Saída Repentina

Nossos dois endereços tinham dado zebra.

Pelo menos não voltamos de mãos abandonado, Flávia em posse do mandado apreendeu três computadores do posto de gasolina. Iríamos verificar as imagens de segurança, tentar recuperar o máximo possível com o programa do amigo de Flávia.

Assim que chegamos em Belo Horizonte Flávia me apresentou Agnaldo Ribeiro. Um perito em investigação cibernético formado pelo Universidade de Brasília (UnB). Uma das mais conceituadas universidades do Brasil.

Depois disso, qualquer um que entrasse no laboratório de Flávia sem ser autorizado era retirado a pontapés e beliscão pela própria Flávia. Renan poderia relatar como deve ter sido doloroso se estivesse aqui, mas no momento deveria estar na farmácia mais próxima comprando uma aspirina. Ou deve ter ido procurar um médico.

Permaneci no instituto médico legista, mas não por muito tempo. Ver famílias inteiras chorando a morte de seus entes queridos me causava uma tristeza temporária.

Resolvi dar uma volta no quarteirão até que Flávia me permitisse averiguar o desenrolar da situação dos computadores.

E assim o fiz, desci as escadas para a calçada e andei pela rua no sentido contrário do trânsito. Virei a esquina e continuei andando, alguns metros a minha frente uma mulher magricela de cabelos loiros distribuía panfletos, de longe não consegui ver do que se tratava, mas a primeira vista a mulher procurava alguém. Para cada transiunte que entregava um panfleto conversava por alguns segundos, o pedestre abordado pela mulher apenas balança a cabeça de um lado para outro negando algo e depois ia em bora com o panfleto em mãos. Alguns de olhos pregados no panfleto e outros o embolavam e o jogavam na lata de lixo mais próxima.

Me aproximei da moça e a comprimento pedindo um dos seus panfletos.

Me surpreendeu au ver quem a moça procurava. Era Vicente. Lancei um olhar de desconfiança a mulher que simplesmente me perguntou se eu conhecia seu marido.

— Ele é seu marido?- perguntei com gentileza.

— Sim. O nome dele é Vicente. É polícia militar de Liliance.

— E você tem uma filha. Qual é o nome dela?

— Ela se chama Kalifa. Você o conhece? Meu esposo, você conhece?

— Venha comigo senhorita Kelly.- a mulher prontamente atendeu meu pedido e seguiu ao meu lado.

Paramos em frente a entrada do instituto médico legista e a segurei pelos ombros.

— Senhora Kelly, preciso que seja forte. Me chamo Eric Chiuto, e sim. Conheci seu marido a alguns dias atrás, infelizmente o que não queríamos aconteceu.

Kelly desabou em um choro comovente, apertou o feixe de panfletos que segurava contra o peito.

— Já procurou lá dentro - indiquei o prédio.

— Ainda não. Mas acredito em você. Vicente me falou sobre você.

— Lamento. Onde esteve esse tempo todo? Estavamos a sua procura. Achamos que também estivesse morta.

— Procurei nas cidades vizinhas a Liliance, meus pais estão procurando em hospitais e funerárias da capital.

— E quanto a Kalifa?

— Está com minha irmã, em Brumado.

— Venha comigo. - puxei Kelly pelo braço e entramos no prédio.

Cheguei em frente a porta de acesso ao laboratório de Flávia, quando fui bater na porta lembrei do que havia acontecido com Renan. Coloquei Kelly em minha frente e então bati na porta com o nos dos dedo. Flávia abriu a porta de sopetão pronta para distribuir botinadas em quem estivesse em sua frente.

— Aí meu Deus!- exclama Flávia.— Que droga. Achávamos que estivesse morta. Onde a encontrou?- me pergunta Flávia.

— Distribuindo isto na rua ao lado.- falei mostrando o panfleto a Flávia e depois entrando no laboratório.— Como está indo seu progresso?- pergunto me prestando em frente aos computador.

— Desculpa Eric, não posso passar qualquer informação em quanto ela estiver aqui.- diz Flávia fazendo um gesto com a cabeça para indicar Kelly.

— Corta essa.- disparei.— Por esse motivo a trouxe aqui.

— Desculpa mas não posso, ela pode estar distribuindo fotos de seu marido por aí mais ainda é uma suspeita - termina Flávia laçando um olhar de desaprovação para Kelly.

