa idade.
— Você é casada ou tem namorado? Tem disponibilidade de horário? — dispara Rico, fazendo-a gaguejar.
— Não, senhor, quero dizer, não tenho namorado ou marido e sim tenho disponibilidade de horários. — Nervosa, bebeu um pouco de água do copo que estava à sua frente.
— Já leu o contrato? Você usará uniformes; prefiro que meus funcionários tenham um vestuário sóbrio, esse seu cabelo...
Enquanto as candidatas aguardavam uma resposta, ele a observou de longe e conseguia identificá-la por conta daqueles cabelos, e isso o deixava inquieto.
— O que tem no meu cabelo? — pergunta, incrédula pelo comentário.
— Você poderia usar um estilo, digamos… um pouco… mais neutro.
— Pois eu não concordo. Por que eu mudaria o meu cabelo devido a um emprego?
— Existe uma cláusula que diz que você deve ajustar-se à vontade do patrão no horário de trabalho; isso inclui os seus cabelos. — Ele faz uma pausa. — Para você, tudo bem?
— Sinceramente, não consigo me ver sendo alguém que muda o cabelo para conseguir um trabalho. Se fosse por um mês, até poderia me esforçar; porém, não é esse o caso. Agradeço, mas esse trabalho não é para mim. — Diz, levantando-se para sair.
— Você viu quanto pago? — pergunta, incrédulo, que alguém renunciaria a um salário tão gordo só porque não quer usar uniforme nem mudar os cabelos. — São quatro salários e meio.
Ela para com a mão na maçaneta e se vira para ele. — Para sua informação, eu não sou analfabeta; sei quanto o senhor está pagando.
— Então vai renunciar a ter um bom salário devido a um mínimo detalhe? Você é muito esquisita.
— Amei sua filha, mas você é insuportável. Passar bem, senhor Ricardo.
— Dona Maria Flor, pelo amor de Deus! — Ela virou a cabeça e saiu, deixando Rico boquiaberto.
Na casa das quatro mulheres
Maria Flor guarda a bicicleta na garagem e caminha para casa. Sua família está na cozinha, sentada à mesa com bolo, geleia de morango e chá, todas borocoxó. Ela pegou um prato e uma xícara no armário e foi sentar-se com elas.
— Vocês não vão acreditar quem é o tal rei do Vale das Videiras.
— Alguém bem desinteressante. — Diz dona Carolina, entediada.
— Credo, vó, que mau humor! Antes eu chegava e você queria saber de tudo; agora... — Ela finge estar magoada.
— Desculpa, Florzinha, estou um pouco chateada. Estou com muita saudade da Cida; não tenho mais ninguém para conversar sobre a nova série turca.
— Você pode conversar comigo ou falar com a Cidinha por WhatsApp.
— Não é o mesmo, mas você tem razão; vamos recomeçar, tá bem? — Sua neta preferida confirma com a cabeça.
Oi! Flor, como foi a entrevista de trabalho?
— O mal, o ogro que quase me matou. É ele o contratante; ele tem uma filha linda de quase seis anos, e ela é cadeirante.
— Aí você fugiu correndo. — Dona Carolina se anima com a história. — Conta mais, o que ele disse quando te viu?
Maria Flor conta todos os detalhes do que aconteceu na fazenda, e os olhinhos de dona Carolina brilham de felicidade. Em determinado momento, ela bate palmas. — E eu que achava que isso só acontecia nas séries turcas!
Carla olha para Viviane e sacode a cabeça pela atitude curiosa da mãe.
Enquanto elas conversavam, dona Carolina queria detalhes sobre seu encontro com o rei ogro, de como ele reagiu à sua presença na fazenda; seus olhos brilhavam travessos.
O dia de Rico foi péssimo; não conseguia tirar aquela esquisita da cabeça. Quem ela pensava ser para ser tão exigente? Irritante, insuportável e linda! Pensou Rico, sacudindo a cabeça para retirar aqueles pensamentos indesejados.
Antes mesmo de pôr o pé em casa, ouviu os gritos de Cecília. Um desespero o abateu; ele correu escada acima, abriu a porta do quarto da menina, sentindo o coração quase saindo pela boca.
O que está acontecendo? Cecília está com o rosto vermelho e inchado de tanto chorar.
— Cecília não para de chorar. Rico, ela quer ouvir o restante da história que a moça de cabelos cor de rosa estava contando. Estou preocupada de que ela tenha outra crise e precise ser internada. — Constata Bernadete.
— Vire essa boca para lá, Dete! — Zé Luiz arregala os olhos, entrando no quarto. — O que foi, prendinha do tio?
— Ele não quis me dar aquela babá lindinha. — A menina soluça, e o coração do tio se derrete.
— Só o que faltava! Cecília, a moça não quis o emprego; você quer que eu faça o que? Me diga!
— Vamos à casa dela, — diz, enxugando as lágrimas.
— Que merda! — Praguejou Rico. — Nós não sabemos onde ela mora.
— Tio, quero ouvir a história, por favor, não vou conseguir dormir. — O biquinho que a menina fez quebrou o pouco de resistência que restava nos dois homens.
— Vamos para o escritório e encontraremos a moça, tá? Bom, mas você tem que prometer parar de chorar. — A menina prometeu, e o tio pegou-a no colo, caminhando para o escritório. No caminho, Rico pegou o celular para ligar para dona Vanusa e viu as horas.
E praguejou novamente. Seu irmão o repreendeu com o olhar.
Ela atendeu sonolenta. — Alô!
— Quero a ficha da candidata com cabelos cor de rosa. — Dispara Rico.
Vanusa está acostumada aos ataques do patrão. Tentando levantar, acabou por cair do sofá. — Mas a essas horas? Seu Ricardo.
— Eu te pago muito bem para você me atender vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.
— Encontrei! — Grita Zé Luiz, levantando o envelope.
— Pode dormir, já encontramos. — Ele desligou sem esperar resposta de Vanusa, que ficou confusa, olhando para o aparelho.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 86
Comments
Ely Ana Canto
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣 casal muito top
2025-01-17
3
Gedalva
Amando cada capítulo autora 😍😍😍😍😍❤️❤️❤️❤️👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾💓💓💓💓
2025-01-15
2
Gedalva
Morri de rir agora 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2025-01-15
2