Elas chegaram ao local da luta. Carla parou o carro e o clima estava tenso. Carla vê sua filha brigando num ringue; ela, que preza a beleza e a graciosidade, considera isso a pior coisa do mundo, porém não há outro jeito.
Num ringue iluminado pelos holofotes, as candidatas para enfrentar a estrela invicta Fátima "Bala de Canhão" levantam os punhos.
Ao contemplar a quantidade de pessoas que chegavam com seus petiscos em mãos, ela se deparou com um frio na barriga. Ela observava as preliminares, e as mais fracas eram as primeiras a cair, ficando apenas as oito mais fortes.
Como convidada, Maria Flor não teve que se submeter às etapas iniciais, tendo apenas participado das quatro lutas finais. Isso era bom; dava tempo de estudar as adversárias.
Sua primeira luta chegou, e o juiz perguntou sem esperar por respostas: — Preparadas? — O homem mantinha a voz fria. — Lembre-se, a luta pode ser ganha pela quantidade de rounds vencidos ou por nocaute. Ambas balançaram a cabeça, confirmando.
— Vamos resolver isso de uma vez. — A garota deu um direto antes do juiz acabar a contagem, e o juiz fingiu não ver.
Antes que pudesse se recuperar do golpe, a garota lançou os punhos contra ela. Seus socos eram fortes, mas Maria Flor era ótima em desviar dos ataques dos outros.
“Se ela quiser bancar a espertinha, então vamos nessa. Deixarei ela atacar até não aguentar mais; só aí vou para cima,” pensa Maria Flor.
O ringue tinha dez metros. Era só contar todas as vezes que sua oponente ia dar um soco; ela dava um pequeno passo para trás. Isso trazia uma certa desestabilização em sua oponente, era tempo suficiente para Maria Flor se afastar. Era brincadeira de gato e rato.
Ela tentou um soco no queixo, mas Maria Flor foi mais ágil e se abaixou. O suor escorria do corpo da sua oponente, que parecia estar cansada de socar o ar. Um soco cruzado atingiu a lateral do rosto de Maria Flor, mas não teve a mesma potência do primeiro. “Calma, só mais um pouco e minha oponente estará no chão.”
Maria Flor ergueu o punho esquerdo e deu um direto seguido de um frontal no queixo da sua oponente uma, duas, três vezes, e ela desabou no chão. A contagem começou; a moça tentou se levantar, mas sem sucesso.
A segunda oponente foi mais fácil, e Maria Flor foi atingida apenas uma vez. Ela sabia que, da mesma forma que analisou suas oponentes, a estrela da noite, Fátima, também a analisava.
Um segundo lugar garantiria a mudança da família para o sul, por isso ela deu um soco certeiro, derrubando sua segunda oponente.
As forças pareciam diminuir. Essa terceira luta não dava para vencer na força; precisava usar o cérebro, senão não conseguiria ficar nem um minuto em pé na quarta luta.
Como nas preliminares, ela observa a oponente e vê que está muito cansada. Elas se cumprimentam e o juiz faz a contagem.
Diferente das outras duas lutas, Maria Flor atacou: um gancho de direita, outro de esquerda e mais outro, e sua adversária caiu sem forças para levantar.
A plateia vibra e começa a gritar: um… dois… três… quatro… cinco… seis… sete… oito… nove… dez… Segundo lugar garantido.
Agora ela teria trinta e oito minutos para recuperar alguma força.
O tempo pareceu voar e o locutor anunciou a luta final: Fátima "Bala de Canhão", invicta há noventa e duas lutas.
Maria Flor pretende dançar até os rounds terminarem, mas não pode deixar os socos pegarem no seu rosto, pois a sua oponente é muito forte e, diferente dela, não está nem um pouco cansada.
A lutadora Fátima "Bala de Canhão", com a leveza de um predador, circula Maria Flor e dá um risinho de lado, com os punhos cerrados em guarda alta.
Fátima dá um golpe rápido e violento que machuca Maria Flor, que responde com um gancho de esquerda. Fátima é forte e dá um golpe violento que corta o ar, mas Maria Flor consegue desviar, e o som do golpe é ouvido. O duelo começa e explora sua velocidade, tecendo uma série de golpes rápidos, cada um mais ousado que o anterior, forçando Maria Flor a defender-se.
