É importante ressaltar que ainda não tínhamos chegado a uma decisão de porque tentaram matar Vicente ou se realmente foi uma tentativa de assassinato e se foi, o porquê de ter dado errado. As provas que tínhamos até o momento, levavam a uma tentativa de assassinato premeditado.
Marcos por outro lado permanecia convicto que a tentativa de assassinar Vicente tinha tudo e mais um pouco a ver com o grupo de canibais. Eu por outro lado, poderia citar cem motivos para contrariar essa teoria.
Na manhã seguinte, Flávia convocou uma reunião acalorada com Renan. Para discutir sobre um dossiê de quase cinquenta páginas, nele continha informações sobre um homem que Vicente cruzou seu caminho algumas vezes quando trabalhava na DOF. Seu nome era Valdemar Gomes. Um experiente traficante de drogas. Valdemar tinha Nacionalidade boliviana mas nasceu e cresceu em uma favela da cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Lá iniciou sua trajetória no mundo do crime aos quinze anos de idade servindo como bode expiatório do tráfico. Talvez você conheça essa função por outro nome. No dossiê que Flávia leu do começo ao fim como se estivesse lendo uma biografia, estava descrito como olheiro. Essa função consiste em fixar a atenção, e avisar quando a polícia entrar e sair de algum ponto de venda e distribuição de drogas dentro da comunidade.
Já aos vinte anos de idade, Valdemar começou a negociar com produtores de maconha da Bolívia e fornecedores de armas de diferentes países, como os Estados Unidos. A princípio essas armas eram para fim de revenda. Valdemar foi astuto quanto a seu esquema. Primeiro abrindo uma empresa de venda de armas com registro na polícia federal e no exército, mas essas armas nunca chegavam até as mãos de pessoas aptas a Portar armas e sim ao crime organizado. Logo a fornecedora de armas descobriu o esquema e rompeu as negociações.
Mas logo Valdemar consegui outra fornecedora, desta vez do Reino Unido, que não demorou muito para que parasse com as negociações sob as mesmas suspeitas.
Depois Valdemar mudou para uma empresa brasileira que até então já havia levado diversas vezes a suspeita para a polícia federal.
Quem acatou o pedido da fabricante Tauriam foi o S.I.B. Aquele dossiê foi enviado para Renan por meio das minhas mãos.
Enquanto Flávia percorria as últimas páginas, Renan e Marcos caminhavam de um lado para outro. Renan com uma caneca de café. Marcos com uma lata de refrigerante e Flávia tamboreava um cigarro de um lado para outro dos lábios volte e meia soltando uma baforada de fumaça branca.
— Que vamos fazer?- pergunta Flávia fechando a pasta e a colocando de lado.
— Não me pergunte.-rebate Renan descansando a caneca sobre a mesa.— Quem deveria estar aqui lendo isso era Eric, e não uma cientista florence, se bem que já deve ter lido. Quem me enviou foi ele mesmo.- termina Renan apontando para a pasta.
— Tenho minhas dúvidas se Eric não foi atrás desse sujeito.-fala Flávia.
— Se foi dará de cara com uma equipe do S.I.B. E isso não será nada bom.- diz Renan coçando a nuca.
— E se já tiver o encontrado.- fala Marcos parando de andar.
— Terá que se explicar a administração da agência. - diz Renan se colocando sentado em frente a Flávia.
— Ora!- dispara Flávia jogando a bituca do cigarro em uma lixeira ao lado do armário.— Todos sabemos que Eric não seria tão idiota para fazer isso.
— Duas perguntas.- fala Renan se dirigindo a Flávia. — Primeira. Você apagou assa merda de cigarro antes de jogar no lixo?
Flávia levanta rapidamente e procura a bituca na lixeira. Depois de apagar a bituca com uma folha de papel amassada volta para a cadeira. — Próxima pergunta.
— Porque acha que Eric foi para essa caçada sozinho?- continuo Renan.
— Vocês não perceberam? Vicente desapareceu após tentarem mata-lo. A agência certamente mandou esse dossiê para Eric. Ele deve saber de alguma coisa. O que é, continua sendo um mistério.- diz Flávia acendendo outro cigarro.
— E se Eric foi atrás de outra pessoa? A qualquer momento podemos ter a triste notícia de que esse Zé Ruela foi encontrado morto. - fala Marcos com braveza.
— Acho isso impossível. Eric Chiuto é bem mais estratégico do que podemos imaginar. Ao contrário da notícia triste podemos ver nosso chefe entrar por aquela porta conduzindo um criminoso. - supôs Flávia.
— Qual é Flávia. Isso é só uma suposição.- fala Renan.— Se fosse o caso, porque não deu notícias até agora? É mais fácil Jesus Cristo voltar a Terra de que o detetive Eric Chiuto voltar para essa investigação. Arrisco até meu último fio de pentelho para dizer que Eric não voltara para a investigação.- diz Renan esmurando a mesa e se levantando.
— Agora você está me deixando confusa como um piolho na cabeça de um careca. Não foi o exército quem pediu a presença de Eric na investigação?
— A partir do momento que eu indiquei Eric como detetive de ligação. O comando do exército queria que Priscilla Abby fosse essa agente.
— E como fez para colocar Eric nisso?- pergunta Marcos.
— Tenho um amigo que trabalha no comando do exército em Brasília. Mandei a ficha de Eric para ele e ele se interessou.
Marcos encara Flávia e faz uma cara cínica.
— Essa cara de peixe morto quer dizer algo doutor Marcos?- pergunta Flávia se referindo a careta de Marcos com um soriso de canto.
— Diz e diz muito. Estava tão enganado assim. Tudo está fazendo sentido. Eric voltou para Brasília.
— Qual o motivo de Eric fazer isso?- questiona Renan.
— Renan seu Pergolino. Não percebeu ainda. Eric deve ter recebido esse dossiê primeiro que nos, obviamente, o monstro que acham que essa investigação é... Na verdade é um mosquito que voa em torno de nossos ouvidos.
— Quer parar de fazer exemplos sem fundamento e ir direto ao ponto.- reclama Renan.
— É simples Renan.- continua Marcos. — A agência já estava de olho no tráfico de armas, mas estava esperando o momento certo para fazer alguma coisa, Eric por outro lado, caiu de paraquedas nessa. E como um fantasma, Eric navegou pelo mercado negro das armas durante esses últimos dias, quando sentiu uma fraqueza decidiu agir.
— Ou seja!- Flávia tomou a frente do raciocínio.— Eric passou a trabalhar para o exército e deixou o S.I.B de lado, ao menos por emquanto.
— Exatamente minha cara Flávia. Esse era o ponto que queria chegar.
— Faz sentido. Mas Eric ainda estava no S.I.B, como um agente de ligação, mas ainda pertence ao serviço de inteligência Brasileiro.- diz Flávia.
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Atualizado até capítulo 41
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