Falso Suspeito

Como já era de se esperar, a equipe que Renan, enviada a cidade vizinha voltou de mãos vazias. Nem mesmo os pais de Kelly estavam na residência. Começava uma investigação de triplo sentido. Trabalhávamos com três frentes. A primeira logo, que o assassinato do delegado Vicente foi em forma de represália, ou seja, algum integrante do grupo foi esperto o bastante para sair vivo do nosso último ataque. A segunda ipotse se tratava também de uma represália, uma vingança de alguém que Vicente tivesse levado a justiça. A segunda, mas menos óbvia, era que Vicente teria sido vítima de um sequestro, talvez arquitetado por sua própria esposa ou um latrocínio, que nada mais é, do que um roubo seguido de morte.

Durante as primeiras horas do dia dezenove de janeiro, arquitetamos uma operação conjunta com uma equipe de policiais do esquadrão anti-sequestro.

Nossa primeira parada seria um condomínio de classe alta em Belo Horizonte.

Mas como chegamos a esse endereço e assim tão de pressa?

Tudo graças a Flávia. Logo que acordou de seu desmaio repentino, pedi que fizesse uma varredura no aparelho celular de Vicente. O primeiro endereço que o GPS indicou foi esse condomínio. Além desse outros dois endereços foram encontrados. Um posto de gasolina as margens da BR-381 e o outro endereço foi em Liliance, a cassa do delegado onde residia com sua esposa e a única filha. Já o posto fica a alguns quilômetros de onde o corpo foi encontrado. Segundo ao delegado Renan.

Decidimos começar do princípio. Refazendo os passos de Vicente para tentarmos chegar a algum suspeito óbvio. O condomínio foi o mais conturbado. No apartamento de número treze da torre leste do condomínio, encontramos três armas de baixo calibre, sendo as três registradas em nome do senhor encontrado no local, além de uma quantidade de dinheiro em espécie em forma de Euro. No endereço também prendemos um casal que confessou que o delegado Vicente esteve na residência mas negou que estivesse ali contra sua vontade ou que tivesse sido morto na residência. Quando questionados sobre a visita de Vicente, o casal relatou que era amigo de Vicente de longa data, o depoimento do casal foi idêntico. Vicente chegou ao apartamento por volta das seis horas da tarde, chegou sozinho, os três tomaram algumas doses de whisky e depois pediram comida por delivery. Jantaram por volta das nove horas da noite, e depois Vicente saiu do apartamento por volta das onze horas da noite. Vicente passou cinco horas em companhia do casal. O primeiro a ser interrogado foi o homem, um senhor de quarenta anos grisalho e um pouco gordinho. Quando questionei em que dia Vicente esteve em seu apartamento, ele não soube precisar o dia. É claro que já sabíamos. Vicente visitou o casal no dia seguinte em que levamos as amostras de carnes para Flávia analisar. Quanto a essa pergunta desconsiderei, é normal que alguém facilmente esqueça desse tipo de coisa.

Perguntei também qual assunto conversaram na quela noite.

O homem apenas relatou que conversaram sobre os assassinatos que estavam ocorrendo e que Vicente estava aparentemente com receio do que poderia acontecer. Comentou também que antes do jantar Vicente fez uma ligação, mas que para quem estava tentando ligar não chegou a atender.

Tanto o homem quanto a mulher falaram a mesma coisa, respondendo as mesmas perguntas.

Liberamos o casal depois de descobrir de quem se tratava. Uma falha tanto minha quanto do resto dos investidores. O casal se tratava dos pais do delegado Vicente. Por esse motivo Vicente teve confiança para passar tanto tempo na residência e falar sobre a investigação e o que também explicava as armas, mas o porquê de o casal dizer serem amigos de Vicente e não os pais?

Antes de liberar o casal fiz essa pergunta e a resposta foi que Vicente deu ordens para dizer que eram apenas amigos.

Sob essas circunstâncias pedi desculpas ao casal e os mandei para casa escoltados por uma viatura da polícia militar.

Depois de termos almoçado, fomos novamente ao auditório. Nossa discussão seria sobre o posto de gasolina, onde Vicente esteve na segunda vez em que usou o celular. A princípio poderia ser apenas uma espécie de coincidência, Vicente tentou ligar para alguém com número desconhecido o qual Flávia não consegui localizar. Poderia ter ativado o GPS novamente quando fez outra tentativa ao parar para reabastecer, já que entre a primeira e a segunda vez houve um intervalo de uma hora. Descidimos se seria viável irmos até o posto de gasolina para verificar.

Flávia que estava ao meu lado me deu uma ideia, uma ideia que teria poucas possibilidades de dar em algum lugar mas mesmo assim era uma ideia viável.

A ideia era a seguinte: Conseguiramos um mandado de acesso. Iríamos até o posto de gasolina e poderíamos ter acesso as câmeras de segurança.

Era uma boa, mas já havia se passado semanas, os computadores já teriam excluído automaticamente as imagens de monitoramento dos dias anteriores. Quando comentei com Flávia sobre isso, Flávia foi bem específica em me dizer que conhecia um amigo de faculdade que desenvolveu um programa que permitia recuperar imagem de monitoramento de até vinte dias atrás.

Isso era maravilhoso, se esse programa funcionasse poderíamos descobrir se Vicente chegou e saiu sozinho do posto de gasolina ou conversou com alguém em quanto esteve lá, ou se foi sequestrado nesse endereço.

