Na noite daquele dia, Flávia tentou por diversas vezes falar comigo. Como da primeira vez. Mas desta vez programei meu celular para cair sempre na caixa postal. Flávia como uma última alternativa deixava recado após cada ligação.
Nessa noite passei a maioria das madrugada acordado, já na madrugada do ouro dia, parecia que nada da quilo estava o atormentando, já não dormia muito bem e agora com minha carga horária de trabalho estendida, parecia mais um zumbi perambulando pelo quartel general de Brasília.
A sexta-feira se iniciou carrancuda e nublada. A chuva predominou por toda a manhã.
Já em Belo Horizonte fazia Sol e Flávia e Marcos faziam tempestade em copo d'água por conta dos seguranças.
Quando os seguranças chegaram com o almoço em marmitas da isopor, Flávia preferiu estar em sua casa no Rio de Janeiro, ou desejou que aquilo não estivesse acontecendo. Trancafiada dentro da quele perdido parecia que estava em uma prisão muito pior que perpétua, não sabia quando aquilo ia acabar ou se teria um final feliz.
Flávia não tinha luxo quanto a alimentação. Na academia naval aprendeu a sobreviver com pouco, mas a marmita veio mais parecendo uma lavagem do que uma comida decente.
Arroz. Feijão. Macarrão. Filé de frango e uma porção de purê de batatas e alguma coisa que parecia ser Feijão processado no liquidificador parecendo uma papa de neném.
Em quanto comia, Flávia a imaginar por onde eu andava.
— Talvez isso não lhe faça bem Flávia.- falou Marcos ainda com a boca cheia.
— Isso o'que?‐ rebate Flávia com franqueza.
— Ficar preocupada assim com Eric.
— O que você faria se estivesse em meu lugar?
— Deixaria.
— Deixaria nosso chefe lá fora correndo o risco de ser morto por um bando de psicopatas?
— Você mesma disse que Eric não seria tão idiota para deixar que isso acontecesse.
— Falei... Mas lá fora ele é apenas um.
— Apenas um... Mas talvez não esteja sozinho. Lembra de Nossa conversa?
— De que adianta. Tentaram matar Vicente, e até agora não sabemos nem mesmo se está vivo, como. Eric nos deixou aqui e sei lá por onde anda. Nossa Conversa resolveu alguma coisa até agora?
— Talvez não resolva. Mas como meu pai sempre dizia, a conversa coloca as coisas em seus devidos lugares.
— Sabe onde é meu lugar Dr. Marcos?- Marcos olha com espanto para Flávia.— Meu lugar e na quele laboratório. Posso não estar em campo com Eric, mas sei que de alguma forma poderei ajudá-lo. Flávia termina seu almoço colocando a embalagem de isopor de lada sobre a mesa e saindo do refeitório seguida pelos dois seguranças.
Flávia entra no laboratório trazendo o dossiê que Renan havia mostrado. Sentando em sua mesa, Flávia começa a ler com mais calma e atenção, tomando nota de algumas informações.
Por volta das três horas da tarde ela termina de ler o documento e com algumas informações foi novamente conversar com Marcos.
Passou no refeitório e Marcos não estava por lá. Flávia retira da máquina de café outro copo grande e vai para o laboratório de autópsia.
Enquanto Flávia anda pelo corredor um dos seguranças para em frente a porta da sala de Marcos impedindo que Flávia, mas ela exita em entrar, apenas olha para o segurança e depois de um segundo pergunta.
— O que Marcos está fazendo?
— Está no meio de uma autópsia senhora. Pediu para não ser incomodado.
— Mas se a senhora insiste, posso avisar que está aqui.- fala o segurança agarrando a maçaneta da porta.
— Lamento informar mas Marcos não ficaria contente com isso, e eu também não. Acredite ele muito menos eu não iríamos gostar.
— Então. Oque deseja senhora Flávia?
— Entregue isso a Marcos quando ele terminar. E não me chame de senhora, muito menos de senhorita. - fala Flávia entregando uma caderneta ao segurança e dando-lhe as costas.
Voltando apressadamente ao laboratório e assim que entra, Flávia da cara com Renan sentado em sua mesa. Estava acompanhado de uma mulher morena, alta que trajava um colete aprova de balas e calças e blusa azul.
— A que devo a honra de sua visita delegado?- pergunta Flávia ignorando a mulher.
Renan se levanta.
— Flávia. Essa é a delegada Andrieli. Ela está a frente de uma investigação para a polícia Federal em conjunto com a Interpol.
— O que posso fazer?- pergunta Flávia tentando evitar o contato visual com Andrieli.
Flávia evitou contato virtual e ignorou Andrieli pelo fato de já estado na presença de Andrieli.
Andrieli, a delegada até bastante competente e que não media esforços para resolver uma investigação.
Andrieli Bach era tenente da marinha no mesmo ano em que Flávia prestou serviço, durante os dois anos que Flávia morou no Rio de Janeiro prestando serviços ao corpo de fuzileiros cruzando seu caminho algumas vezes teve a oportunidade de conhecê-la melhor.
— Andrieli quer ter uma pequena palavra com você.- Diz Renan.
— Se veio até mim para relembrar os erros do passado. Saiba que os recordo todo santo dia.- diz Flávia dando as costas para Andrieli.
— Não vim até você por esse propósito Flávia. Sabe muito bem disso.
— Porque veio então?- questiona Flávia encarando Andrieli e depois franzindo as sobrancelhas.
— Depois que saí dos fuzileiros, cruzei o pasifico e me tornei uma agente da ONU. Estou em um caso de desaparecimento. Três pessoas, na cidade de Liliance. Sabe de alguma coisa?- pergunta Andrieli.
— Acho que sei de qual caso está falando. Mas espero que não seja o mesmo. - fala Flávia enquanto vasculhada novamente a caixa de provas.
— Mesmo que seja o mesmo caso que está em suas mãos, preciso de sua ajuda.
— Pra falar a verdade. Não estou trabalhando em nenhum caso de desaparecimento no momento. Mas, Do que se trata?
— Um agente da ONU interceptou um tráfico de órgãos no mercado negro. As pistas me trouxe até aqui. Na verdade até Liliance, mas quando soube que estava na capital desidi conversar com você.
— Acho que estou meio atarefada por aqui. Porque não pede ajuda a um investigador de sua agência?
— A ONU não tem peritos Florence. Nossos servidores são limitados e bastante precários quando se trata de investigações complexas como está.
— Porque pegou o caso então? Se Eric estivesse aqui, certamente você estaria de orelhas quentes.
— Quem é Eric?
— Não precisa você saber.
Renan se manifesta.
— Eric é um detetive de ligação com o exército brasileiro, está sumido faz alguns dias e Flávia está preocupada com ele.
— vocês já emitiram um alerta?- pergunta Andrieli.
— Alerta para que? Não sabemos onde Eric está, mas sabemos que está vivo.
— Posso ajudar a encontrá-lo.- se oferece Andrieli.
— Agradeço! Eric não quer ser encontrado.- retruca Flávia com franqueza e em um tom áspero.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 41
Comments