— Srt. Kelly. Onde esteve na noite do dia dez de janeiro?- pergunto.

— E sério isso? Se vai interrogar ela, Fassa isso em quanto uma câmera estiver ligada, e é claro que vai mentir onde estava.- diz Flávia indicando Kelly com o dedo indicador levantado.

— Prociga com a resposta senhorita Kelly. - falo com autoridade.

—Nesta noite estava na casa de minha irmã.

— E porque foi até sua irmã?

— Deixei minha filha e depois na mesma noite voltei para Liliance.

— Isso não tem sentido, neste dia Vicente já estava morto.

— Terminem o que estava fazendo Flávia. Levarei Kelly ao doutor Marcos para o reconhecimento do corpo. Me avise quando estiver terminando - falei saindo do laboratório arrastando Kelly pelo corredor.

Estacionei em frente a porta do laboratório de autópsia. Pedi para Kelly aguardar do lado de fora. Entrei e me deparei com Marcos em pé a frente do computador

— Detetive, que bom que veio, alguma notícia do corpo de nosso delegado?

— De Vicente nenhuma, mas de sua mulher tenho informações privilegiadas.

— Precisarei fazer autópsia?- pergunta Marcos largando o que estava fazendo.

— Não será necessário, está está viva.

— Então porque a trouxe para mim?

— Reconhecimento. Pode entrar senhorita Kelly.

Kelly entra na sala e se coloca em nossa frente.

— Onde está meu marido?- pergunta.

Marcos me olha com desdém e permanece calado

— Deixa isso pra mais tarde doutor, tenho alguém pra reconhecer o compo de nosso delegado.- falo me levantando nas pontas dos pés.

— Isso é uma ótima notícia detetive. Assim poderei liberar o corpo para um funeral digno. Se tivéssemos um. - afirma Marcos.

— Mostre a foto a ela doutor.- fala virando me para o computador.

— Lamento lhe informar mas esse reconhecimento não terá validade alguma quanto a liberação do corpo. Para ser bem franco, isso se encontrarmos o corpo.- fala Marcos clicando no mouse do computador.

— Esse é Vicente, senhora Kelly?- perguntei quando a foto de Vicente foi retratada na tela.

— Este é meu amado marido.- aponta Kelly olhando para a foto

— Isso será meio complicado de explicar. Serei honesto quanto o que vê. Até o momento temos apenas essa foto, a princípio você o reconhece, mas é apenas uma foto, sabemos que Vicente está desaparecido mas ainda pode estar vivo.

— Sim. Esse é Vicente. Aí meu Deus, não acredito que está morto.

Kelly começou a chorar descontrolada. O abracei para conforta-la.

— Lembre-se, é apenas uma foto, Vicente ainda pode estar vivo. Sua procura ainda não acabou.- falei com cautela em quanto a abraçava e Marcos apagava o computador

Conduzi Kelly para fora da sala de autópsia e a coloquei na sala de interrogação, antes de deixá-la providenciei uma garrafa de água, alguns salgadinhos que consegui na máquina de lanches da recepção e um copo de café com leite descafeinado que foi a pedido de Kelly.

Voltei ao laboratório de Flávia com nenhuma esperança de conseguir algo.

Assim que entrei no laboratório Flávia me entrega uma folha com algumas coisas escritas além de um gráfico.

Corri os olhos pela folha e a única coisa que entendi mesmo não sabendo de que se tratava foi o gráfico, que era representado por uma linha azul que subia e descia por todo o quadro. Entre uma data e outra. As escritas não eram palavras e sim códigos criptografado.

— Uma explicação seria ótimo.- falei estapeando a folha com as costas da mão.

— O gráfico representa as datas das ligações que Vicente que obtive do celular dele. Quanto a esta.- fala Flávia me passando outra folha.— Está foi quando esteve no posto.- começa explicando Flávia.— O último dia em que Vicente esteve no posto foi a uma semana atrás, pela imagem de umas das câmeras Vicente permaneceu no posto por mas tempo que as últimas três vezes, e desta vez não só abasteceu o carro como comprou uma garrafa de whisky e um maço de cigarros.

— Depois disso. O que será que aconteceu?- perguntei focando minha concentração na imagem de Vicente no monitor do computador.

