Os olhos de Rico passam por toda a fazenda. A maioria dos que andam por ela hoje em dia nem sequer tinha noção de como ela estava destruída há doze anos atrás.
A casa de dois andares era bem cuidada. Uma pequena nascente cortava a fazenda, alimentando o lago de pedra, as árvores cheias de frutas e o jardim em flor. Eram um encanto à parte.
Ele suspira, sentindo um pesar; seus pais não puderam ver em que homens eles se tornaram.
Ele andava de um lado para o outro na grande varanda.
Por um instante, pensou que ela poderia não vir. Como ele explicaria para Coroné Cecília? Rico suspira aliviado ao vê-la pela estrada na sua bicicleta; ele sai para encontrá-la.
Mal ela parou em frente à casa, o homem saiu do nada, assustando Maria Flor.
— Até que enfim chegou, já estava de saco cheio de te esperar.
Ela olha no relógio. — Bem, se meu relógio não parou, estou onze minutos e quinze segundos adiantada. — O homem carrancudo olhou para o próprio relógio.
— Vamos logo, porque não tenho o dia todo para ficar te pajiando — resmunga ele.
— Obrigada. Então vamos, não quero perder nada! — gracejou, recebendo de volta um olhar carrancudo.
— Nossa, que animação, essa hora da manhã. — Eles caminham em direção à casa; ele abre a porta para ela. Maria Flor se encanta com o hall de entrada.
— Esse hall é original? — pergunta Maria Flor.
— Quase todo. Quando comprei a fazenda, ele estava praticamente destruído; foi trabalho de formiguinha.
— Valeu a pena, porque ele é maravilhoso.
— Obrigado! Ele a conduz para a sala de jantar.
— Bom dia, patrão. — Pode deixar que acompanho a nova babá até a cozinha — ofereceu Giovana.
— Não é necessário, põe um lugar para ela na mesa.
— Na mesa? Qual mesa? — Giovana fica confusa.
— Na mesa que irei comer, qual outra seria?
— Vamos para a mesa de café — mandou ele. — O café é sempre servido entre sete e oito horas da manhã. Isso é muito importante para mim. Eles se sentam à mesa.
— Zé Luiz! — chama Rico num tom calmo.
Zé Luiz arregala os olhos, surpreso por a babá estar sentada à mesa tomando café com Rico.
— Bom dia! Bem-vinda, dona Flor!
— Obrigada! — Agradeceu. Nesse momento, chega Catarina, uma mulher magra, com cabelo louro num corte abaixo dos ombros e um sorriso falso no rosto.
Catarina Rodrigues, noiva de Zé Luiz.
— Bom dia para todos! Quem é a nossa convidada?
— Dona Flor, é a nova babá da Cecília — diz Rico.
— Ah, que interessante! Ela se sentará à mesa com os patrões — diz Catarina num tom debochado.
— Senti o cheirinho do café lá de cima, Dete. — Zé Luiz abraça e beija Bernadete, tentando amenizar o clima que as palavras de sua noiva causaram.
— Oh, meu garoto, dormiu bem? Mandei fazer seu bolo preferido.
— Hum! Parece delicioso. — Ele abraça a mulher, que está com as bochechas vermelhas e um sorriso radiante no rosto.
— Temos novidades? — ele aponta para Maria Flor. — Dete, você já conhece a dona Flor?
— Tive o prazer de conhecê-la ontem. Bem-vinda, menina.
Zé Luiz observa atentamente os movimentos do irmão, mais relaxado do que de costume, principalmente por ter uma babá à mesa.
“Zé dá um risinho de lado, pensando bem, eles são companheiros de sela; isso leva o relacionamento para outro nível.”
— Está rindo do que, Zé Luiz? — resmunga Catarina.
— Não estou rindo, estou feliz com o bolo que Dete preparou para mim. Te amo, Dete.