A mulher dá golpes baixos, como chutes e socos no abdômen. Isso foi um motivador para a fúria crescente que estava a ponto de explodir. Num momento de audácia, Fátima tenta dar um cruzado de direita, e o golpe pega na boca de Maria, fazendo o sangue escorrer. A mulher vai com tudo para cima, desejando terminar a luta com um só golpe. Maria Flor, no entanto, antecipa, bloqueia e contra-ataca com um cruzado potente que encontra a lateral do rosto de Fátima, fazendo-a trincar os dentes ao absorver o impacto. Ela recua, sacudindo a cabeça, respeitando agora a força de Maria Flor.
Conforme os rounds se sucedem, o cansaço pesa sobre as combatentes. Mas ela aceita o segundo lugar, mas a lona jamais.
Fátima "Bala de Canhão" tenta uma rasteira que o juiz fingiu não ver. A raiva que Maria Flor sentiu deu-lhe a força que precisava para acabar com a luta. Com um gancho certeiro, manda a adversária para a lona.
No final, sob aplausos ensurdecedores, Maria Flor se sente exausta e ergue os braços em sinal de vitória.
— Duzentos e cinquenta mil! Que loucura! Um ano de trabalho de um profissional bem pago para ver pessoas batendo umas nas outras. Que absurdo!
— A vida é assim. Não fui eu que criei as regras. Além disso, precisamos de cada centavo: viagem, hotel, alimentação, reforma da casa e transporte das nossas coisas.
Sua mãe tira os olhos da estrada: — Tenho que admitir que você foi muito corajosa e, pelo que ouvi dos espectadores, talentosa também.
— Obrigada! Só de saber que terei minhas coisas comigo, vovó Carolina, sua TV fez tudo valer a pena.
— Talvez alugar uma casa seja mais barato do que ficarmos em um hotel por um mês.
— Quando acordar, manda algum dinheiro para seu primo para ele começar a consertar o telhado.
— Farei isso! — Carla faz a curva e chegaram ao prédio. Na garagem, Carla ampara a filha até seu apartamento.
Ao abrir a porta, dona Carolina leva um susto ao ver o estado de Maria Flor. — Meu Deus! Minha Florzinha foi esmagada!
— Sua neta venceu a estrela da noite, deu um show! Tinha que ver como gritavam o nome dela! — conta Carla, orgulhosa.
Levando-a para o banheiro, ajuda a tirar a roupa, lava os ferimentos da filha e, já na cama, vestia um pijama de ursinhos. Dona Carol traz remédio para a dor.
— Toma, Florzinha, da vovó.
— Aí, vó, não encosta! Tudo em mim dói! — reclama.
— Trouxe o Teddy para dormir com você, irmã. — Teddy foi o ursinho de pelúcia que compraram quando o pai saiu de casa, e por Viviane ser a mais nova, se apossou dele.
— Obrigada. — Maria Flor pega o ursinho, abraçando-o com força. — Obrigada! — sua voz soou fraca, deixando as três mulheres apreensivas.
— Carla, vai tomar um banho. Prepararei um chá de camomila para você; o dia foi muito tenso.
— Mamãe, vou ficar com minha filha. — diz Carla, chorosa.
— Vamos ser práticas como no avião: primeiro você põe a máscara em você, para ter condições de socorrer o outro que está ao seu lado, certo? Você precisa recuperar as forças para ajudá-la no que precisar. — Carla aceita o conselho da mãe e caminha para sair do quarto.
— Vem, Vivi. — chama dona Carolina.
— Vou ficar mais um pouquinho com a minha irmã. — diz, entrando embaixo das cobertas.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
Valeria Colmenero
elas como todo bom jogador gastaram o dinheiro achando que iam se dar bem, casando com um homem rico porém se deram mal e ficaram na merda
2025-02-05
1
Cleidilene Silva
palo menos na aparência são unidas, gostei!
2025-01-26
2
Vanusa Crispim Da Silva
a irmã se mata na luta enquanto a mãe e irmã gasta
2025-01-23
2