Tudo se encaixou como uma luva. Marcos conhecia um juiz que em trinta minutos expediu um mandado e em menos de quarenta minutos o mandado já estava em nossas mãos. Montamos uma equipe de cinco polícias. Em uma viatura descaracterizada Flávia, Marcos, eu e mais dois policiais nos deslocamos até o posto.

Chegamos por volta das três horas da tarde.

No pátio apenas um caminhão estava em uma das bombas de combustível, o motorista era um rapaz magro de cabelos loiros. Disse que sempre abastecia nesse posto antes de viajar.

Quando mostrei a ele uma foto de Vicente em meu celular o rapaz se assustou e imediatamente subiu na cabine do caminhão, no calor do momento saquei minha arma, mas o rapaz voltou trazendo um aparelho celular o qual Renan reconheceu ser de Vicente.

Renan agiu mais ao calor do mundo de que eu. Após o reconhecimento do aparelho, Renan deu voz de prisão para o rapaz quase que imediatamente.

Nesse momento Flávia vem em minha direção andando em passos firmes enquanto fazia uma mímica como se fosse duas pernas com os dedos indicador e médio de uma das mãos.

Confesso que essa não entendi. Mas tinha que levar o nosso novo suspeito para a viatura, então segui Flávia e coloquei o rapaz no banco traseiro da viatura e encarei Flávia.

— O que quis dizer com aquela mímica?- perguntei.

— Quis dizer para deixar o rapaz voltar ao trabalho.

— Porque? Ele está com o celular de Vicente. Tem alguma prova que diga ao contrário?

— Tenho.- dispara Flávia colocando em minhas mãos um panfleto que dizia: Encontrado celular Samsung Galaxy A300S. O proprietário deve ligar para o número a baixo.

— Que você acha de ligar para o número do panfleto.- sugere Flávia.

Quando coloquei para chamar o número que havia discado um homem atende a ligação com um "Alô" debochado.

— Aqui é o detetive Eric Chiuto. Com quem eu falo?

— Detetive Chiuto. Acho que já nos conhecemos.- fala o homem dando uma risada baixa.

— Me conhece de onde?

— Olhe para dentro de sua viatura detetive.

Virei rapidamente e vi o rapaz segurando o celular com uma das mãos e com a outra apontando o dedo indicados para o aparelho dando me um sorriso largo.

— Mas que droga!- murmurei.

— Cadê Renan para dar um puxão de orelhas nele?- pergunta Flávia olhando pra os lados.

— Não sei dele. Mas quando chegar. Vou pedir para Marcos fazer sua autópsia pessoalmente.- exclamei com indignação.

Depois de um momento Renan se aproxima de nós e quando chegou perto o agarrei pela gola do colete.

Flávia da sua risada irônica.

— O rapaz encontrou mesmo o celular. Só queria era devolver.- fala Flávia.

— Como sabe?- questiona Renan enquanto o seguro pela gola do colete.

— Ligamos para o número desse panfleto e quem atendeu foi o rapaz que você acabou de prender.

— É... Detetive!- exclama Renan.

— Que foi?- rebato.

—Nao tem outro lugar pra você pegar não? É que o colete está pegando nas minhas axilas.

— Na verdade queria ter pego você pelo pescoço, mas você se esquivou e a única coisa que encontrei foi a gola do colete. Então a culpa é sua.

Soltei Renan e dei ordem para que ele soltasse o rapaz. Assim que eu e Flávia entramos na conveniência do posto, vi quando o rapaz voltou para seu caminhão, deu partida e dói embora.

Quando mostrei a foto de Vicente ao balconista disse que o motorista do caminhão estava portando um celular com a foto do mesmo homem e que fez panfletos na tentativa de devolver o aparelho.

— Tive motivos para soltar o pobre homem?- falo a Flávia.

— Peço desculpa pelo incomodo senhor.- começa Flávia.— Apenas queremos saber onde encontramos o dono desse aparelho.?- pergunta Flávia mostrando o celular ao balconista.

— Porque não perguntam a quem encontrou o celular.- diz o balconista.

Lamentamos. Ele já meteu o pé!- falei.

— Não sei se o cara falou a verdade. Quando chegou com os panfletos disse que parou para urinar na beira da rodovia e encontrou o celular.

— Ele disse em que altura da rodovia?- pergunta Flávia.

— Quilômetro 482.- responde o balconista.

— Esse quilômetro fica antes da base da polícia rodoviária federal, fica em Liliance.- observa Flávia. — E o local onde o corpo foi encontrado fica a oito quilômetros da rodovia.- termina Flávia.

Levo as mãos a cabeça para esfregar os cabelos .— Está bem.- falo me dirigindo ao homem do outro lado do balcão.— Você está liberado, a propósito, este é o delegado Renan. Policiai civil. - falo quando Renan entra na conveniência.— Eu me chamo Eric Chiuto, detetive do S.I.B. e está é Flávia, investigadora Florence, também do S.I.B. e quanto aos dois policiais eles são da polícia militar do estado. Se lembra de mais alguma coisa, ficaríamos muito agradecidos se puder nos contatar.- termino entregando os homem meu cartão.

— Tudo o que sei é isso detetive. Mas se souber de alguma coisa pode deixar que eu aviso.- fala o homem colocando o cartão no bolso da camisa.

Saímos do posto sentido a Belo Horizonte.

Durante o caminho passamos pela base da polícia federal e uma blitz da polícia militar rodoviária.

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Yukishiro Enishi

Yukishiro Enishi

Mal posso esperar pelo próximo trabalho deste autor(a)!

2024-04-21

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