— Aí, meu garoto, assim meu coração explode. Vou para a lida. — A mulher esguia, com os cabelos bem presos num coque, sai feliz.
Bernadete trabalha para Rico há dezessete anos.
Zé Luiz era um garoto de treze anos, magrelo e introvertido, quando Bernadete chegou para cuidar da pequena casa de dois quartos. Viu Rico se tornar um homem rico e famoso. Muito bem. Bernadete cuidou deles muito além do que o dinheiro pode comprar.
O capataz Maciel Loureiro surge na porta. — Bom dia! Mandou me chamar, Rico?
— Bom dia, Maciel. Quero que conheça a dona Maria Flor, a nova babá da Cecília. Por favor.
— Bom dia, moça! Seja muito bem-vinda — diz o homem, segurando o chapéu no peito.
— Temos muitos empregados na fazenda — ele fala com Maria Flor —, mas os principais são Zé Luiz, meu irmão; Maciel, o capataz; e Léo, o faz-tudo, que em breve irá conhecer. Se precisar de qualquer coisa, pode ir a um deles; são da minha inteira confiança. — Maria Flor assente com a cabeça. — Mande selarem dois cavalos. Levarei dona Flor para conhecer a fazenda.
— A cavalo? De jeito nenhum! Um deles quase me matou.
— Não seja boba, eles são super seguros. É só medo bobo.
— Pois eu não acho! Eles são enormes, parecem pesar meia tonelada — diz, empinando o nariz.
— Uma — corrige Rico.
— O quê? — pergunta, confusa.
— Ele pesa uma tonelada e você está parecendo uma criança.
— Prefiro ficar com a Cecília.
— Coroné Cecília só acorda às nove e ainda são sete e meia. Dá tempo de você conhecer um pouco a fazenda e depois cuidar dela.
— Então vamos a pé ou de carro. De cavalo, jamais! — diz, enchendo o copo com suco de laranja e pegando um pão de queijo. Ela fecha os olhos e um pequeno sorriso brota dos seus lábios, e isso não passa despercebido a Rico, que anota mentalmente: pedi para Dete colocar pão de queijo em todos os cafés da manhã.
— Tá bem, vamos de carro — diz, tomando um gole de café fumegante.
Zé Luiz e Maciel observaram a cena, boquiabertos; nunca viram Rico ceder para ninguém. Sua vontade sempre prevalecia, e ver uma mulher fazer ele mudar de ideia era um tanto revelador.
Na cozinha
As mulheres estão revoltadas. Leonardo chega e o comentário não é outro se não “a nova babá” que está sentada à mesa comendo com o patrão.
— Como assim a nova babá tá comendo na mesa com o rei Rico gaúcho? — pergunta Léo, indignado.
— Ela chegou e ele estava aguardando do lado de fora. Nem mesmo nos apresentou, já foi chamando para tomar café da manhã com ele. Sinceramente, eu nem acreditei; ele odeia as babás — comenta Geovana.
— Ela está lá sentada com ele, deve estar se sentindo a rainha da cocada — diz Marielza.
— Ele nunca convidou nenhuma de nós para sentar com ele, e olha que a gente tá aqui há séculos — Jussara sente-se indignada e ela foi a culpada. Se não tivesse feito a mulher estranha vir até a casa, ela nunca teria conhecido a Cecília. — O que a rainha Andreia vai dizer disso?
— A gente não é para tanto, né? Ele só foi educado e a convidou para tomar café. Amanhã vai estar tudo normal, e ela passa a tomar café aqui junto de nós — Geovana retruca.
— Para mim, isso dará trabalho, isso sim! Se as mulheres já dão em cima dele sem ele nem ter olhado para elas, imagine essa cobra aí — diz Jussara.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Cleidilene Silva
o amor está no ar kkkk
2025-01-26
3
amor por leitura 📚
kkkkkkk..... ele já está apaixonadinho
2025-01-23
2
amor por leitura 📚
jkkkk
2025-01-23
0