— Vicente chegou no posto as nove horas e quinze minutos - fala Flávia pausando a imagem quando Vicente entra com o carro no campo de visão da câmera. — Logo depois, cerca de trinta minutos depois - Flávia acelera a imagem até quando Vicente entra no carro ao lado da bomba de combustível e vai embora seguido o caminho de volta por onde veio.

— Porque ficou tanto tempo no posto?- perguntei.

Flávia muda a imagem da câmera dois para a câmera três, onde foi possível ver Vicente sentado em uma mesa na lanchonete do posto se embriagando com o whisky que acabará de comprar. Depois de degustar mais da metade da garrafa Vicente vai para a área de estacionamento ao lado do posto e acende um cigarro. Seguido de mais dois cigarros, depois do terceiro cigarro Vicente volta para o carro e volta para a rodovia. Tudo isso em aproximadamente trinta minutos.

— Como ele conseguiu beber meia garrafa de Jack Daniel's número sete e fumar três cigarros em trinta minutos?- pergunto a mim mesmo em voz alta.

— E fácil.- começa Flávia.- esse whisky não é muito forte, possuí cerca de 3,2 de volume alcoólico, e os cigarros que fumou são de uma marca conhecida por combustão rápido e não deixam odor. Ou seja...

— Não queria que soubesse que andou bebendo e muito menos fumando.- falo interrompendo Flávia.

— E quem seria. De quem queria esconder seus vícios.- indagou Flávia.

— Talvez da mulher ou alguém que fosse próximo a ele.- falei enquanto observava o carro em que Vicente estava.— Este carro não é o mesmo em que Vicente esteve na delegacia quando o conheci. - observei.

— Talvez tenha outro carro.

— Consegue indentificar a marca?- perguntei virando para encarar Flávia e seu amigo.

— Vou aproximar a imagem.- fala Flávia voltando a digitar no computador.

A imagem é ampliada e pude ver perfeitamente o nome do veículo, já sabia qual era a marca e o modelo do carro, só queria confirmar. Era um Corolla. Um modelo antigo da montadora automotiva Toyota. O último carro fabricado foi em dois mil e vinte e sete. Logo depois a montadora atualizou sua linha de montagem para a versão Fox Cl. Uma versão futurística do antigo Corolla. Movido a hidrogênio.

O carro que Vicente estava usando no dia das filmagens era o último Corolla movido a gasolina.

— Com qual carro Vicente estava no dia em que se conheceram?- me pergunta Flávia.

— Era um mais antigo que este. Uma caminhonete. Você pode ter razão, Vicente pode ter outro carro além da caminhonete.

— Ou talvez não.- se manifesta Agnaldo repentinamente.— esse carro está com um alerta de furto.

— Como! Cheque novamente.- falo me sentando ao lado Flávia e Agnaldo em frente ao computador.

— Vamos lá.- começa agnaldo.— Estou no sistema do Copon. Aqui está a placa do carro Alfa. Papa. Romeu. Quatro. Charles. Dois. Dígito quatro.- Agnaldo fala pausadamente em quanto digitava a placa pela segunda vez.

A foto do mesmo Corolla aparece na tela do computador e sobre ela em vermelho a palavra roubado.

— Isso é impossível. Porque um policial roubaria um carro?- pergunto encarando Flávia quase encostando as pontas de nossos nariz.

Flávia não me dirigi nenhuma resposta, apenas olha em meus olhos e depois desvia o olhar para a tela.

— Com licença Agnaldo. - pede Flávia assumindo a frente do computador. em alguns click no mause Flávia encontra uma ficha de informação sobre o roubo.— Aqui está.- antes de começar a ler Flávia arumã seus óculos.— Veículo: Corolla Toyota. Cor: Prata. Modelo: 2027. Roubado na noite do dia vinte de março na rua Eloi Rodrigues centro de Belo Horizonte, o condutor foi abordado por um indivíduo, armado com uma arma de fogo, o proprietário do veículo reagiu e foi baleado.- apartir desse ponto Flávia passa ler fazendo uma pausa em cada palavra. — E veio a óbito no hospital Odilon Behrens. Será que Vicente matou esse homem?- questiona Flávia retirando os óculos.

Só temos um modo de saber - falei apanhando meu celular.— Tem o nome do proprietário do veículo?- perguntei enquanto procurava o número de Marcos.

— João Pedro de Lima. - responde Flávia.

Alguns minutos depois de minha conversa com Marcos, ouvi Marcos vindo pelo corredor arrastando seus sapatos com um som nítido.

Marcos entra no laboratório trazendo com sigo uma pasta alaranjada. Quando jogou sobre a mesa pude ler o que estava escrito " Confidencial".

Perguntei do que se tratava e fui logo manuseando a pasta e quando a abri me deparei com a foto de um homem de aproximadamente trinta anos de idade era moreno e com os cabelos cortados em degradê. Trajava uma roupa laranja a qual era visível alguns centímetros abaixo dos ombros.

— Este é o suposto proprietário do veículo.- fala Marcos apontando para a foto do carro na tela.

— De onde saiu isso?- perguntei surpreso.

— Pediu que eu procurasse o laudo da autópsia deste homem, nos arquivos e também encontrei isso.

— Examine.- falei passando a pasta para Flávia.— Quero tudo o que conseguir em menor tempo possível. Me ligue quando terminar - falei deixando os três no laboratório.

O que Vicente estava fazendo? Tentava conduzir uma investigação por conta própria? Ou apenas cruzou o caminho de um criminoso e fez vingança com as próprias mãos, e depois acabou tendo um retorno indesejável?

Até o momento não sabíamos, mas cabia a mim mesmo descobrir e dar um fim nisso de uma vez por todas. Até agora estava na defensiva. Estudar o caso não estava me levando a nada, a não ser mais e mais pistas. Por minha conta agora a morte de Vicente de é que estava morto pvirará represália.

Do Instituto Médico, dirigi até a delegacia de polícia civil, não esperava encontrar Renan por lá, mas Renan estava em sua sala.

— Poderia me fazer um favor mocinha?- perguntei a escrivã.

— Boa tarde para você também detetive, e quanto ao favor, se não for muito demorado. Está quase no final do meu turno.- rebate a escrivã.

— Será rápido, prometo soldado...- me curvei para ler seu nome em seu peito.— Emily.

— Então diga detetive. Terei o maior prazer em lhe ajudar.

— Procure os antecedentes de uma pessoa. Você pode fazer isso?

Emily fica me olhando sem intender.

— Poder eu posso, mas não seria melhor o senhor ir até o juizado da cidade? Poderá obter mais detalhes.

— Não quero mais detalhes, só quero uma ficha de antecedência.

— Se for este o caso. Acho que posso conseguir para o senhor. Sabe o nome do suspeito?

— Cleiton da Costa.— falei de sopetão.

Emily me olha com ar de surpresa e escolhe os ombros e digita o nome no computador a sua frente.

Neste meio tempo Emily me encara por cima da tela do computador.— Esse homem foi morto a alguns dias atrás próximo daqui.

— Aí diz como ele morreu?

— Baleado detetive, o atirador levou seu carro. Classificamos o caso como latrocínio. O atirador não foi encontrado até o momento.

— Qual delegacia atendeu a ocorrência?- perguntei me debruçando sobre o balcão.

— Esta mesmo detetive, quem presidiu os altos foi o delegado Elias.

— Me diga qual são os antecedentes criminosos.

— Beleza. - prontamente Emily se volta para o computador e começa a ler uma extensa ficha de crimes.— Cleiton da Costa. Preso diversas vezes por tráfico de drogas, roubo a mão armada. Além de crimes cibernético, formação de quadrilha, e o último a onze meses atrás foi conduzindo ao presídio federal de Belo Horizonte por duplo assassinato.

— Aí diz porque foi solto?

— Saiu no feriado de carnaval e não retornou.

— A justiça brasileira está de piada com minha cara. Qual o último endereço em que resíduo?

— Rua Francisco Donato 445. Bairro Jardim Felicidade.

— Onde fica?- me lancei por cima do balcão para buscar uma pequena caderneta e uma caneta no porta lápis.

— Está localizado na região Nordeste da cidade.- fala Emily.

— Avise Renan que estarei fora por alguns dias,

Da delegacia de polícia civil, voltei pra o instituto médico legal onde encontrei Marcos.

— Qual é a boa detetive!- fala Marcos ao me ver entrar em sua sala.

— A boa.- comecei sacando minha arma.- A boa é que vou ficar fora por uma ou duas semanas, tome conta disso para mim. Quando voltar vou querer de novo.- termino deixando minha arma sobre uma das mesas de autópsia e dando as costas para Marcos.

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